Terça-feira, 24 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Cultura

Educação melhorou entre os menos favorecidos



Alex Rodrigues
Agência Brasil

Brasília - Embora um levantamento divulgado hoje (28) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indique que mais da metade da população brasileira considera que a educação pública se manteve igual ou piorou nos últimos anos, o mesmo estudo revela que entre os grupos menos favorecidos, como os de menor renda e escolaridade, a percepção é de que houve sim melhoras significativas quanto à qualidade de ensino nos últimos anos.

Enquanto entre os que ganham até dois salários mínimos 49,5% dos entrevistados responderam que as condições hoje são melhores e apenas 19,3% acreditam que houve uma deterioração do ensino, entre os que ganham acima de 20 salários mínimos o percentual de quem aponta uma piora sobe para 29,3% e os que dizem que houve uma melhora baixa para 46,7%, um índice ainda superior aos 43,4% observados entre os que recebem entre dez e 20 vezes o piso.

Segundo o coordenador de Educação do Ipea, Paulo Corbucci, a percepção da melhora é maior não apenas entre os que ganham menos e os negros, mas também entre quem vivem nas três regiões onde, historicamente, se concentram os piores indicadores educacionais do país: Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

“Nos últimos anos, os grupos menos favorecidos, como, por exemplo, os de renda mais baixa, tiveram uma melhora no acesso à educação, com melhores condições de ensino. Isso, obviamente, se reflete na percepção que essas pessoas têm em relação à qualidade”, afirmou Corbucci, citando a ampliação do acesso à educação básica e à superior, além da implementação de ações afirmativas, como a do sistema de cotas para o ingresso de negros na faculdade.

Embora a maioria dos entrevistados de todas as cinco regiões considerem que o nível de ensino melhorou nos últimos anos, no caso das regiões Sul e Sudeste a quantidade de pessoas que dizem ter havido uma melhora (respectivamente, 42,9% e 40%) é menor do que as que consideraram que a educação continua igual ou piorou. Nas outras três regiões, o percentual dos que consideram que o ensino melhorou ultrapassou os 54%, com destaque para a Região Centro-Oeste (62,9%).

A percepção da população é reforçada, em parte, em números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), sistema de avaliação que já havia apontado para a evolução positiva nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Fruto, possivelmente, da ampliação de investimentos.

“Nas regiões Sul e Sudeste, onde os níveis de Educação já eram mais elevados, a possibilidade de melhora é menor. Já nas regiões onde essas condições eram mais precárias, a [percepção] da melhora é maior”, afirma Corbucci, não descartando a possibilidade de, conforme aponta o estudo, “estar havendo uma estagnação ou diminuição do ritmo de avanço da qualidade da educação em regiões onde os índices, apesar de melhores, ainda são inferiores aos patamares internacionais”.

Já quando considerado o quesito cor ou raça dos entrevistados, as avaliações de entrevistados negros e pardos são mais positivas (50,9% de melhorou e 22,2% de piorou) que as dos brancos (46,4% e 26,6%, respectivamente). A percepção sobre a qualidade da educação também varia de acordo com a escolaridade dos entrevistados. Para 35,4% dos que têm nível superior completo ou pós-graduação, a educação piorou. Já entre aqueles que estudaram só até os últimos anos do ensino fundamental (5ª a 8ª séries ou 6º a 9º anos), apenas 21,4% têm a mesma opinião.

Gente de OpiniãoTerça-feira, 24 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Produções de Rondônia contempladas pela Lei Paulo Gustavo integram programação do Cine Sesc 2026

Produções de Rondônia contempladas pela Lei Paulo Gustavo integram programação do Cine Sesc 2026

No dia 25 de março, a partir das 18h, o público de Porto Velho poderá conferir uma sessão que une a nostalgia dos cinemas de rua ao misticismo regio

Comunidades ribeirinhas recebem ações culturais no encerramento da II Mostra de Cinema dos Invisíveis

Comunidades ribeirinhas recebem ações culturais no encerramento da II Mostra de Cinema dos Invisíveis

A II Mostra de Cinema dos Invisíveis encerrou sua passagem pelos distritos de São Carlos, Nazaré e Calama, em Porto Velho (RO). As ações foram reali

Grupo de Teatro Wankabuki ganha destaque em revista nacional de artes cênicas

Grupo de Teatro Wankabuki ganha destaque em revista nacional de artes cênicas

O Grupo de Teatro Wankabuki, de Vilhena (RO), teve sua trajetória destacada na Revista Buli, publicação nacional voltada às artes cênicas e ligada a

Vídeo documentário sobre a cultura da comunidade indígena Sabanê é exibido em aldeias de Vilhena

Vídeo documentário sobre a cultura da comunidade indígena Sabanê é exibido em aldeias de Vilhena

O vídeo documentário “Saberes Ancestrais: Cultura e Tradição da Comunidade Sabanê” foi exibido nas aldeias Sowainte e Capitão Kina, localizadas no m

Gente de Opinião Terça-feira, 24 de março de 2026 | Porto Velho (RO)