Quinta-feira, 22 de abril de 2010 - 08h09
Dentre todas as carências da educação no Brasil, uma delas está diretamente envolvida com a informação. É de conhecimento de todos; a constatação de que o brasileiro lê pouco, sem levar em conta também o conteúdo e a assimilação da leitura que já é escassa.
A forma da leitura para muitos especialistas se enquadra em três vertentes: Há os que lêem de forma completa, os que fazem leitura incompleta e a leitura errada, distorcida.
O ensino deve ser cada vez mais aprofundado com intensas aulas de interpretação de texto e até mesmo semiótica.
Se o número de leitores de livros didáticos e paradidáticos, que são obrigatórios durante a formação do aluno já são sofríveis, imagina a leitura de jornais, sites de informações e revistas?
Vestibulares e concursos públicos são recheados de questões envolvendo atualidades, mas será que as escolas preparam os alunos para os acontecimentos atuais?
Um aluno do ensino médio de uma escola pública está apto para responder uma simples questão de política internacional como: quem é o atual presidente do nosso vizinho Chile? Ou uma questão geográfica em saber que o Chile não faz divisa com o Brasil? Ou ao menos em se tratando de política interna, responder qual é o nome do vice-presidente brasileiro? No âmbito municipal será que os alunos sabem quem são o prefeito e vice-prefeito e quantos vereadores compõem o Poder Legislativo local?
Confrontos externos; crise mundial; crescimento dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China); calamidades naturais; política; pré-sal; meio ambiente; os jornais estão cada vez mais repletos de informações, ricos em detalhes como: fotos e infográficos. Mas será que essas informações estão sendo trabalhadas em sala de aula?
O estudo da notícia deve ser feito com mais de um jornal, tendo em vista o posicionamento ideológico e a linha editorial dos meios de comunicação. Formar alunos críticos e capacitados para o mercado de trabalho, municiá-lo de informações e criar o hábito da leitura jornalística.
Todos os dias milhares de informações são jogadas no lixo, o jornal perde sua validade com a chegada da noite e milhares de discentes continuam desinformados sem capacidade de se posicionar sobre assuntos importantes.
Sem informação tudo fica mais difícil para massa e mais fácil para uma minoria que se privilegia da ignorância coletiva, proveniente também de um sistema de ensino cada vez mais obsoleto.
Fonte: Laércio Guidio – Jornalista, com extensão universitária em Fundamentos Semióticos e metodológicos para o ensino de textos.
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