Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 - 07h55

Já faz
cinco anos que escrevo neste espaço sobre violência contra a mulher e nesse
tempo acompanhei muitos casos de agressões físicas, psicológicas e
feminicídios. Também observei algumas mudanças para melhor, com novas leis
sendo implantadas que impactaram nossa vida e outras ações com o intuito de nos
deixar mais protegidas pelo fato de sermos mulheres.
Mas
também presenciei um aumento de casos assombrosos em Rondônia e no cenário
nacional. Os motivos foram os mais irrelevantes possíveis, mas nenhum deles
evitou agressões físicas e psicológicas e até mesmo impediu a morte delas pelos
seus companheiros.
Casos
nacionais impactantes como o do companheiro que agrediu a namorada com 60 socos
dentro do elevador. O da mulher que terminou o relacionamento e por isso foi
arrastada por mais de 1 km embaixo de um carro, conduzido pelo ex-companheiro.
Ou o da esposa que pediu o divórcio e quando o marido não aceitou os filhos
acabaram sendo assassinados por ele. Casos que não saem da minha cabeça.
Aqui em
Rondônia outra tragédia recente destacou que todas nós corremos perigo em casa,
no trabalho ou na rua. Um aluno tirou a vida da própria professora a facadas
dentro da faculdade onde ela lecionava, seja lá por qual motivo.
A verdade
é que não tem explicação, ou justificativa para tamanhos crimes que ocorrem
perto da gente e respinga no nosso emocional, pois sabemos que a violência
doméstica atravessa barreiras econômicas, educacionais e o medo de sermos as
próximas convive conosco.
Vivemos
em uma cultura que hierarquiza os gêneros e coloca o homem em uma posição de
controle sobre o corpo e as nossas vidas. Eles quando sentem que estão perdendo
poder ou controle, usam a força para reafirmar o que conhecem por
masculinidade. A violência é a expressão mais evidente da tentativa de manter
essa submissão. O machismo naturaliza abusos e comportamento violentos,
perpétua ciclos de violência, inclusive em ambientes familiares.
Tudo isso
já sabemos, o que ainda não entendemos é o porquê o nosso estado ainda não
aderiu ao Pacto Nacional Brasil contra o feminicídio, que tem o objetivo de
integrar ações de prevenção, investigação e enfrentamento à violência letal
contra as mulheres. Sendo que só ano passado foram registrados 25 casos de
feminicídio por aqui. Fora os registros de casos de estupros e agressões de
violência contra as mulheres.
Pode até
ser que estejamos melhorando, mas o descaso pelas nossas vidas ainda é enorme
por aqui. Precisamos o quanto antes da compreensão de que a violência contra as
mulheres exige ação contínua e coletiva, com responsabilidade governamental
para que ocorra uma mudança de comportamento.
É preciso
responsabilizar os agressores, prevenir novos casos e ter a participação ativa
dos homens para cessar esse problema. Não dá mais para conviver com medo, necessitamos
de leis severas, investimentos e boa vontade das autoridades para mudar nossa
realidade.
Espero
que daqui a cinco anos não seja preciso defender essa pauta, que vejamos essa
cultura transformada depois que ações eficazes foram implantadas. Mas até lá
vamos ter que defender o óbvio e continuar torcendo para que o Governo e a
sociedade em geral aprenda a ter respeito pelas nossas vidas.
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