Porto Velho (RO) terça-feira, 28 de janeiro de 2020
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O Guaporé será entregue com clássico de Nelson Rodrigues


 

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Teatro O Guaporé

O Teatro O Guaporé, com 236 lugares – integrante do Teatro Estadual Palácio das Artes – será entregue ao público na próxima sexta-feira, 20, com a apresentação da peça “A Falecida”,  um texto de Nelson Rodrigues, com montagem da Companhia Paulista das Artes que trabalha com pesquisa de textos do autor carioca, fanático por futebol,  e que tem Lucélia Santos, Walter Breda e Eduardo Silva e grande elenco.

Por suas referências ao futebol, o texto foi escolhido pelo governo federal para circular nas cidades sedes da Copa do Mundo de Futebol, mas o governo estadual pediu à ministra Marta Suplicy e o espetáculo será visto também pelo público rondoniense.

O Palácio das Artes – sala com capacidade para receber cerca de mil pessoas, será entregue à população em data oportuna, pois ainda se encontra em fase de ajustes técnicos de equipamentos e finalização de obras. Com a conclusão, a sala estará apta para apresentação de brandes produções nacionais e locais.

Apresentação

Sobre as apresentações, a superintendente estadual de cultura, Eluane Martins, lembra que no dia 20 será fechada para convidados. “Para as apresentações dos dias 21 e 22 os ingressos serão distribuídos gratuitamente e deverão ser retirados uma hora antes das apresentações na bilheteria do teatro”.

Para o governador Confúcio Moura, o Teatro O Guaporé será entregue à população que aguardava ansiosamente pelo espaço. “O Guaporé é uma sala com 236 lugares e será uma pré-estreia do grande ato final que será a entrega do Palácio das Artes, que será inaugurado em breve”.

Rumo ao futuro

Suely Rodrigues, atriz, diretora artística do grupo de teatro rondoniense Raízes do Porto, pernambucana de nascimento, mas que há 23 anos está radicada em Rondônia, tendo escrito e dirigido espetáculos de grande sucesso como os infantis “Minhoca na Cabeça”, “Saltimbancos” e “Avoar” e os adultos “Frei Molambo”, “Eu, vocês e Eles” e “Confidências de um espermatozoide careca”, está entusiasmada com a inauguração do teatro estadual.

Para ela, esta obra é “um passo que Rondônia está dando em relação a cultura, e ao futuro”, especialmente pelo Estado ter progredido e crescido consideravelmente em relação a todos os outros estados da Federação, “ter um teatro estadual é muito importante”, salienta a diretora pois este “teatro tem espaço com capacidade que pode receber produções de qualidade e produções que não chegavam aqui devido a estrutura que não havia”.

“Todas as pessoas que vem ao nosso estado em busca de algo diferente, vão poder ver produções locais que vão crescer dentro de um  processo diferenciado”, afirma a diretora, pois tendo este espaço disponível vai possibilitar ao artista que ele “possa sonhar, ‘viajar’ e fazer grandes produções, mostrando os artistas que nós temos, que são pessoas altamente capazes”.

Produção vai melhorar

O teatro estadual vai proporcionar o engrandecimento das produções, afirma Suely Rodrigues, pois haverá a oportunidade de mostrar “o talento que os cenógrafos, diretores, os atores daqui possuem para todo o Brasil”. Para ela, esta projeção de Rondônia já deveria ter ocorrido há muito tempo.

Como representante do grupo teatral Raízes do Porto, Suely participou de todo o princípio da obra desde “o lançamento da pedra fundamental, dos abandonos, dos protestos… e hoje a gente pode dizer que está com o teatro pronto para receber o público”.

Intercâmbio

“A partir de agora, afirma, será possível mostrar as nossas produções e também para fazer uma troca. Trazer as produções de fora e levar as nossas produções para outros espaços no Brasil, desta forma realizar uma espécie de permuta cultural que vai fazer o artista crescer e ajudar a formar um público que seja constante, que seja contínuo e que tenha acesso a este tipo de cultura”, assinala Suely.

Sobre a criação de uma Fundação para administrar o teatro, Suely acha um bom caminho:  “É uma forma de captar recursos, de fazer parcerias com instituições, com empresas privadas”,  diz. Segundo ela, esse modelo elimina a total dependência  da verba governamental para administrar.

Estreia com Nelson Rodrigues

A Falecida, foi considerada um marco na obra de Nelson Rodrigues. Pela primeira vez o autor aproveitou sua experiência na coluna de contos “A vida como ela é…” para retratar o típico subúrbio carioca, com suas gírias e discussões existenciais.

Os personagens não representam mais arquétipos nem revelam alguma parte escusa da alma dos brasileiros. O que Nelson Rodrigues mostra agora é o cotidiano vulgar dos brasileiros. A falta de dinheiro, as doenças, o dedo no nariz das crianças, as pernas cabeludas de uma mulher, as cartomantes picaretas e o lado mais grosseiro da vida serão presenças constantes em suas peças daqui para frente.
 


Fonte
Texto: Geovani Berno
Foto: Marcos Freire
Decom - Governo de Rondônia

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