Terça-feira, 19 de junho de 2018 - 16h03
Não sei se já vos falei do Zé. Conheci-o desde menino, dos bancos do liceu.
Pois, esta semana, ao dar uma volta pela baixa, encontrei-o, sobraçando o “ Notícias”. Jornal que adquire desde o tempo em que era funcionário público. Hábito que ainda mantém, apesar da reforma ir minguando…
Após as formalísticas frases sobre o tempo, e a descrição pormenorizada dos achaques, que o atormentam, saiu-se com esta:
- “ Sabes que somos o país do salário mínimo! “
- “Salário mínimo!?” – Repeti, sem compreender onde queria chegar, com “ salário mínimo”.
Mas logo fiquei esclarecido:
O Zé almoçara com amigos, que lamentaram não terem sido aumentados…
Argumentei, contradizendo-o: houve pequeno aumento, para todos…Mas o Zé, voltando-se para mim, com expressão de riso, declarou enfaticamente:
-” Só se foi para ti. Eu, com os cortes que sofri, ganho, agora, com o “ aumento”, pouco mais que usufruía em 2009! … Dez anos a perderem poder de compra!”…
Devo esclarecer os leitores, que vivem no estrangeiro, que em Portugal, não se ganha: um, dois…três ou mais salários mínimos, como acontece em alguns países. Se assim fosse, todos ganhariam…
Tentei acalmar o “nervosismo” do Zé, esclarecendo-o: com o nível de vida a subir (em parte devido ao turismo,) e a inflação desgastante, se não se aumentar o salário mínimo, grande parte da população morreria de fome.
E é justiça premente, socorrer os que auferem baixas pensões ou baixos vencimentos. Seria aberrante não o fazer. Pena é que não seja, possível fazer o mesmo a todos, para compensar o período que sofreram durante os anos das “vacas magras”.
Depois de o ter convidado para tomar um cafezinho, abrandou sua indignação, compreendendo, por fim, a atitude generosa do governo:
- “ Eu sei que: “ Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. - Concluiu o meu amigo. - Já os antigos diziam…
Regressei a casa a pensar no que ouvi; e recordei: que em dez anos, desde 2008 a 2018 (inclusive), recebi o substancial aumento de vinte euros! Não é nada mau!: Dois euros por ano! …Considero-me um homem de sorte!…
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