Quarta-feira, 11 de março de 2026 - 13h20

O primeiro cenário é a cidade fronteiriça de Guajará-Mirim, território
marcado pelo encontro de culturas, pela força da fé e por histórias que
atravessam gerações. O segundo acompanha a trajetória de Eva, personagem que
retorna a Porto Velho para resgatar a casa da avó falecida, uma benzedeira e
parteira respeitada pela comunidade.
Esses universos dão forma aos curtas Destino da Pele e
Beira, obras que, no mês dedicado às mulheres, propõem um olhar sensível
sobre questões urgentes da sociedade. Racismo, intolerância religiosa,
misoginia e homofobia estão entre os temas que atravessam as narrativas e que
serão debatidos nas sessões, tendo o cinema como ponto de encontro para
reflexão e diálogo.
As exibições acontecem na sexta-feira, 13 de março, em Porto
Velho, em dois espaços distintos. A primeira sessão será às 9h, no auditório do
Ministério Público do Trabalho em Rondônia e Acre, localizado na Avenida
Presidente Dutra, nº 4055, bairro Olaria, com presença do elenco, apresentação
dos filmes pelo projeto Cine MPT, roda de conversa com a equipe das produções e
distribuição de pipoca ao público. A segunda sessão ocorrerá a partir das 19h,
no Templo Espiritualista de Umbanda Nosso Lar, na Rua Neuza, nº 6583, bairro
Igarapé.
Para a diretora dos filmes, Marcela Bonfim, as histórias
retratadas nas telas nascem das vivências que atravessam o cotidiano social.
Segundo ela, o cinema também pode se tornar um caminho de compreensão e
transformação dessas experiências. “O cinema é um mecanismo de apresentar a
realidade que vivenciamos e também de provocar reflexão sobre como podemos
ressignificar essas experiências”, destaca.
Destino da Pele
Interpretado por Agrael de Jesus e Haroldo Saraiva, Destino
da Pele acompanha a trajetória de Tereza, mulher negra retinta e benzedeira que
vive em Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia. Reconhecida na comunidade
por seu trabalho espiritual, ela dedica sua rotina a atender pessoas que buscam
cura, proteção e orientação.
Durante um desses atendimentos, Tereza reencontra um antigo
colega de infância que, no passado, praticava racismo contra ela. O encontro
desperta memórias dolorosas e evidencia as marcas deixadas pelo preconceito,
mas também abre espaço para um processo de reflexão e ressignificação. Ao
trazer para a tela esse percurso entre dor e reconstrução, o filme constrói um
relato sensível sobre memória, identidade e resistência de mulheres negras na
Amazônia.
Beira
O curta Beira acompanha o retorno de Eva a Porto Velho após a
morte da avó, uma antiga parteira e benzedeira respeitada na comunidade. Ao
tentar resgatar a casa e os objetos deixados pela matriarca, a personagem
mergulha em lembranças e afetos que atravessam gerações, revisitando histórias
ligadas à ancestralidade, à espiritualidade e às vivências negras e LGBTQIA+
nas margens da cidade. A narrativa transforma as “beiras”, físicas e
simbólicas, em espaços de memória, identidade e resistência. O elenco reúne
Keline Leigue da Silva, Rafaela Brito Correia, Regina Coely, Amanara Brandão
dos Santos Lube e Agrael de Jesus.
A obra estreou na Mostra de Cinema de Tiradentes e também
integrou a programação do Festival Internacional de Curtas-Metragens de
Clermont-Ferrand, onde foi exibida na sessão “BRÉSIL 2”, dentro do Marché du
Film Court, voltado à circulação internacional do audiovisual contemporâneo.
Marcela Bonfim ressalta que promover espaços de exibição e
debate é fundamental para ampliar o diálogo sobre as realidades sociais que
atravessam o crescimento urbano e as transformações vividas no estado de
Rondônia. “Discutir temas como racismo, intolerância religiosa, violência de
gênero e diversidade a partir do cinema ajuda a aproximar o público dessas
questões e contribui para fortalecer uma consciência coletiva sobre os desafios
e as possibilidades de transformação social presentes na região amazônica”,
finaliza.
Galeria de Imagens
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