Porto Velho (RO) domingo, 26 de janeiro de 2020
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Malária compromete rendimento escolar de crianças no AM


A pesquisa foi feita no projeto de Assentamento do Panelão e no Castanho Sítio, ambas comunidades do município Careiro Castanho

Pela primeira vez na América Latina, um estudo conseguiu comprovar que a malária, causada pelo Plasmodium vivax (um tipo de protozoário), compromete o aprendizado de alunos entre 6 e 14 anos. Durante nove meses, a pesquisa, que contou com recursos da FAPEAM, acompanhou estudantes do segundo ao nono ano do ensino público nas disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa (são as únicas que vão do segundo ao nono ano). As crianças moram no Projeto de Assentamento do Panelão e no Castanho Sítio, ambas comunidades localizadas no município de Careiro Castanho (distante 112 km da capital).

As informações fazem parte da dissertação de mestrado da enfermeira Sheila Vitor-Silva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Segundo Vitor-Silva, o estudo foi realizado durante dois anos no âmbito do projeto intitulado “Caracterização epidemiológica da malária em uma área de assentamento agrícola no Estado do Amazonas”, realizado por meio do Programa Integrado de Pesquisa Científica e Tecnológica (Pipt), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).

Apesar da pesquisa de mestrado ter sido concluída, os estudos sobre essa situação continuam a ser realizados no interior do Amazonas. Os pesquisadores também estão investigando se a anemia causada pela malária pode estar prejudicando o processo de aprendizagem ou se é a anemia causada pela parasitose intestinal.

Sobre o levantamento

Inicialmente, o objetivo era acompanhar 300 crianças que estudam nas escolas Fred Fernandes da Silva e Antônio Oliveira da Silva. Contudo, o número foi reduzido para 198, pois muitas mudaram de residência ou perderam o ano letivo.

Conforme o coordenador geral da pesquisa Marcus Vinícius Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-AM), as crianças eram acompanhadas diariamente. Ele explicou que todas as vezes que apresentavam sintomas da doença, tinham que preencher uma ficha e colher material para saber se estavam com a malária.

Doutor em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília, Lacerda observou que os moradores fazem testes para saber se estão com a doença dez vezes ao ano, o que não quer dizer que todos os resultados deem positivo.

Nas escolas, o acompanhamento era feito pela enfermeira Sheila Vitor-Silva, responsável pela pesquisa. Ela recolhia informações sobre o número de faltas, notas nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, além de verificar o diagnóstico e quantas vezes as crianças tinham contraído a doença.

Segundo ela, o Plasmodium vivax foi o responsável por 69,2% dos episódios, enquanto o Plasmodium falciparum por 25,5% (causador de um tipo de malária que pode levar à morte). Ambas as espécies representaram 5,3% dos casos. “Do total pesquisado, 70 alunos (35%) tiveram malária. Desses, 58% tiveram malária e baixo rendimento escolar”, informou.

Ambos os pesquisadores foram enfáticos ao salientar que não foi observado, em nenhum momento, que o baixo rendimento escolar estava associado à ausência dos estudantes. Mesmo doentes, as crianças compareciam às aulas por causa da merenda escolar. “As comunidades são de baixa renda. Em muitos casos, a merenda é a única refeição que recebem”, afirmaram.

Outro motivo que incentivava a ida das crianças à escola era a proximidade com o laboratório de análises, o qual é utilizado na realização dos exames, o que ajudou no início do projeto e no tratamento e diagnóstico da doença.

Baixo desempenho

O desempenho dos alunos foi considerado prejudicado quando uma das notas finais nestas disciplinas foi abaixo de 5o% (medida da posição relativa de uma unidade observacional em relação a todas as outras) para a respectiva série. De acordo com Vitor, esse comprometimento pode manter a pobreza nessas áreas endêmicas e, ainda, afetar o desenvolvimento social e econômico dessas localidades.

Já para Lacerda, o que ocorre é que na Amazônia constrói-se uma escola, colocam-se professores e há o pensamento de que tudo está caminhando bem. Mas não analisam outros fatores que podem influenciar no aprendizado das crianças: a malária é um deles. Ele destaca que a educação e a saúde têm que começar na escola, onde estão as principais vítimas.

Fonte: Amazônia noticias


 

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