Quinta-feira, 14 de novembro de 2024 - 08h05

Na
imprensa, e entre os adeptos de soluções fáceis para os problemas sociais
complexos, ganhou imenso espaço, e a adesão espantosa e, possivelmente,
interesseira de 193 deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que
acaba com a jornada de trabalho na escala 6 x 1 (seis dias de trabalho para um
de descanso) de autoria da deputada Erika Hilton. A proposta de PEC se inicia equivocada pela
própria justificativa, de vez que pautada na preservação da saúde e do
bem-estar do trabalhador. Claro que criando a expectativa de que, com mais dias
de descanso, o trabalhador tenha mais saúde e seja mais produtivo, o que também
beneficiaria as empresas. Ainda se
argumenta que a medida já foi testada em programas pilotos em outros países.
Isto é verdade, mas são países com muito melhores condições, melhor ambiente de
negócios e maior renda do que o Brasil. Independente disto qual a necessidade e
a viabilidade de propor uma mudança tão brusca? Ora a Constituição Federal
permite a redução da jornada de trabalho por meio de acordos coletivos (art.
7º, inciso XIII), ou seja, os sindicatos podem negociar diretamente em favor de
suas categorias, de modo que a atual redação constitucional permite
flexibilidade e adaptação de acordo com a realidade econômica de cada setor. Em
termos claros não há necessidade nenhuma. E a viabilidade? O senador e
presidente do PP, Ciro Nogueira, foi incisivo quanto a isto ao dizer que “É uma
ideia tão boa como, por exemplo, aumentar o salário-mínimo para R$ 10.000,00.
Quem pode ser contra? Agora, dizer que é viável no Brasil de hoje é mentir para
a população”. Mas do que mentir é criar
uma falsa esperança. Sob o ponto de vista econômico é uma medida desastrosa.
Qualquer economista que mereça o nome, considerando a conjuntura econômica de
incertezas em que vivemos e a enorme maioria de micro e pequenas empresas (as
grandes empregadoras de mão de obra) podem facilmente listar os efeitos que são
previsíveis: em primeiro lugar, aumento dos custos trabalhistas devido à
redução da jornada sem redução dos salários (se cumprida a lei), depois, como
consequência lógica, elevação dos preços dos produtos para cobrir os custos
mais altos. Daí, diminuição do poder de compra dos consumidores e redução dos
lucros empresariais, com o provável fechamento de micro, pequenas e médias
empresas e aumento do desemprego. O impacto negativo na arrecadação de impostos
e nas contas públicas é o toque final. Porém, outros cenários podem ser piores
ainda com a pejotização, ou seja, os trabalhadores serem obrigados a criar
empresas para poder trabalhar e a substituição massiva de mão de obra humana
por automação. Não se descarte também a possibilidade de recessão. Melhorar ambiente de trabalho todos querem,
mas é indispensável considerar a realidade econômica do Brasil, bem como a
preservação das empresas e a manutenção dos empregos. É nocivo que propostas
que envolvem tanta complexidade não sejam discutidas de modo aprofundado e
técnico no Poder Legislativo. Não existe forma de preservar a saúde do
trabalhador, e seus empregos, sem considerar a sustentabilidade das empresas,
pilares essenciais para o funcionamento da economia nacional.
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