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Bairro do Triângulo: O BRAÇO DO VIOLÃO - Por Altair Santos


Bairro do Triângulo:  O BRAÇO DO VIOLÃO - Por Altair Santos - Gente de Opinião

Bairro do Triângulo 
O BRAÇO DO VIOLÃO


Bairro do Triângulo:  O BRAÇO DO VIOLÃO - Por Altair Santos - Gente de Opinião

Altair Santos (Tatá)

Porto Velho Porto Canção
Quão bela composição
Lenitivo pro coração
Partitura de ferro deitada ao chão
Entoada no gogó com emoção
Batida na palma da mão
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

Passeando em dó-ré-mi
Entre fá-sol-lá-si
Como nunca vi por aqui
Arpejava o sensível Telly
Ouvia o Sócio “neguin” bem-te-vi
Samba, cerveja e caldo de mandi
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

A boemia madrugava em fluidez
Solo suave violeiro em polidez 
Dedilhando com nitidez 
 Era “Dotô” Samuel o “Gastez”
Em serenatas como poucas se fez
Na janela d´uma tal Dona Inez
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

O Black banjo alegre a tocar
E a Augusta cavaco a pontear
O “Chore” no surdo a marcar
O Silva no pandeiro a enfeitar
Era samba até o sol raiar
E dava até pra esticar
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

E eu menino a espiar
Já querendo participar
E mamãe a me chamar
Depois já se punha a ralhar
Mas entendia deixava ficar
O samba não podia parar 
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

O samba e seu destino
Faceiro com jeito menino
Logo fica traquino
Num verso bem feminino
Audaz, perfumado, grã-fino
Feito as filhas do Joventino
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

E o sarau ia aumentando
O povo se ouriçando
O Babá já chegava sambando
Dona Dica só gargalhando
A Hilda e a Murica causando
O Eliezer o bozó ajeitando
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

Sobre dormentes e trilhos
Escorriam versos e estribilhos
Aos pioneiros e filhos
Saias balançavam fitilhos
Aqui passeavam Andarilhos
Magnatas e até maltrapilhos
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

Da oficina ao cheiro de “combustol”
Vinha o Alumínio, o Silas e o Teol
Voltando ainda com sol
Pra ouvir os poetas do arrebol
Samba em dó, sustenido ou bemol
No terreiro de casa de palha, paiol
Na janela da Ana flor de girassol
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

Moraes o carteiro trazia carta e bilhete
Em fevereiro soprava seu clarinete
O Humberto cantava em falsete
Uma senhora ajeitava o corpete
O “goró” era pinga nada de sorvete
E o malandro de navalha, estilete
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

Porto Velho mudou e cresceu
Até usina aqui apareceu
O bairro sofrido encolheu
Gente se foi cadê tu e eu
O beijo que me prometeu 
A gente nunca esqueceu...
A cidade era o bojo e bordão
E o Triângulo o braço do violão

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