Quinta-feira, 2 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Cultura

Livro resgata história política do Brasil por meio da música


Marieta Cazarré – Repórter da Agência Brasil

Resgatar a história política do país e recontá-la por meio de músicas dos mais variados estilos é o intuito do livro Quem foi que inventou o Brasil?, do jornalista Franklin Martins.

Em três volumes, a obra aborda o período de 1902 a 2002 e reúne mais de mil canções situando historicamente os fatos e os personagens, tanto políticos quanto artísticos.

“A música brasileira faz a crônica da vida política nacional. Não há fato relevante que não tenha sido objeto de uma ou mais músicas compostas no calor dos acontecimentos”, disse Franklin durante o programa Espaço Público, da TV Brasil, no início do mês de julho. 

Na avaliação do jornalista, a música, assim como a fotografia e o cinema, é uma expressão artística capaz de transmitir os acontecimentos. Para ele, uma das razões para a força da musicalidade brasileira é a precariedade histórica da educação. “Em um país onde a maior parte da população não tinha acesso às letras, era analfabeta, a forma de transmissão da história era oral. E a transmissão oral se faz melhor quando é feita com rima e música. Isso é uma das grandes razões, a meu ver, da nossa musicalidade: a falta da educação formal no Brasil ao longo dos séculos”, disse o jornalista.

O título do livro, Quem foi que inventou o Brasil?, faz referência a uma marchinha de Lamartine Babo. Na música, a resposta a essa pergunta se refere às origens do povo brasileiro – os portugueses, os indígenas e os africanos. Franklin afirma que essa capacidade de documentar fatos históricos por meio das músicas é algo que diferencia a produção brasileira, que é constante, permanente. “Geralmente nos outros países essa relação é intensa nos momentos de grandes conflitos políticos, de guerras, traumas sociais. Superado aquele momento, a produção de música sobre política cai, porque um dos dois lados vence e reprime o outro”, destacou Franklin à TV Brasil.

Segundo ele, o costume dos brasileiros de fazer música satirizando os episódios nacionais vem desde os tempos do império. “Quando a família real vem para o Brasil, havia muitas modinhas gozando a família real, que vendia títulos de nobreza para fazer caixa e manter-se no Brasil.”

O escritor relata uma mudança muito significativa, ao longo dos anos, nos gêneros musicais que falam de política no Brasil. No fim dos anos 70, o rock aparece com muita força e se mantém até início dos anos 90, quando o rap, o funk, o samba-rap e o reggae passam a predominar como gêneros que abordam política. Esses últimos trazem o que Franklin chama de bronca social, ou seja, as reivindicações da periferia. “Eu não tinha ideia da intensidade do preconceito, da bronca social existente na sociedade contra a injustiça, a opressão, a falta de oportunidade, o racismo, a opressão policial dirigida contra o preto, o pobre e a prostituta”, afirmou.

Jornalista político, Franklin trabalhou na Rede Globo e começou sua pesquisa sobre a relação entre política e música no Brasil em 1997.

O terceiro volume da obra será lançado nesta terça-feira (11), às 19h, na Livraria da Travessa, em Ipanema, no Rio de Janeiro.

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 2 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Teaser de “Maior Que a Casa Toda” ultrapassa 30 mil visualizações em menos de dois dias e amplia alcance nacional e internacional

Teaser de “Maior Que a Casa Toda” ultrapassa 30 mil visualizações em menos de dois dias e amplia alcance nacional e internacional

O teaser do filme “Maior Que a Casa Toda” já demonstra a força de sua chegada ao público. Em menos de dois dias, a prévia ultrapassou a marca de mai

Espetáculo do Teatro Ruante encerra temporada em Porto Velho com participação ao vivo de Izabela Lima

Espetáculo do Teatro Ruante encerra temporada em Porto Velho com participação ao vivo de Izabela Lima

O espetáculo “Das Raízes, Folhas e Flores que Compõem a Minha Carne”, do grupo Teatro Ruante (RO), encerrou sua primeira temporada no domingo (29/03

Festival de Música “Cultura Liberta” do IFRO recebe inscrições da comunidade interna e externa

Festival de Música “Cultura Liberta” do IFRO recebe inscrições da comunidade interna e externa

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) torna pública a abertura das inscrições para o Festival de Música “Cultura

Filmes rondonienses estreiam em lançamento virtual nesta terça-feira (31)

Filmes rondonienses estreiam em lançamento virtual nesta terça-feira (31)

O cenário audiovisual de Rondônia ganha novos horizontes hoje, 31 de março, com o lançamento virtual de dois curtas-metragens contemplados pela Lei

Gente de Opinião Quinta-feira, 2 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)