Porto Velho (RO) terça-feira, 28 de junho de 2022
×
Gente de Opinião

Silvio Persivo

Diz-me com quem andas



Claro que sou a favor do voto facultativo. É claro que não é também por desconhecer a importância da política. Sou, até sem desejar ser tanto, um homem político na medida, por exemplo, que estou entre os que no último domingo foram assistir o primeiro debate do segundo turno da Rede Bandeirantes. Reconheço que este não é o comportamento normal das pessoas. As pessoas comuns discutem política como comentam o tempo e só vão mesmo decidir, por obrigação, no dia do voto e estão longe de pensar, como penso, que é o dia em que podemos mudar nosso futu¬¬ro, decidir nosso destino. E realmente o voto tem este poder, todavia, poucos tem esta consciência de que eleger nossos representantes é uma responsabilidade ímpar e que, por isto, deveria ser cumprida com muito cuidado.

Sempre defendi uma maior participação política. Que a política deixasse de ser apenas a formal. Aque¬¬la feita em gabinetes e parlamentos, restrita aos detentores de mandatos e seus assessores, ou seja, que se dê mais consistência aos partidos; que se agregue a participação popular. Quem já leu um pouco a respeito de Ciência Política sabe que nos países onde a luta para as conquistas dos direitos civis e sociais são mais fortes, os partidos são mais comprometidos com ideais e o personalismo costuma ser menor, assim como o clientelismo. Onde não há participação popular, a representatividade mínima de todos os interesses – incluindo os das chamadas minorias –, não há uma democracia forte e, em geral, como no Brasil atual, se procura impedir a alternância do poder e a discussão pública por imposição de um falso consenso em torno de um líder o que, por melhor que seja, é sempre um atraso. Nenhuma sociedade avança sem lutas, sem mudanças no governo, sem oxigenação do setor público por novas ideias e governantes. O continuísmo é ruim para a democracia e para o desenvolvimento seja de quem for.

É evidentemente difícil para o cidadão comum, que não acompanha a vida pública, separar o joio do trigo. E o engessamento pela legislação eleitoral tende a favorecer quem está no poder inclusive por usar a máquina pública a seu favor. No entanto, mesmo não sendo uma tarefa fácil, de vez que com tantas obrigações que o cidadão tem na sua vida privada, sobra muito pouco tempo para se preocupar com a vida política, algumas coisas são visíveis no atual panorama político para fazer escolhas responsáveis. Basta seguir à risca o diga-me com quem andas e te direi quem és. Para verificar quem é o atraso é só olhar para quem está no palanque dos candidatos. E o pior é que, se confrontadas as opiniões antigas e atuais dos que dividem o mesmo palanque, até uma freira ficaria com vergonha de votar em qualquer um deles.

 

Siga o Gentedeopinião no Gente de Opinião



Fonte: Sílvio Persivo - [email protected]
 
Gentedeopinião   /  AMAZÔNIAS   /  RondôniaINCA   /   OpiniaoTV
 Energia & Meio Ambiente   /  Siga o Gentedeopinião noTwitter  /   YouTube 


 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Silvio Persivo

Um dos grandes nomes da UNIR se aposenta

Um dos grandes nomes da UNIR se aposenta

O professor Theophilo Alves de Souza Filho, vinculado ao Núcleo de Ciências Sociais Aplicadas (NUCSA) e ao Departamento Acadêmico de Administração (

Somente para quem quer ser bem informado

Somente para quem quer ser bem informado

No Brasil há mais ruído que informações. A verdade é que se pega qualquer afirmação para se ser contra ou a favor e, com a inflação alta, os combust

Brasil, em 2021, teve o melhor resultado do PIB dos últimos 11 anos

Brasil, em 2021, teve o melhor resultado do PIB dos últimos 11 anos

Esta semana Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, foi alta de 2021. anual para a economia brasileira 2010, desde o país cresceu 7

Os sinais da desmaterialização da realidade

Os sinais da desmaterialização da realidade

É um problema demasiado humano, talvez provindo do desejo de sermos “realistas”, somente nos ocuparmos daquilo que é imediato, dos problemas polític