Segunda-feira, 15 de junho de 2026 - 14h54

Mais de R$ 52 milhões em dívidas deixaram de aparecer nas consultas
públicas de crédito no Ceará, criando uma falsa aparência de regularidade financeira
para centenas de devedores e afetando mais de 200 credores no estado. O
fenômeno integra um esquema nacional que já retirou R$ 62,1 bilhões em débitos
das bases de consulta nacional utilizadas por bancos, empresas e fornecedores
em todo o país, comprometendo a segurança das operações de crédito e dos
negócios realizados diariamente no mercado brasileiro.
Levantamento realizado pelos Cartórios de Protesto aponta que 6.788
protestos deixaram de aparecer nas consultas públicas no Ceará, embora as dívidas
continuem existindo e permaneçam regularmente registradas nos Cartórios. No
estado, a medida afeta 274 credores e envolve 600 devedores, cujas pendências
deixam de ser visualizadas por instituições financeiras, comerciantes,
fornecedores e demais agentes econômicos que utilizam essas informações para
análise de risco e concessão de crédito.
Na prática, o protesto permanece válido e ativo no Cartório onde foi
feito, mas deixa de ser exibido em sistemas nacionais de consulta e em
plataformas utilizadas pelo mercado para verificar a situação financeira de
pessoas físicas e jurídicas. O resultado é a criação de uma aparência
artificial de adimplência, capaz de induzir terceiros a erro em operações
comerciais, financiamentos, vendas a prazo e contratação de serviços.
Os números do Ceará refletem um movimento de alcance nacional. Nos
últimos cinco anos, 2,9 milhões de dívidas protestadas deixaram de aparecer nas
consultas públicas brasileiras, totalizando R$ 62,1 bilhões em valores
retirados das bases de informação utilizadas pelo mercado. Desse total, R$ 20,8
bilhões correspondem a créditos públicos, afetando diretamente a arrecadação de
estados, municípios e da própria União. Mais de 66 mil credores brasileiros
tiveram informações sobre seus créditos retirados das consultas nacionais.
O crescimento desses casos, que ganhou repercussão nacional, levou o
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a editar norma específica – Provimento nº
225/26 - para monitorar decisões judiciais que determinam a retirada de
protestos das consultas públicas de crédito, ampliando o acompanhamento
nacional do fenômeno e seus impactos sobre a segurança do mercado.
Para especialistas, o prejuízo ultrapassa a esfera individual dos
credores atingidos. Quando informações relevantes sobre inadimplência deixam de
ser acessíveis ao mercado sem que a dívida tenha sido quitada, aumenta-se o
risco das operações econômicas, encarece-se o crédito e reduz-se a segurança
das relações comerciais.
“A publicidade dos protestos é fundamental para o funcionamento do
mercado de crédito. Quando uma dívida válida deixa de aparecer das consultas
públicas sem que tenha sido paga, cria-se uma distorção que prejudica credores,
compromete a transparência das relações comerciais e aumenta o risco para todos
aqueles que concedem crédito ou realizam negócios”, afirma Lucas Cariri, gestor
do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Ceará
(IEPTB/CE).
A publicidade das dívidas protestadas é garantida pela legislação
brasileira e reforçada pelas Leis Federais nº 9.492/1997 e nº 14.382/2022, que
asseguram o acesso público às informações de inadimplemento justamente para
permitir maior segurança jurídica, estimular soluções negociais e auxiliar a
tomada de decisões por cidadãos, empresas e instituições financeiras.
Com R$ 52,8 milhões em dívidas retiradas das consultas públicas no Ceará
e outros R$ 130 bilhões já ocultados ao longo do tempo em todo o país, o
chamado Golpe do Limpa Nome deixa de ser apenas uma controvérsia processual
para se tornar um problema econômico de alcance nacional, com impactos diretos
sobre credores, consumidores, empresas, poder público e sobre a confiança
necessária para o funcionamento do mercado de crédito brasileiro.
Sobre os
Cartórios de Protesto
Presentes em todo o Brasil, os 3.760 Cartórios de Protesto exercem papel
essencial na economia, garantindo segurança jurídica, protegendo direitos de
consumidores e empresas e auxiliando na recuperação de créditos públicos e
privados. Criados e regulados por lei, os cartórios são fiscalizados pelo Poder
Judiciário e atuam como braço auxiliar da Justiça. A Central do Protesto
(www.pesquisaprotesto.com.br) reúne os serviços digitais de todos os Cartórios
de Protesto do país.
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