Sexta-feira, 13 de maio de 2011 - 11h55
Viver é sinônimo de aprender. E, confesso, que não esperava aprender nada quando fui participar, um pouco de forma inesperada, do I Rondônia Antenado no Futuro, um evento programado para a segunda-feira passada, pela Faculdade São Lucas com o apoio do Consórcio Santo Antônio e o Sistema Imagem de Comunicação. Seria um encontro para discutir os rumos futuros de Rondônia, mas, pelo formato que teve, com uma palestra central do governador Confúcio Moura e pouco tempo para os demais participantes, acabou mesmo sendo uma exposição sobre o governo e a administração atual. Surpreendente mesmo, em primeiro lugar, para mim, foi a presença de um governador que continua com a mesma disposição e o entusiasmo do candidato em campanha. Com tantos problemas iniciais em seu governo a minha sensação de longe é que deveria estar abatido com os percalços iniciais que estavam fora do alcance de qualquer visão política, por mais sagaz e previdente que fosse. Ledo engano, encontrei uma pessoa tranqüila, consciente e determinada.
Somente me veio à mente a palavra vinda da Física denominada de resiliência que significa a resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada num corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo. Nas Ciências Humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o seu desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isto de uma forma simples é fazer de cada limão, ou seja, de cada adversidade que a vida nos apresenta, uma limonada refrescante e agradável.
A aplicação do termo ao governador Confúcio Moura vem de que, na sua palestra, demonstrou não ser uma pessoa comum sob este aspecto e, quando digo comum, sem desrespeito aos comuns, é porque o normal, mesmo entre os políticos, é sentir, se abater quando as coisas não correm conforme o programado. Já os excepcionais, os resilientes, se caracterizam por um conjunto de atitudes que os fazem resistentes aos embates da vida. O termo ressalta bem a capacidade que os corpos têm de voltar à sua forma original, depois de submetidos a um esforço intenso. Ou seja, é o tipo do ser humano que vive suas emoções sem se deixar abater pelos obstáculos, o que somente é possível quando se age com respeito à dignidade e reconhecimento pelo que se faz e se gosta de fazer. Pelo que vi a surpresa não foi somente minha tanto que o governador foi interrompido por aplausos em diversos momentos e, mesmo quando não teve as melhores respostas (e teve muitas) demonstrou um comprometimento e um entusiasmo que me despertou, apesar de cético e crítico, algumas reflexões que vale a pena externar. A primeira delas é que demonstrou que seu governo faz muito mais do que divulga, pois, revelou medidas que poucos no auditório tinham conhecimento, mas, também que há necessidade de mudanças na sua administração para que o que está sendo feito seja compartilhado e comunicado adequadamente.
É claro que não se pode desejar de um governo com pouco mais de cem dias que tenha uma obra pronta, porém, o que, para mim, ainda parece acontecer é que ainda se olha para o atual governador com uma certa visão salvacionista, com a esperança de que ele tenha as soluções para todos os problemas. Confúcio é oposto disto e todo seu posicionamento é de agregar soluções, buscar parcerias, construir em conjunto. Sua posição é a de não atrapalhar se não pode ajudar. É, talvez, neste sentido o mais puro produto político de Rondônia: um político que acredita que a solução dos problemas está na própria sociedade. Sua fé no futuro é invencível. E, por isto, teve um momento que perdi em relação a ele o olhar intelectual e passei a acreditar que seu governo pode ter resultados muito melhores do que, hoje, se espera na medida em que, como ser político, ele demonstrou ser bem maior do que muita gente imagina.
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Fonte: Sílvio Persivo - [email protected]
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