Porto Velho (RO) sexta-feira, 19 de outubro de 2018
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São Lucas alerta sobre disfunções posturais na criança e no adolescente



A escoliose é definida como desvio lateral da coluna vertebral no plano frontal e, segundo a professora Ana Paula Rubira, coordenadora da Clínica de Fisioterapia da Faculdade São Lucas, o termo escoliose apenas descreve a característica de uma deformidade, não devendo ser utilizado como diagnóstico de uma doença. Ela destaca que em 80% dos pacientes com escoliose não é possível se determinar o fator causal desta deformidade. “Entre as possíveis causas da escoliose podemos relacionar as anormalidades congênitas, doenças neuromusculares, afecções tumorais e infecciosas da coluna”, diz a fisioterapeuta, acrescentando que a função da coluna vertebral é sustentar o corpo, sendo, ainda, superfície de inserção para músculos e costelas, além de possuir certo grau de flexibilidade, permitindo os movimentos de tronco. Os planos dos movimentos da coluna são: sagital, responsável pela flexo-extensão; frontal, responsável pela inclinação lateral; transversal, responsável pela rotação. A coluna vertebral, quando analisada em vistas anterior ou posterior, possui formato retilíneo e quando analisada de perfil possui 4 curvaturas fisiológicas no plano antero-posterior, as quais são denominadas lordose cervical, levemente anterior; cifose dorsal, levemente posterior; lordose lombar, levemente anterior; sacral, levemente posterior. Estas curvaturas podem estar aumentadas ou diminuídas e, nesses casos, recebem classificação patológica, podendo provocar deformidades posturais e dores acentuadas. 

Ana Paula Rubira salienta que as deformidades na coluna vertebral podem ter origem hereditária ou se desenvolver a partir de influências ambientais, padrões culturais da civilização moderna e sobrecargas sobre o corpo humano, principalmente quanto às atividades repetitivas, especializadas e excessivas. As alterações posturais relacionadas às posturas inadequadas são distúrbios anátomo-fisiológicos que se manifestam geralmente na fase de adolescência e pré-adolescência, pois é o período em que há o estirão de crescimento. Durante a adolescência, a postura muda devido a alterações hormonais no inicio da puberdade e ao desenvolvimento musculoesquelético. Os seres humanos apresentam dois estirões de crescimento, um quando eles são muito jovens e outros, mais evidentes, na adolescência. Esse segundo estirão de crescimento dura 2,5 a 4 anos. Durante esse período, o crescimento é acompanhado pela maturação sexual. As mulheres desenvolvem-se mais rapidamente e mais cedo que os homens. Elas entram na puberdade entre os 8 e 14 anos de idade e ela dura cerca de 3 anos. Os homens entram na puberdade entre os 9,5 e 16 anos de idade e ela dura ate 5 anos. “É durante esse período que se manifestam as diferenças corporais entre homens e mulheres, com os homens com tendência a apresentar um maior comprimento dos membros superiores e inferiores, ombros mais largos, quadris mais estreitos e maior tamanho esquelético global e maior estatura que as mulheres”, informa a professora. Segundo ela, por causa do estirão de crescimento rápido, indivíduos, especialmente os homens, podem parecer desajeitados. “Hábitos posturais ruins e alterações posturais podem ocorrer nesta idade”, adverte. 

De acordo com a professora Ana Paula Rubira, é importante a detecção precoce e a prevenção desses problemas, associados às orientações quanto à postura correta, porque a maioria dos problemas é decorrente de etiologia idiopática e devida à má postura durante as atividades de vida diária. “Hábitos posturais inadequados são transmitidos de geração a geração. Inicialmente, as crianças copiam as atitudes adotadas pelos adultos, sejam elas corretas ou não, e, posteriormente, as incorporam ou modificam”, argumenta. Atualmente, observa-se um aumento significativo na incidência de problemas posturais em crianças de todo o mundo, sendo as causas mais comuns à má postura durante as aulas, o uso incorreto de mochila escolar, a utilização de calçados inadequados, o sedentarismo e a obesidade. “Apesar da desaceleração na velocidade de crescimento ósseo com os anos, vários aspectos relacionados às posturas e hábitos das crianças passam a ser determinantes para o desenvolvimento muscular e esquelético, principalmente no período de 7 a 12 anos de idade, quando ocorre a busca do equilíbrio às novas proporções do corpo, evidenciam-se as transformações posturais”, esclarece a docente. 

Conforme observação feita pela professora, o período crítico ocorre quando a criança inicia o aprendizado e a escrita. É que, segundo ela, os padrões adequados e inadequados de postura e movimento começam a ser determinados na infância, são praticados na adolescência e logo se tornam habituais. Em longo prazo, os padrões inadequados culminam na aceleração do processo de degeneração do sistema músculo-esquelético, o que pode trazer uma predisposição às afecções da coluna vertebral no adulto, manifestadas por quadros álgicos. O modo como cada indivíduo carrega a sua carga pode ser determinado por fatores como o peso, o tamanho e a forma do utensílio escolar, o tempo de transporte, o terreno, o clima, a característica e a constituição física do indivíduo. “Os desequilíbrios posturais gerados nessas situações são agravados pelo fato de o peso carregado ser freqüentemente desproporcional ao peso do próprio corpo e pelo uso inadequado da mochila, como no caso do apoio em um único ombro”, alerta. 

As alterações capazes de levar as compensações patológicas, como à cifose, a hiperlordose lombar e a escoliose, têm grande incidência em alunos do 1º grau escolar. Ana Paula Rubira salienta que a fisioterapia exerce um papel importante na correção postural e também objetiva minimizar dores quando elas ocorrem. Segundo a fisioterapeuta, determinados tipos de massagem e procedimentos de contato são capazes de produzir efeitos relaxantes facilitadores da correção do eixo raquidiano durante a sessão de fisioterapia. Manobras corretivas de cada componente do desvio também estão presentes em um protocolo de tratamento fisioterapêutico. “Tensionamentos e alongamentos de músculos ou cadeias musculares são sempre realizados de forma lenta e progressiva, como as pompages, as posturas de RPG, postura em S para curvas lombares ou dorso lombar e podem ser associados a expirações, de efeito relaxante”, acrescenta. 

A escoliose idiopática divide-se em três grupos, de acordo com a faixa etária: Infantil - desde o nascimento até os três anos; Juvenil - de três até nove anos; Adolescente - de 10 a 18 anos. O grupo de adolescentes é o mais freqüente, sendo responsável por 80% das escolioses idiopáticas. Nesta faixa etária ocorre um grande desenvolvimento e crescimento dos jovens. Este fator pode explicar a alta incidência desta forma nesse grupo. A abordagem terapêutica é variável, de acordo com cada paciente e a idade do diagnóstico. Os pacientes com o tipo infantil geralmente são do sexo masculino. Com o seu crescimento há uma tendência para regressão espontânea da deformidade. Deve-se observar a evolução da escoliose a cada quatro a seis meses. Diferentemente da forma infantil o tipo juvenil costuma progredir rapidamente, principalmente em crianças com mais de cinco anos, tornando-se necessário o uso de coletes. 

A escoliose idiopática do adolescente progressiva é mais freqüente nas mulheres, devido a razões desconhecidas. Os pacientes com curvaturas torácicas maiores do que 70 graus têm grande possibilidade de manifestar problemas cardíacos e pulmonares. Algumas dicas para a prevenção dos problemas de coluna durante o crescimento dos adolescentes: posição sentada, a criança deve ter uma cadeira adequada a seu tamanho, de forma que fique com os pés apoiados e a coluna reta, no computador, não devem passar mais de 2 horas diárias na frente do computador. O hábito de parar a atividade periodicamente e fazer exercícios de alongamento pode evitar o surgimento de dor nas costas e dores nos punhos e mãos. Ao carregar os livros, a melhor maneira de carregar o material escolar é em uma mochila, apoiada nos dois ombros e não deve estar muito pesada (10% do peso da criança); e a prática de esportes deve ser incentivada em qualquer idade: natação, futebol, voleibol, basquete, tênis, etc.

Fonte: Chagas Pereira

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