Terça-feira, 30 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Cultura

Opinião: A dança das cabeças


Rinaldo Santos*

Quem foi ao encerramento da I Mostra Sesc Amazônia das Artes pôde conhecer a proposta do Núcleo de Criação do Dirceu, de Teresina, com o espetáculo Mediatriz.

Na maior parte do espetáculo a coreografia valoriza os pés, focalizando, aos poucos, partes distintas do corpo, num jogo inteligente de iluminação e com movimentos precisos da cortina que ocultam o corpo dos intérpretes. A proposta principal do grupo é fazer uma dança com a totalidade do corpo sem nunca mostrá-lo por inteiro.

Um espetáculo visualmente impactante... mas não pude ver. Um desperdício. Uma decisão errada prejudicou boa parte do público que esperava ver o balé dos pés, mas o que viu foi a dança das cabeças procurando frestas. Foi o meu caso, pois estava na penúltima fila das cadeiras que ficam no centro e não pude apreciar quase nada.

É que o grupo cometeu um pequeno erro, mas que teve grande repercussão, ao ter a idéia de interditar as laterais e parte dos assentos centrais, num cuidado excessivo, provavelmente crendo que nestas áreas seria possível que, ocasionalmente, algum espectador, em algum momento, poderia vir a perder determinado movimento que por ventura fosse feito, eventualmente, ao fundo do palco. Ufa! Pois bem, conseguiram que 60% do público visse apenas 30% do espetáculo (estimativa feita nos momentos em que não consegui ver a peça).

Sei que a interdição dos assentos laterais visava o melhor, que o espetáculo é delicado e que questões técnicas provavelmente exigiram muito jogo de cintura dos integrantes do grupo. Creio que para equacionar situações como esta algo deva ser sacrificado. Qualquer coisa, menos o público. Alguma adequação para se harmonizar ao espaço, assim o espetáculo se adapta ao teatro e não o teatro ao espetáculo.

Uma pena, pois o pouco que vi me agradou muito. Tenho na memória recortes da apresentação, mas se havia uma narrativa, não acompanhei.

E por isso mesmo, pude curtir um pouco mais a trilha sonora, bem criativa, mixada ao vivo, além do uso de um theremim, um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos, que tem a particularidade de ser tocado sem contato físico. Muito bacana.

É muito bom ver jovens cultos, criando, se atrevendo, correndo riscos, realizando projetos. Mediatriz encerra bem, mais uma empreitada cultural do Sesc, que foi marcada por espetáculos ousados, vigorosos e criativos.

* Rinaldo Santos é músico e poeta ([email protected])

Gente de OpiniãoTerça-feira, 30 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Quadrilhas encantam público com apresentações no sábado em Porto Velho

Quadrilhas encantam público com apresentações no sábado em Porto Velho

O Arraiá do Bera seguiu seus dias de programação neste fim de semana como opção de cultura e lazer para toda família. Sua primeira edição já se tornou

Mocidade Junina, Rosas de Ouro e Flor de Primavera vencem Arraiá do Bera com a maior premiação de Rondônia

Mocidade Junina, Rosas de Ouro e Flor de Primavera vencem Arraiá do Bera com a maior premiação de Rondônia

O Arraiá do Bera chegou ao fim neste domingo (28), consolidando-se como um dos maiores eventos culturais de Porto Velho. Promovido pela Prefeitura de

Três gerações na mesma quadrilha: a história de uma família que cresceu dançando na Mocidade Junina

Três gerações na mesma quadrilha: a história de uma família que cresceu dançando na Mocidade Junina

Em algumas famílias, as tradições passam de geração para geração através de fotografias, receitas ou histórias contadas à mesa. Na família de Mery Mor

Primeira noite reúne milhares de pessoas e abre concurso de quadrilhas em Porto Velho

Primeira noite reúne milhares de pessoas e abre concurso de quadrilhas em Porto Velho

O colorido das bandeiras, o brilho dos figurinos e a emoção das apresentações marcaram a primeira noite do Arraiá do Bera, realizada na última quinta-

Gente de Opinião Terça-feira, 30 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)