Quarta-feira, 19 de janeiro de 2022 - 21h05

Veto ao Refis: com pressão a mil,
pequenos empresários sobem o tom
Há um movimento para derrubada do
veto presidencial ao Projeto de Lei Complementar 46/2021 que institui o
Programa de Reescalonamento do Pagamento de Débitos no Âmbito do Simples
Nacional (Relp), um refis para micro e pequenas empresas e microempreendedores
individuais devedores do Simples Nacional. De acordo com o advogado Marcos
Tavares Leite, a justificativa para o veto é que não se poderia autorizar uma
lei que implica em benefício fiscal e renúncia fiscal ao mesmo tempo.
Entretanto, segundo o advogado, a proposta não fala em renúncia fiscal, mas na
viabilidade de receber o valor devido em até 180 parcelas com desconto de até
100% em encargos, multas e juros moratórios. “Enquanto segue o debate, a
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editou portaria autorizando o
parcelamento com descontos sobre multas e encargos, mas com prazo de até 145
meses. Quem optar pelo parcelamento nos moldes da portaria não saberá
exatamente qual o desconto. Cada caso será avaliado para que sejam definidos o
número de parcelas e desconto aplicado”, explica.
Assista: https://youtu.be/5f1gUc5tbXM
Optante do Simples ganha
mais dois meses para regularizar débitos
Os negócios de pequeno porte e os
microempreendedores individuais (MEI) poderão ganhar mais dois meses para
regularizarem os débitos com o Simples Nacional – regime especial de tributação
para micro e pequenas empresas. No dia 21, o Comitê Gestor do programa
discutirá o adiamento do prazo de 31 de janeiro para 31 de março. A
regularização dos débitos é necessária para os micro e pequenos empresários e
os profissionais autônomos continuarem no Simples Nacional. Em nota, a Receita
Federal, que integra o Comitê Gestor, informou que a medida tem como objetivo
ajudar os negócios afetados pela pandemia de covid-19. Tradicionalmente, quem
não pagou os débitos é retirado do Simples Nacional em 1º de janeiro de cada
ano. As empresas excluídas, no entanto, têm até 31 de janeiro para pedir o
regresso ao Simples Nacional, desde que resolvam as pendências até essa
data.
Empresário de Rondônia já
pode abrir qualquer tipo de empresa sem sair de casa
A partir deste mês,
empreendedores de 11 estados poderão abrir qualquer tipo de empresa sem sair de
casa, apenas preenchendo um formulário digital. Ao longo de janeiro, o
“Balcão Único” passa a estar disponível nas Juntas Comerciais de Alagoas, do
Espírito Santo, de Goiás, da Paraíba, do Rio Grande do Norte, de Sergipe e de
Tocantins. Na semana passada, a tecnologia foi implementada pelas Juntas
Comerciais do Maranhão, do Paraná, do Piauí e de Rondônia. Com a
expansão, o número de unidades da Federação beneficiados pelo Balcão Único
aumenta para 17. A ferramenta já estava disponível na Bahia, no Distrito
Federal, no Pará, em Pernambuco, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. O Balcão
Único unifica os dados entre os órgãos da União, dos estados e dos municípios
para a abertura de empresas. Segundo o Ministério da Economia, que adotou o
projeto, a solução reduz a burocracia na abertura de empresas, ao permitir que
o empreendedor evite deslocamentos e envie os documentos para um único lugar.
Os fundamentos do sistema já eram utilizados pelo SMPI
SP desde 1996 no programa “Empresa Aberta”. Outra solução que
facilita a abertura de empresas, a assinatura eletrônica do Portal Gov.br pode
ser usada em 24 Juntas Comerciais do país. A tecnologia permite ao cidadão
assinar documentos eletronicamente, sem reconhecimento de firma ou aquisição de
certificado digital, na interação com órgãos públicos
Atenção: Adesão ao
SIMPLES só até dia 31/01
As empresas que querem optar pela
adesão ao Simples Nacional têm até o dia 31 de janeiro para realizar
essa opção e, uma vez deferida, produzirá efeitos a partir do primeiro dia do
ano calendário da opção. O interessado deverá fazer a opção quanto antes pois
se houver algum tipo de restrição terá que ajustar até o fim de janeiro. Porém,
se deixar para a última hora, as ações para ajustes não terão tempo hábil
para a execução. Assim, antes de aderir ao novo regime é necessário
a eliminação de possíveis pendências que poderiam ser impeditivas para o
ingresso ao regime tributário, como débitos com a Receita. Até o momento, 255
mil empresários já fizeram adesão ao Regime Especial Unificado de Arrecadação
de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno
Porte. Para as empresas já em atividade, a solicitação de opção pode ser feita
até o último dia útil (31 de janeiro). Caso aceita, valerá a partir de 1° de
janeiro deste ano (caráter retroativo). Para empresas em início de atividade, o
prazo para a solicitação é de 30 dias do último deferimento de inscrição
(municipal ou estadual), desde que não tenham decorridos 60 dias da data de
abertura do CNPJ.
Impacto da taxa de juros
americana para o Brasil
O Banco Central americano começou
o ano aumentando a taxa de juros, informa o economista Alexandre Chaia. Qual
impacto disso? Segundo Chaia, quando o investidor coloca dinheiro no Brasil,
está procurando um diferencial de juros entre a nossa taxa e a taxa em dólar.
“Portanto, o Brasil deveria estar com taxa em torno de 4% ao passo que os juros
em dólar estão em 2%. Se a taxa americana subir a 3%, por exemplo, dificilmente
a taxa no Brasil cairá abaixo de 7%”, analisa. Segundo ele, na prática, a
economia crescerá menos. “Provavelmente projetos com taxa de retorno próxima de
7% serão abandonados, pois será mais vantajoso investir no tesouro. Além disso,
se o governo brasileiro não aplicar uma taxa de juros mais forte, provavelmente
o dólar continuará subindo, provocando inflação, pressionando os preços, os
salários e consequentemente o custo de vida”, explica Chaia.
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