Segunda-feira, 16 de novembro de 2015 - 18h03
O médico oncologista e intensivista Jose Ferrari lança seu terceiro livro, desta feita enfocando um tema estreitamento ligado à polêmica: Niilo Tomé, o homemsem fé — e se Deus não existir?, publicado em Curitiba (PR), pela editora Moura SA, com 140 páginas, 2015, que será vendido pela Livraria Exclusiva, em Porto Velho.
Em mais essa obra, a exemplo da recentemente lançada Raimundo Vira Latas Nonato, o autor vale-se de seu alterego, que intitula o livro, para expressar sua descrença na existência de Deus.
Ferrari é ateu e diz fundamentar essa convicção principalmente em sua longa vivência reflexiva sobre o assunto; no exercício da medicina, em particular de seus contatos diretos, ao longo de mais de três décadas, com pacientes portadores de cânceres. No livro, para sustentar sua tese, cita quase uma centena de referências bibliográficas, de onde retirou as dezenas de citações que ocupam grande parte de sua obra .
Através de relatos da vida de Niilo Tomé, personagem fictício utilizado por Ferrari para romancear a narrativa com intuito de lhe dar fluidez, tem nome autoexplicativo em relação às suas descrenças. “Niilo” vem da expressão latina “nihil”, que significa “nada” — para os chamados niilistas, toda e qualquer possibilidade de sentido, de significação da existência humana, inexiste. Os que acatam essa linha de pensamento filosófico, defendido, com destaque, na obra do alemão Friedrich Nietszche, entre outros, desprezam as convenções, verdades absolutas, normas e preceitos morais. Consiste, portanto, na negação de todos os princípios religiosos, políticos e sociais. Quanto ao sobrenome “Tomé”, visa identificá-lo com a atitude descrente de São Tomé, o apóstolo que duvidou da ressurreição de Cristo a ponto de precisar, segundo diz o Novo Testamento, ver seu Mestre vivo novamente para acreditar no que lhe relataram os que teriam presenciado esse fato.
O autor pretende, ainda, dissociar a crença religiosa que alguém possa professar de seu caráter. Por isso, apresenta Niilo Tomé como sendo um homem sem fé, mas também um homem de caráter, um cidadão de bem.
Os possíveis leitores do livro, entretanto, devem ser advertidos: aqueles cuja fé não é inabalável, que têm medo de colocá-la em risco ante uma argumentação que caminha em sentido diametralmente oposto à sua crença, devem, desde logo, saber que a leitura de Niilo Tomé, o homem sem fé – e se Deus não existir? é um campo minado. Diria até proscrito para quem se sente feliz com seu credo — posto que isso é absolutamente fundamental. Por outro lado, se assim não for, ou seja, se o leitor concorda com a tese defendida pelo autor; ou ainda se navega nos mares revoltos da dúvida em busca respostas nesse sentido, desde as primeiras páginas encontrará motivos suficientes para ir até o final do livro.
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