Porto Velho (RO) terça-feira, 21 de janeiro de 2020
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Por que o sistema educaciional em RO não avança



Por Prof. Victória Bacon

Questiono-me os porquês da educação em Rondônia ser tão inerte e tão burocrática? Basta que você, leitor, visite uma escola e lá fique por algumas horas. Uma amiga pesquisadora me relatou o quanto está assustada com o ritmo do sistema educacional em Rondônia. A mesma está coletando dados e realizando um trabalho investigativo para sua tese de doutoramento em educação e compara todos os estados da região norte. Ela já passou por todos e Rondônia foi deixado por último na pesquisa, pois como a mesma reside em Cuiabá assim preferiu.

Qual o maior problema da educação rondoniense?

Grana, seria a primeira resposta, se fosse perguntado a qualquer cidadão. Mas o problema é muito maior que dinheiro. Motivação, humanização, liderança, estímulo, organização, competência, união, harmonia enfim um complexo sistema que a cada dia apresenta erros e falhas e, entra governo, sai governo e a situação é a mesma.

Os professores são lotados em escolas sem nenhum critério sistemático. Na SEDUC de Porto Velho o setor de lotação é numa garagem. Isto mesmo numa garagem. O professor, o técnico ou o auxiliar de serviços (enfim os que trabalham em uma escola) precisam descer uma rampa e num lugar escuro e úmido, entram numa salinha que mais aparenta uma sala da repressão militar dos anos 70. Lá existem as atendentes que, num total de cinco, estão abarrotadas numa sala pequena que cabem três mesas e nada mais.

Quando você chega não se sabe a quem dirigir, pois, são tantas, que acaba burocratizando ainda mais o sistema falido chamado SEDUC. Você chega e lá a responsável pela lotação (que é CDS) te lota conforme a vontade dela e não a necessidade do professor e suas expectativas profissionais. Um professor que, mora perto da escola Rio Branco, por exemplo, no Bairro Nossa Senhora das Graças. em Porto Velho, é obrigado a lecionar até 10 km de sua casa. Mas se a SEDUC pudesse gerenciar melhor através de um processo de georreferenciamento, assim conheceria o perfil de cada professor e sua localidade. Eu mesma, em 2008, tive de lecionar numa escola a 6 km de minha casa tendo vaga na escola ao lado de onde eu morava. Mas, por conveniência do setor de lotação, por preguiça melhor dizendo das senhoras que lá ficam, acabei tendo que aceitar o que elas determinam e ponto final.

No Amazonas e no Acre, por exemplo, o professor que prestou concurso tem direito à escola da localidade mais próxima à sua residência e depois os emergenciais (chamados de temporários naqueles estados) são lotados. Aqui em Rondônia, seria um milagre isto acontecer, pois, sequer a SEDUC tem conhecimento deste processo de lotação por localidade e disciplina, vale a lei da fila da cesta básica quem chegar primeiro leva.

Então, o professor acaba se sentindo desmotivado desde o primeiro momento que inicia o processo de sua efetivação no cargo. Quando chega à escola a recepção mais aparenta de um cobrador de dívidas. Raras escolas onde o gestor da escola (diretor ou diretora) recebe um professor ou um trabalhador em educação como se manda o figurino. Quem é professor, ou trabalha servindo merenda escolar, ou numa secretaria de escola sabe do que falo!

Professor de matemática tendo que lecionar química e até filosofia para complementar carga horária. Professor que fez curso de direito lecionando inglês. Professor de biologia lecionando sociologia. De tudo se vê na escola pública de Rondônia. A escola Murilo Braga no centro de Porto Velho está praticamente abandonada. O calor é infernal. Na escola Getúlio Vargas, no Bairro Areal o muro do prédio escolar mais parece um elástico que a qualquer momento desmoronará, Na escola Carmela Dutra a água dos alunos tem gosto de ferrugem. Nas escolas da Zona Leste (mais de 15 escolas) ou falta água, ou não tem energia, banheiros são podres, as salas de aula sem ventilador, sem ar condicionado.

Na escola Castelo Branco uma mãe de aluno me disse esses dias na parada de ônibus que não conseguia falar com o diretor da escola há dias. Escolas do interior sem aulas e a embromação de sempre, pois depois se dá um jeitinho de trucar a reposição das aulas.

Minha amiga, pesquisadora que falei no início, relatou-me que se deparou com uma escola que os professores não conseguem dar aula o mofo e a umidade tomaram conta do ambiente escolar. E o mais triste: A merenda escolas que em centenas de escolas é um verdadeiro crime contra a saúde alimentar das crianças e adolescentes em fase escolar.

Imaginem a realidade das escolas perdidas no mapa de Rondônia? Escondidas nos municípios e distritos longínquos como será?

Será que o problema da educação só se resolveria com bom salário!

Será que não é o momento do JN no ar (da Globo) vir aqui e mostrar as escolas e verão que tirar um doente do chão do pronto socorro João Paulo é mais fácil que resolver este atrapalhado sistema que começou mal com um engenheiro elétrico que nunca trabalhou numa escola, que nunca sentiu as reais necessidades do sistema à frente da SEDUC!

Será que Freud explicaria?

 e-mail de contato: victoriabacon2004@hotmail.com


 

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