Sexta-feira, 6 de maio de 2011 - 16h01
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Após a revolução acreana
É assinado o tratado de Petrópolis como solução
O território acreano passava a seu anexado ao Brasil
E o Brasil assumia o acordo de construir uma estrada na região
Unindo o Brasil e a Bolívia
A Bolívia produzia a borracha e precisava dessa estrada para escoar sua produção.
Para a construção da estrada vieram:
Judeus, europeus e indianos
Canadenses, gregos, caribenhos...
Sírios libaneses e americanos
Brasileiros, turcos...
Peruanos, bolivianos e barbadianos.
Se os índios hoje
Não são respeitados
Imagine! no inicio da construção da estrada de ferro
Nos primeiros anos do século passado
Quando centenas deles
Foram pelos construtores dizimados.
Não aceitaram a construção
Passivos e calados
Ali era seu território
Deixado pelos seus antepassados
Quando não morreram em confronto com os inimigos
Morriam de choque nos trilhos energisados.
Na construção da estrada de ferro Madeira Mamoré
Os trabalhadores levavam uma vida de agonia
Era a doença da malaria
De que mais trabalhadores morria
Além de outras doenças
Como: sarampo, beribéri e pneumonia.
No ano de 1912,
Estava construída a Mad Maria
Como descreveu o escritor Marcio Sousa
A construção dessa estrada, num romance com primazia
O quanto foi difícil
A construção dessa ferrovia.
Após a construção da estrada de ferro
A economia da Amazônia entra em decadência
Os ingleses roubaram e plantaram nossa seringueira
Em suas colônias no oriente, veja que indecência...
Com a produção em larga escala na Malásia e Singa Pura
A borracha da Amazônia não agüentou a concorrência.
Em 1931 - por força do governo Federal
A estrada foi nacionalizada
Sem ter mais razão de existir
Em 1972 - foi desativada
A partir desse momento
A estrada foi abandonada.
A falta de uma economia diversificada na região
Tornou a ferrovia deficitária
Foram 54 anos de atividades
Em 1966 - deixava de funcionar a ferrovia do Diabo (lendária)
Em grande parte de seu percurso
A estrutura ferroviária deu lugar a estrutura rodoviária.
Foi através da construção da estrada de ferro
Que nasceram Guajara Mirim e Porto Velho nossa capital
São duas belas cidades
Que nelas encontramos marcas dessa obra fenomenal
Encontramos descendentes das primeiras famílias que pra ca vieram
São duas cidades de características, multirracial e multicultural.
Hoje a Madeira Mamoré
Encontra-se no meio da selva perdida
O capitalismo selvagem
Sugou toda sua vida
Não cuidam nem de seus restos mortais
Parece uma coisa esquecida.
Pelo meio da selva
Entulhos de ferro abandonado
Símbolo da perversidade humana
Do progresso desenfreado
Deixando um rastro de destruição
Como se nada estivesse acontecido no passado.
Francisco Batista Pantera ,
É professor , Jornalista , Poeta e Dirigente do PCdoB.
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