Terça-feira, 3 de julho de 2012 - 21h07
Profª. Ms. Fátima Ferreira P. dos Santos
Centro Universitário/UNIVEM
Prof. Dr. Vinício Carrilho Martinez
Universidade Federal de Rondônia
Departamento de Ciências Jurídicas
Do que se lembra da história bíblica, Cristo foi condenado à morte por atacar a corrupção e os desideratos cometidos em nome da religião. Antes dele, Sócrates foi forçado a tomar cicuta, também por atacar os tradicionalismos e irracionalismos de sua época.
Aristóteles, outro filósofo grego, recomendava uma ética do “meio termo”, do equilíbrio, a ética das virtudes. Cristo defendia uma ética terrena, mais próxima da justiça social e que embalaria, por exemplo, boa parte da Igreja Católica no Brasil no século passado: “Dai a César, o que é de César”.
Quando Sócrates praticamente decretou o início da ciência moderna, especulativa – “só sei que nada sei” – e Cristo alertava que “somente os puros podem jogar pedras”, estavam formulando uma parte da ciência do conhecimento. Esta forma de conhecimento exige que não se julgue pelas aparências, pela primeira face das revelações empíricas, que se ultrapasse o limiar da primeira impressão.
Para se chegar ao conceito, o conhecimento profundo, explicativo, é necessário agir com prospecção, paciência, ciência. Entendendo-se, além disso, que a combinação de ciência e paciência nos revela dotados de consciência.
Fora dessa modalidade de investigação, o conhecimento é superficial, artificial, ideológico. Como pré-conceito, entende-se o que se sabe antes da verificação realista e aprofundada. Ou seja, um saber que é puro preconceito – o que está antes do conhecimento.
Portanto, quando pensamos na morte antecipada de Cristo e de Sócrates o que temos é o embate entre duas éticas: uma tradicionalista e outra investigativa. A primeira era – como é hoje em dia – anti-intelectualista, presa a tradições e milenarismos. A segunda, como base da cultura judaico-cristã – e que é a nossa cultura – é, praticamente, a que nos forjou como pensamento e realidade ocidental.
Do mesmo modo, quando ouvimos religiosos dizerem que “até Cristo foi julgado e condenado”, como homem imperfeito, para se desculpar a corrupção, temos de pensar no uso mal educado, oportunista do conhecimento. Uma análise superficial, apenas atenta às primeiras linhas da ocorrência histórica.
Tal qual Aristóteles – que teve sua ética deformada, do meio termo para o “meio fio” (quer dizer, em cima do muro) –, Cristo é invocado em vão. Quando lembramo-nos das cenas de TV em que parlamentares rezavam após a pilhagem do dinheiro público, dizer que até Cristo foi condenado, é mais do que prova de que se quer justificar a própria corrupção de valores, de todos os que fazem da religião o ópio do povo.
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