Porto Velho (RO) sexta-feira, 7 de agosto de 2020
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Gente de Opinião

Hidrelétricas do Madeira

A briga das empreiteiras


Dois dos maiores grupos da construção pesada, Odebrecht e Camargo Corrêa, entraram em confronto aberto após décadas de convivência e composição nas disputas por obras em todo o país - uma prática comum no setor. O alvo da discórdia são as bilionárias hidrelétricas do rio Madeira, Santo Antonio e Jirau, estimadas em US$ 13 bilhões, o maior empreendimento nacional desde Itaipu e o maior projeto hidrelétrico do mundo em andamento. 

Os dois grupos, e outros da construção pesada, sempre estiveram lado a lado nas concorrências ou se compuseram depois, dividindo os empreendimentos em partes. Isso ocorreu, por exemplo, com a usina de Itaipu, aeroportos e o metrô de São Paulo, e principalmente quando o dono da obra era o governo. Mas, agora, o valor do projeto e o favoritismo da Odebrechet trouxeram a disputa à tona. 

A construtora baiana vai ao leilão associada a Furnas, com quem realizou estudos de viabilidade econômica. Um termo de compromisso entre Odebrecht e a estatal impede que todas as empresas do grupo Eletrobrás e a própria holding se associem a outros consórcios, mesmo se perderem a licitação. A Camargo Corrêa diz ter pareceres de juristas renomados concluindo que esse acordo é ilegal. "Ele privilegia um participante em detrimento de outros, uma vez que o peso do Estado é decisivo nesse caso", afirma João Canellas, diretor da Amel, empresa criada pela Camargo para ser núcleo de um consórcio privado na licitação. Os pareceres foram enviados à ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, e ao Ministério das Minas e Energia. "Não sendo acatados na esfera do leilão, poderão ser levados à esfera judicial, uma vez que o acordo está eivado de irregularidades", diz. 

A Odebrecht vê as críticas adversárias como "chororô" de quem não acreditava no projeto, chegou atrasado e agora quer se aproveitar dos frutos de quem acreditou e investiu antes da hidrelétrica se mostrar viável. "A associação era de conhecimento público desde 2005 e não foi questionada por ninguém até recentemente, porque não acreditavam que a obra fosse sair do papel um dia", disse um executivo da Odebrecht. 

O governo chegou a anunciar que Furnas não iria ao leilão com a Odebrecht, mas voltou atrás e até agora não conseguiu uma saída para livrar-se do contrato. 

Fonte: Valor Economico Ivo Ribeiro

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