Quarta-feira, 7 de novembro de 2007 - 23h12
Campanha Nacional da Audição discute a perda auditiva induzida por ruído ocupacional (PAIRO), uma doença profissional irreversível, considerada a maior responsável por afastamentos de trabalho em todo o mundo. A PAIRO é um dos mais importantes problemas sociais dos trabalhadores brasileiros. No Brasil o ruído no ambiente de trabalho representa um perigo significativo à saúde auditiva de milhares de trabalhadores, representando hoje um dilema para muitas empresas e um desafio para médicos do trabalho, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogas, engenheiros e técnicos de segurança do trabalho.
A Sociedade Brasileira de Otologia espera elevar o nível de consciência dos empregadores para estimular melhorias nas condições de trabalho com a implantação de Programas de Conservação Auditiva. Esse programa envolve ações de caráter preventivo, diagnóstico, normativo e trabalhista. O Fonoaudiólogo é o profissional que trabalha ativamente neste programa, através das avaliações audiométricas, diagnóstico, orientações, encaminhamentos e reabilitação da PAIRO.
Em Porto Velho, a Clínica de Fonoaudiologia da Faculdade São Lucas, referência em Rondônia e na Amazônia, desenvolve ações voltadas ao Programa de Conservação da Audição. "Caso sua empresa não esteja inserida em nenhum programa de saúde auditiva, conheça nossos serviços, entrando em contato através do telefone (69) 3211-8037", orienta a professora Elisangela Hermes, coordenadora da Clínica de Fonoaudiologia da São Lucas.
A poluição sonora é a terceira maior poluição do meio ambiente, segundo a Organização Mundial da Saúde, menor apenas que a poluição da água e do ar. Inúmeros tipos de trabalho têm sido considerados os maiores vilões da surdez ocupacional. Destaque para as metalúrgicas, os teares, as indústrias de beneficiamento de madeiras, o transporte em veículos pesados, trabalhos aero-portuários, indústrias de motores, dentre outros segmentos.
O problema toma dimensões de saúde pública principalmente naqueles trabalhadores que estão na informalidade. São funileiros, marceneiros e serralheiros dentre tantos outros profissionais que se expõem rotineiramente a ruídos de alta intensidade e que, por desinformação, não se dão conta dos malefícios causados por esta agressão sonora aos seus ouvidos. "Somente anos depois eles acabam procurando o otorrinolaringologista devido à surdez e ao zumbido infernal, que infelizmente são irreversíveis, comprometendo sobremaneira a sua qualidade de vida", explica o Doutor Marcelo Hueb, coordenador da Campanha Nacional da Audição.
Uma pessoa não pode permanecer em um ambiente com atividade sonora de 85 dB NA de intensidade por mais de oito horas. Esse tempo cai para quatro horas em lugares com 90 dB NA; duas horas em locais com 95 dB NA; uma hora aonde a intensidade chega a 100 dB NA. "Dependendo do período de exposição, sons de intensidades superiores a 85 dB NA podem causar um infortúnio de dupla perversidade, pois ao mesmo tempo em que compromete nossa capacidade auditiva para sons ambientais, normalmente agradáveis e prazerosos, nos incute um ruído intrínseco, contínuo, e não raramente desesperador: o zumbido", alerta o otorrinolaringologista.
"Durante anos, houve negligência operacional com o problema do ruído industrial. Ao lado do sucateamento do parque industrial, que resultou em máquinas obsoletas e ruidosas, os trabalhadores, por longo tempo, não receberam proteção auditiva individual e coletiva. Tampouco foram executados exames audiométricos nesse período, o que resultou em ausência de história auditiva para cada indivíduo. Freqüentemente, recebemos pacientes que, após dez, quinze ou vinte anos de exposição a ruídos, estão fazendo a sua primeira audiometria", explica o Doutor Marcelo.
Fonte: Chagas Pereira
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