Porto Velho (RO) quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
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A ESCOLA É POUCO ATRAENTE?


A escola é pouco atraente? Veja o que pensa o professor da USP José Manuel Moran em seu novo livro A educação que desejamos.

José Manuel Moran, é professor de Comunicação na USP. Espanhol, veio para o Brasil com vinte anos de idade como estudante de filosofia e queria se tornar jesuíta. Ele saiu da Espanha no fim da era Franco (1975), e depois de alguns anos morando no Brasil, decidiu ficar por aqui, apesar da família insistir para que ele voltasse para Espanha. Naturalizou-se brasileiro em 1988, e hoje é um dos maiores especialista em inovações na educação no Brasil, propondo novas formas de organizar a aprendizagem presencial e a distância nas escolas, universidades e organizações.

Publicou os livros Novas tecnologias e mediação pedagógica (Papirus) e Mudanças na comunicação pessoal (Paulinas) e em seu lançamento mais recente, A educação que desejamos – Novos desafios e como chegar lá (Papirus). O professor Moran chama a atenção logo na primeira frase do livro – "A escola é pouco atraente". Com base nesta afirmação, ele traça neste livro um paralelo entre a educação que temos e a que desejamos para nossos alunos, mostrando tendências para um novo modelo de ensino. A obra analisa principalmente as mudanças que as tecnologias trazem para a educação presencial e a distância, em todos os níveis de ensino, sem esquecer o papel que professores e gestores terão que desempenhar nessa revolução.

Em sua sala na Faculdade Sumaré em São Paulo, onde também é Diretor Acadêmico, o professor concedeu entrevista a ESAB - Escola Superior Aberta do Brasil e declarou que, com o avanço da tecnologia, em poucos anos dificilmente teremos um curso totalmente presencial, também falou sobre a necessidade de uma grande mudança cultural no país e que apesar dos avanços reais no Brasil, ainda estamos distantes de uma educação de qualidade.

ESAB – Por que a escola deixou de ser atraente?

Moran - A escola foi feita para uma época em que havia menos disseminação da informação, os especialistas se dedicavam a estudar e repassar as informações para o aluno, à medida que tudo isso foi quebrado com a ampliação e o acesso a informação, a escola continuou a fazer a mesma coisa para um aluno, que hoje, tem o mesmo acesso a esta informação ou até outras que o professor não tem. Os métodos que a escola utiliza são antigos e ainda pertencem ao modelo da sociedade industrial onde tudo está dividido em blocos, horários, modelos relativamente rígidos, que só é interessante para fins organizacionais, e não corresponde a sociedade do conhecimento e da informação que tem facilidade de acesso e mecanismos para flexibilizar tanto o ensino presencial como o virtual.

ESAB - Diante dessa realidade, como a tecnologia pode ajudar a inovar a educação?

Moran - É necessária uma mudança cultural, em toda a sociedade. E essa mudança, é um processo que envolve várias etapas da aprendizagem tecnológica. A primeira etapa é disseminar o acesso a todo o universo da informação e da tecnologia, que muitos no Brasil não têm. E não basta o acesso pontual na escola ou na lan house, mas um acesso contínuo tanto por parte do professor, quanto do aluno. O segundo é o domínio técnico, conhecer e se familiarizar com os recursos novos. Em seguida, vem o domínio pedagógico, ou seja, como eu me aproprio deste conhecimento para aprender mais e modificar os processos. O domínio pedagógico das tecnologias na escola é complexo e demorado. Os educadores começam utilizando-as para melhorar o desempenho dentro de padrões existentes. Algum tempo depois, surgem algumas mudanças pontuais, e só depois de um período mais longo, é que educadores e instituições são capazes de propor inovações e mudanças mais profundas.

ESAB – No livro, o senhor aponta que uma das bases para se ter uma educação inovadora é a formação do aluno-empreendedor. Por que este é um campo quase inexplorado?

Moran - Ninguém dá o que não tem, a maioria dos educadores foi formada para reproduzir o conhecimento e não para inovar, a inovação requer mudança de cultura, ou seja, trabalhar com ações voltadas para pesquisa, projeto, práticas na relação professor-aluno e vivência prática, vivência profissional. É necessária mais parceria entre a escola e a empresa. Trabalhar mais com projetos e incentivar o aluno que tem vontade de arriscar a desenvolver o empreendedorismo. O foco para a mudança é desenvolver alunos criativos, inovadores, corajosos. Alunos e professores que busquem soluções novas, diferentes, que arrisquem mais, que relacionem mais, que saiam do previsível, do padrão.

ESAB – O senhor afirma no livro que ainda estamos distantes de uma educação de qualidade. O Brasil conseguirá mudar este quadro a curto prazo?

Moran - O brasileiro é muito inquieto e aprende rápido, e apesar de faltar um pouco de organização, o Brasil tem uma estrutura muito mais aberta para mudanças. A Espanha, por exemplo, tem uma estrutura mais sólida, tem tecnologia, teorias, pesquisas e produzem muitos livros sobre pedagogia, na prática, eles ainda são muito conservadores. Por isso acredito que o Brasil avançará mais rápido nas mudanças em comparação a outros países. Estive outro dia com o professor José Pacheco, Diretor da escola da Ponte em Portugal, ele me disse que – "o brasileiro não sabe quantas coisas interessantes ele tem. Ele se desvaloriza em relação aos outros modelos que vem de fora".

Fonte: ESAB

 


 

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