Porto Velho (RO) segunda-feira, 24 de setembro de 2018
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Leilão de energia eólica terá novo modelo baseado na capacidade de infraestrutura de transmissão


Vitor Abdala
Agência Brasil

 

Rio de Janeiro – O próximo leilão de oferta de energia eólica, que será realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em agosto deste ano, terá mudanças no modelo para garantir que as novas usinas consigam escoar sua produção. Nos últimos leilões, usinas ficaram prontas mas não tinham como escoar a energia produzida por falta de subestações e linhas de transmissão.
 

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), três usinas no Nordeste, com capacidade de 622 megawatts (MW), estão sem gerar energia há quase um ano porque não têm como escoar a produção. Segundo o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, com o novo leilão os empreendimentos só poderão competir em áreas onde há subestações e linhas de transmissão já prontas para escoar a produção.
 

O leilão terá duas fases. Na primeira, a usina concorrerá com outros empreendimentos pelo direito de usar determinada subestação. O critério de escolha das usinas vencedoras em cada subestação será o menor preço da energia produzida. “Se houver 150 MW concorrendo em uma subestação com capacidade para apenas 100 MW, serão selecionados os 100 MW mais baratos”, disse Tolmasquim.
 

Os selecionados em todas as subestações disponíveis disputarão uma segunda fase, na qual poderão mudar o preço oferecido na primeira etapa. O novo modelo de leilão também exigirá uma garantia maior dos empreendimentos de que a energia prometida será realmente entregue. No caso da energia eólica, a quantidade de energia a ser produzida não depende apenas da capacidade instalada da usina, mas também do regime de ventos que giram as turbinas geradoras.
 

Como fará restrições geográficas para a localização das usinas (só poderão concorrer usinas próximas a subestações e onde houver linhas de transmissão com capacidade para escoar a energia) e exigirá mais garantias, o novo modelo de leilão deverá provocar uma redução do número de concorrentes e também um aumento do preço da energia gerada.
 

“Nossa preocupação é com a competitividade da energia eólica, já que deve encarecer de 10% a 15%”, disse a presidenta da Abeeólica, Élbia Melo.
 

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