Quarta-feira, 10 de junho de 2026 - 10h06

Ao alcançar
o quinto mês seguido de alta e renovar o maior patamar da série histórica aos
81,6%, o endividamento dos consumidores brasileiros expõe a dependência de uma
linha de crédito de altíssimo risco. A Pesquisa de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor de maio, realizada pela Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nesta quinta-feira (11),
aponta que o cartão de crédito permanece isolado como a modalidade mais
utilizada, parte do problema de 84,6% das famílias endividadas.
O dado
reforça o alerta vermelho na economia pelo fato de o cartão carregar a taxa de
juros mais elevada do mercado: 428,3% ao ano no crédito rotativo. A
inadimplência entre as famílias que recebem até 3 salários mínimos disparou 1,7
ponto percentual em termos mensais, atingindo a marca crítica de 38,6% em maio.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o efeito prático do diagnóstico desenhado pela Peic é um alerta. “Essa sequência de aumentos atinge, principalmente, as famílias de menor poder aquisitivo, pela exposição às taxas decorrentes de atrasos em pagamentos”, afirma. “É preciso garantir que o consumidor possa renegociar essas dívidas e recuperar seu fôlego financeiro.”
Índice
de muito endividados é o maior em 23 meses
O
total de famílias que se consideram "muito endividadas" subiu para
17,0%, renovando o maior nível desde junho de 2024 e gerando uma postura de
extrema cautela no mercado.
“A
configuração de curto prazo no orçamento doméstico empurrou a inadimplência
geral para 29,9% em maio. Como as taxas de juros ao consumidor final reagem de
forma lenta à redução da taxa Selic, o custo de carregar essas dívidas consome
o poder de compra. Ainda mais, levando em conta o comportamento recente da
inflação, aumentando, assim, a percepção de risco das famílias”, analisa o
economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
Apesar
disso, a pesquisa registra melhora qualitativa de fatores como a ampliação dos
prazos de pagamento – com 33,3% das famílias possuindo dívidas por mais de um
ano – e uma leve redução do percentual médio de comprometimento da renda para
29,3%.
Desenrola
2.0 traz fôlego
No
plano geral, o tempo médio de atraso dos inadimplentes caiu para 65 dias. As
contas com mais de 90 dias de atraso recuaram para 49,3%, o menor nível do ano,
impulsionadas pela melhora da renda média (PNAD Contínua) e pelo maior controle
inflacionário.
Diante das projeções da CNC que apontam novas altas do endividamento bruto nos próximos meses, as expectativas do mercado se voltam para o recém-lançado Desenrola 2.0. O programa federal traz a expectativa de repetir a desaceleração de indicadores, observada na primeira versão do programa, em 2023.
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