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Rondônia e Acre dão exemplo na Cultura Popular no Imaginário Amazônico


 

Gente de OpiniãoRiquíssima em lendas, a região Amazônica chama a atenção de todos por sua exuberância natural, por seus mistérios, por suas lindas histórias que são passadas de pai para filho, histórias como a da Vitória-Régia, do Uirapuru, do Açaí, da Matinta Perera, do Boi-Bumbá, do Guaraná e de tantas outras inseridas no folclore brasileiro. Temas apaixonantes como esses fizeram parte da atividade Contação de Histórias, promovida durante o I Encontro Regional (Acre e Rondônia) do projeto A Cultura Popular no Imaginário Amazônico, que agitou a cidade de Porto Velho na última semana de julho.

"Foi a realização de um sonho, afinal, reunir mestres e mestras das culturas populares sempre foi nosso grande desejo", disse Francisco Santos Lima, conhecido como Chicão Santos, ator sempre ligado ao teatro popular, capixaba que mora em Rondônia desde 1976. Entusiasmado, fala o quanto foi gratificante agrupar, por seis dias (de 24 a 29 de julho), no Espaço Vrena, "a religiosidade e as matrizes africanas, caboclas, ribeirinhas, indígenas, bumbás. Nós transitamos pelo universo do material e do imaterial, do mito, das crenças e do mundo intocável do imaginário amazônico", acentua o ator. Para ele, "foi o encontro da generosidade e da diversidade cultural".

A realização do evento esteve a cargo do grupo O Imaginário, que no ano passado foi selecionado no Concurso de Fomento às Expressões das Culturas Populares, promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura, o que garantiu o repasse de recursos por meio do Fundo Nacional de Cultura. O produtor cultural e artista plástico Cláudio Vrena teve uma participação marcante na execução do encontro.

Segundo Chicão Santos, que pertence ao grupo O Imaginário, mais de 150 artistas (100 do Acre e mais de 50 de Rondônia) participaram da iniciativa. Foram desenvolvidos seis painéis, noites culturais, oficinas populares, visitação ao patrimônio, mesas redondas, avaliação oral e propostas de intenções. De acordo com o ator, a festa de encerramento, denominada Festa da Cultura Popular, foi prestigiada por mais de 5 mil pessoas. No II Seminário Nacional de Políticas Públicas das Culturas Populares, que acontecerá no próximo mês, em Brasília, o material de divulgação do encontro estará exposto para conhecimento do público.
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Dentre os mestres e mestras das culturas populares, estiveram presentes no Encontro Regional A Cultura Popular no Imaginário Amazônico artistas do Acre como Vó Nazaré, 74 anos, atriz e contadora de história; Monteirinho, sanfoneiro; Maria Rita, atriz; o Jabuti Bumbá; Camila Cabeça, produtora cultural e dançarina de carimbó; Daniele Rodrigues, atriz, instrumentista e contadora de história; e Laura Santiago Barcelos (yalorixá), cultura afrodescendente amazônica. Fizeram parte do grupo de artistas rondonienses: Silvestre, afrodescendente amazônico; José Ribeiro, instrumentista, poeta, escultor e inventor; Silvio Santos, tocador de toada e amo do Boi Corre Campo, e muitos outros.

Segundo a presidente em exercício de O Imaginário, Zaine Diniz, pedagoga e atriz, sul-matogrossense radicada em Rondônia desde 1988, todo o documento extraído do encontro será enviado ao Ministério da Cultura e a todos os parceiros, dentre eles, Fundação Elias Mansour, Fundação Garibaldi Brasil, Federação de Teatro do Acre, Associação Cultural Cuniã e outras entidades que somaram esforços para a realização do evento.

"Todo o material gravado em VHS está sendo transformado em DVD, as fotos já foram protegidas em Cds, os clippings e as gravações em áudio estão sendo transcritas", afirma Zaine Diniz. Segundo ela, o trabalho será exposto durante o II Seminário Nacional de Políticas Públicas das Culturas Populares, a se realizar em Brasília, de 14 a 17 de setembro, paralelamente ao 1º Encontro Sul-Americano de Culturas Populares, ambos promovidos pelo MinC.

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