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Cultura

TAMBORES E BATUQUES


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Foto: Marcela Bonfim
 

A Mostra de Tambores e Batuques no SESC/RO surpreendeu mais uma vez pela complexidade e criatividade dos participantes nos shows. O ritmo marcante foi dos sons de varas de bambus à musicalidade dos rituais religiosos. Shows essencialmente acústicos que valorizaram a qualidade das obras de seus intérpretes, pois a cada edição do Sonora Brasil percebe-se a consolidação de um dos maiores Projetos de circulação musical no Brasil. São muitos os artistas que podemos citar como destaque, mas o GRUPO SONS DE BEIRA(RO) mais uma vez surpreende o público por trazer uma linguagem própria revelando ao público segredos dos ritmos de nossa cultura galgando degraus nos palcos do Sonora Brasil, espalhando pelos ares sons de qualidades que possam atingir uma plateia entusiasmada em desfrutar da boa arte. Bira Lourenço e Catatau Batera estão unidos pela harmonia,pela pesquisa,pela revolução de sons que se pode fazer com elementos do cotidiano.Como disse um amigo que se fazia presente “É um som mais underground. Tudo feito pelas próprias mãos e, aí reside o charme,o encantamento, a musicalidade,a interação com a plateia”.

Contagiante e poético, numa interação única, ambos envolveram a plateia que mais uma vez valorizou o que é do nosso Estado e, é um grupo que merece incentivo e patrocínio para correr o Brasil mostrando que aqui nesta terra há pessoas tão talentosas quanto em qualquer outro lugar do mundo, porém ainda a nível local precisamos criarum público que tenha orgulho da produção artístico-cultural rondoniense que valorize mais o que é daqui, pois Bira Lourenço é um exemplo de força da cultura beradeira,  é “uma corrente que não cessa que é vontade que não seca, que é correnteza do rio”, defensor nato dos sons da Amazônia, de sua história e de seu povo”.  Lavadeira levantou o público, a percussão criada ao se lavar a roupa deixou a todos extasiados de como a criação é um ato divino e único nas mãos de Bira Lourenço.

Geralmente a maior parte dos instrumentos de percussão tradicionais possuem sons de curta duração, mas essa não é a característica fundamental nos objetos de onde Bira Lourenço e Catatau tiram o som. Das bolas de gude e da água,do metal e do plástico, da cerâmica e da madeira,da toalha e da escova,do ar e da vibração dos corpos,eles transformam matéria em instrumentos de percussão ao longo de seu show que surpreende pela qualidade e bom gosto. Resgatar os sons da floresta, dar valor as suas raízes, linguajar e cultura misturando tudo isso é a receita certa, é a mais pura arte na música de Bira Lourenço e Catatau que merece ser estudada e trabalhada pelo universo da física, pois é única e, a valorização da mesma deve começar por nós, rondonienses natos e/ou rondonienses de coração.

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