Porto Velho (RO) sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
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Mulher latina. Amém às Mariposas


Há um século e meio, sujeitos que certamente voltavam sempre a suas famílias com esposa e filhas, após seu trabalho, interromperam cruelmente o de 130 mulheres em uma fábrica novaiorquina, e suas vidas, trancando-as e incendiando o galpão. Elas não queriam senão trabalhar 10 horas por dia, ao invés de 16, e assim poderem criar os filhos. Queriam o absurdo de ganhar igual aos homens, e não menos da metade. Se não fosse pedir muito, que não as molestassem durante o trabalho.

118 anos de vergonha se passaram até o mundo baixar a cabeça ante seu machismo e oficializar aquela data macabra como o Dia Internacional da Mulher. Para chamar a atenção ao papel feminino na sociedade, tratar dos direitos de nossas senhoras e senhoritas.

Mas esta história já foi por demais contada. Mais perto de casa, então:

Faz meio século, em Olho D´Água (Ojo de Água, Salcedo), na República Dominicana, as três irmãs Mirabal, moças humildes e provincianas, se opuseram corajosamente à sanguinária ditadura de Trujillo. Minerva, Pátria e Teresa Mirabal discordaram, foram presas e torturadas diversas vezes, e aumentavam ainda mais o eco de seus protestos. Até virem a ser covardemente mortas a golpes de facão.  Minerva fora a primeira mulher naquele país a conseguir cursar a faculdade de Direito.  Com a morte das Mariposas, como eram conhecidas por ser este o apelido clandestino de Minerva, na luta política, o povo se conscientizou e foi à luta, matando Trujillo e mudando o Governo. Assim, em 25 de novembro se comemora o Dia Internacional de Não Violência Contra a Mulher, em homenagem às Mariposas.

No Paraguay, o poder econômico, o preconceito e a sanha ambiciosa por riquezas enviaram tropas a dizimarem toda a população nativa masculina de 10 a 70 anos. Restaram as mulheres, que foram escravizadas e sodomizadas a não mais poder; restaram também as crianças e um país fatiado entre os faustosos invasores, como até hoje parte das terras pertence não a paraguaios, mas aos descendentes dos ricos brasileiros e argentinos da época, os brasiguaios e argentinguaios.

Mas a mulher paraguaia não se deu por vencida. Criou seus filhos com orgulho e determinação, ensinando-lhe a sua, e não a língua do colonizador. Hoje é, em todo o Continente, o único país de que os cidadãos nativos conversam entre si, no Paraguay ou em qualquer parte do mundo, em sua língua natural, o guarany, estando ou não entre outras pessoas.  A mariposa paraguaia ressurgiu, porque nunca morreu, e refez o país.

Pablo Neruda via na mariposa o lirismo de sua mulher amada:

Mariposa de sueño, te pareces a mi alma/Y te pareces a La palabra melancolia/Me gustas quando callas y estás como distante/Y estás como quejándote, mariposa em arrullo (...)        (Me gustas quando callas – P. Neruda)

E a arte nos remete às latinas mulheres cantadas e cantantes, como a Yolanda, a Carolina, a Rita, do Chico; a Maria, do Milton; a Ana Luíza e a Lígia, do Tom; a mãe solteira empacotadeira das Casas Bahia, do Chico Cezar e a salteña Mercedez Sosa, defendendo sua Guantanamera; a Clarice Linspector, que soube começar um livro com uma vírgula e nunca mais ninguém fez isso. E que livro... Raquel de Queiroz, cearense viciada em rede, rapadura e sítio.

De se lembrar que não raro os poetas se referiam às mariposas como almas, ou, considerando serem borboletas, chamadas pelas crianças ibéricas antigas de Maria que Vôa, Marivoa; ou Maria que Pousa, Mariposa. É a figura feminina séria, amável, circunspecta, capaz de alçar vôos noturnos, sumir e retornar ainda mais forte e bela. Juntas à beira de um lago, expressam beleza incomparável. E nos fazem pensar: tantas outras maravilhosas mulheres neste continente têm assumido as rédeas e feito sua história, como a Dilma, e quantas mulherezinhas começam hoje as primeiras inquietações para os grandes feitos que, sabe-se lá como, quando ou de onde, virão. Quem sabe, algo está nestazinha chorona ou pedindo suco, reclamando o controle da televisão, aí ao seu lado, papai... Irmão, amigo... Mamãe.

Desculpem o mundo, que ficou muito grande e populoso, apesar da internet, é que hoje brindo às mariposas, mulheres latino-americanas.  Amem!

Fonte: Raimundo Nonato Melo e Silva - Advogado  

 

 

 

 

 

 

 

Patria, Minerva y María Teresa Mirabal foram três mulheres se Ojo de Agua, localidade pertendencte a uma pequena província da República Dominicana chamada Salcedo.

Estas mulheres tiveram a valentia de lutar pela liberdade política de seu País, opondo-se firmemente contra uma das ditaduras mais violentas da América Latina, a de Rafael Leonidas Trujillo. Por tal atitude foram perseguidas, encarceradas várias vezes e finalmente brutalmente assassinadas em 25 de novembro de 1960.

Em homenagem a estas valentes irmãs, no dia 25 de novembro se comemora o Dia Internacional de Não Violência Contra a Mulher. Esta data foi estabelecida no Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe realizado em Bogotá, Colômbia no ano de 1981.

As irmãs Mirabal são também conhecidas e representadas como “las Mariposas", por ser este o nome secreto de Minerva em suas atividades políticas clandestinas contra a ditadura de Trujillo.

Anos mais tarde, Pedro Mir (poeta nacional dominicano) utilizou este nome em seu poema "Amén de Mariposas" onde expressa a tragédia que foi o assassinato das três heroínas. Cumpre destacar ainda a novela “No tempo das Borboletas (En el tiempo de las mariposas) escrita pela Dominico-Americana Julia Alvarez baseada na vida das irmãs Mirabal.

 

 

História do 8 de março

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Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU(Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalhoe desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

 

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

 

 

 

Mulheres importantes para a História

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Cleópatra

Cleópatra foi a última Rainha da Dinastia ptolomaica que dominou o Egitoapós a Gréciater invadido aquele país. Filha de Ptolomeu XII com sua irmã, ela subiu ao trono egípcio aos 17 anos de idade, após a morte do pai. Contudo, ela teve que dividir o trono com seu irmão, Ptolomeu XIII (com quem casou), e depois, com Ptolomeu XIV.

- Maria, Mãe de Jesus

Deu a luz, criou e educou Jesus Cristo. Nasceu, provavelmente em Jerusalém, por volta de 20 a.C.

- Joana D'arc

- Joana D’arc nasceu na França no ano de 1412 e morreu em 1431 (época medieval). Foi uma importante personagem da história francesa, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), quando seu país enfrentou a rival Inglaterra. Joana D’arc foi canonizada (transformada em santa) no ano de 1920.

- Rainha Vitória

Foi rainha do Reino Unido entre 1837 a 1901. Embora com poucos poderes políticos, se tornou um exemplo nacional da moral e dos bons valores e costumes.

- Anita Garibaldi

Companheira do líder revolucionário Giuseppe Garibaldi, Anita foi um exemplo de mulher corajosa e forte. Lutou ao lado do marido na Guerra dos Farrapos.

- Princesa Isabel

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Gonzaga de Bragança, a Princesa Isabel, nasceu no palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeirono ano de 1846. Tornou-se a herdeira do trono brasileiro, após a morte prematura do irmão mais velho. Teve importância para a História do Brasil ao assinar a Lei Áurea em 1888, que aboliu a escravidão no país.

- Marie Curie

Cientísta polonesa, ganhou dos prêmios Nobel de Física (1903 e 1911). Fez importantes descobertas e avanços científicos na área da radioatividade. Foi também importante na descoberta de dois elementos químicos: polônio e rádio.

- Madre Teresa de Calcutá

Importante missionária católica do século XX. Lutou pelos mais necessitados. Ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1979. Foi beatificada pela Igreja Católica em 2003.

- Irmã Dulce

Foi uma importante religiosa católica do século XX. Lutou em prol dos mais carentes e necessitado., destacando-se por suas obras de caridade e assistência social. Foi beatificada pela Igreja Católica em maio de 2011.

- Indira Gandhi

Foi primeira-ministra da Índia entre os anos de 1966 e 1977 e depois entre 1980 e 1984. Fez um governo popular, voltado para os mais os mais pobres.

- Margaret Tatcher

Política britânica, foi primeira-ministra do Reino Unido entre os anos de 1979 e 1990. Conhecida como a "dama de ferro" conseguiu implantar importantes reformas políticas e econômicas no Reino Unido.

 

Há exatos 49 anos, no dia 25 de novembro de 1960, três irmãs da República Dominicana foram brutalmente assassinadas pela ditadura de Rafael Leonidas Trujillo, uma das mais violentas da América Latina. Pátria, Minerva e Maria Tereza Mirabal (Las Mariposas, como eram conhecidas) eram mulheres à frente de seu tempo e como tal, decidiram não se calar frente às atrocidades que estavam sendo cometidas em seu país, envolveram-se com os movimentos clandestinos e começaram a militar pelo fim da ditadura.

Foram presas e torturadas em várias ocasiões, mas em nenhum momento calaram e acabaram tornando-se um grande pedra no sapato de Trujillo, que decidiu acabar com suas vidas simulando um acidente com as três quando iam visitar seus maridos na prisão. Las Mariposas foram emboscadas e levadas para uma plantação próxima onde foram apunhaladas e estranguladas juntamente com o motorista que conduzia o veículo em que estavam. Trujillo acreditou que havia eliminado um grande problema, mas a morte das Mirabal causou uma grande comoção no país e levou o povo dominicano a se somar na luta pelos ideais democráticos das Mariposas. Um ano depois Trujillo foi assassinado e a ditadura caiu.

Anos depois, no Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981,realizado em Bogotá, Colômbia, a data do assassinato das Mirabal foi proposta como dia Latino-Americano e Caribenho de luta contra a violência à mulher. Em 1999, a Assembléia geral da ONU declarou que esta data passaria ser lembrada como o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher,justa homenagem ao sacrifício de Pátria, Miverva e Maria Tereza.

E é justamente esta data, 25 de novembro, que abre a Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres,desenvolvida internacionalmente pelo Center for Women’s Global Leadershipe que no Brasil é desenvolvida pela Agende, Ações em Gênerocom ampla parceria dos movimentos de mulheres, feminista e de direitos humanos, cuja proposta é pautar a questão da violência contra as mulheres e garantir a adoção de políticas públicas por pate do governo e solidarieadade por parte da sociedade a um problema que atinge as mulheres em todo o mundo.

Números e dados que fazem pensar:

Desde 1995, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vem medindo o Índice de Desenvolvimento de Gênero (IDG), que avalia as desigualdades entre homens e mulheres nos países e a constatação foi que “nenhuma sociedade trata tão bem suas mulheres como trata seus homens”.

Profissionais de saúde afirmam que enfermidades crônicas como asma, epilepsia, diabetes, artrite, hipertensão e doenças coronarianas são exacerbadas ou precariamente controladas em mulheres que sofrem violência.

Estudos da Unaids, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/ AIDS, apontam que as mulheres vítimas de violência estão mais suscetíveis a contraírem o vírus HIV. A violência e o medo limitam o poder da mulher de negociar o sexo seguro, tanto com o parceiro quanto com um estranho.

Dados da Organização Mundial de Saúde citados no relatório anual da Anistia Internacional, o qual foi divulgado no lançamento da Campanha “Está Em Suas Mãos: Pare a Violência contra as Mulheres”, mostram que cerca de 70% das mulheres assassinadas no mundo foram mortas por seus maridos.

O relatório da Anistia Internacional traz ainda um dado divulgado pelo Conselho Europeu, segundo o qual a violência doméstica é a principal causa de morte e deficiências entre mulheres de 16 a 44 anos, e mata mais do que câncer e acidentes de trânsito.

No Brasil, a pesquisa da Fundação Perseu Abramo do ano 2000, intitulada A Mulher Brasileira nos Espaços Público e Privado, estima que 2,1 milhões de mulheres são espancadas por ano no País; 175 mil por mês, 5,8 mil por dia, 243 por hora, 4 por minuto, uma a cada 15 segundos.

Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), uma em cada cinco faltas ao trabalho no mundo é causada pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas.E a cada cinco anos, a mulher que sofre violência doméstica perde um ano de vida saudável.

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