Sábado, 28 de março de 2026 - 07h55

Morreu
Nepomuceno, mais conhecidos nas rodas como “51”, pela sua inefável
identificação com a branquinha. Negão
boêmio, figura padrão em todas as rodas de pagodes. De muitas amizades,
destaque na bateria da escola de Samba da Castanheira, na Arigolândia, em Porto
Velho, Rondônia onde fora anteriormente passista.
Órfão de mãe, pai desconhecido, fora criado pela avó, Dona Guiné,
crioula beata por convicção, “puxadora” de cânticos sagrados nas missas de
domingo. “51” em vida, fora o oposto de sua mãe-avó. Mas nem por isso ela o
renegou. Era seu neto, seu sangue!
Viveu e morreu como sempre quis. Foram 42 anos bem vividos dizia ele. O
infarto agudo foi fulminante e fatal.
O
pior de tudo é que hoje é sábado! Dizia Zequinha, inconformado, e um dos
primeiros a chegar ao velório.
Ninguém escolhe dia e hora para morrer! Retrucava Zé do Pandeiro, também
perplexo com a notícia que já se espalhava por toda cidade.
E
em pouco tempo a casa de Dona Guiné foi se enchendo de gente que chegava de
todos dos cantos da cidade.
A
mortalha na frente da casa anunciava o luto e o velório que se iniciava.
“51”
estendido num caixão de segunda, sobre a mesa parecia sorrir de olhos fechados,
como se fosse mais uma de suas gozações.
Dona
Guiné, confortadas pelas amigas beatas, recebia os pêsames pelo neto que batera
as botas, ainda tão moço!
A
noite seria longa! Alguém sugeriu que se preparasse um café com biscoitos para
enfrentar essas horas todas, onde ninguém sabe o que dizer!...
Quando o terço começou a ser rezado por Dona Guiné, Zequinha e Zé do
Pandeiro já haviam se instalado na cozinha da casa, onde parecia ter menor
movimentação. Logo depois, a eles se
juntaram mais dois amigos do peito, “Biritinha” e “Beija-Copo”. Todos
constrangidos, ninguém aceitava a morte do “51”. O Zé do Pandeiro, como sempre,
chegou com seu macaco de estimação no ombro, bichinho do qual não se separava
jamais. Era um macaco prego.
- Como é
que pode morrer assim rapaz? De repente! dizia um.
- Pois é,
cara, ninguém vale nada mesmo! respondia o outro com ar de revoltado.
O tempo
começou a passar, quando “Biritinha” sugeriu ir lá fora tomar um trago. Ninguém
aceitou! A casa lotada, a reza do terço, o olhar triste mas recriminador de
Dona Guiné!...
Essa
não! Afinal, “pé-de-cana” tudo bem! Mas tem que ser respeitador!
- Se
vocês toparem propôs “Biritinha”, eu mesmo vou lá no bar e trago uma garrafa de
pinga, bem escondida é claro! A noite vai ser longa!...
- Vai
pegar mal insinuou Zequinha, a casa é de beata, a reza lá fora, o morto...
É só a gente tomar cuidado! Bebemos com
discrição, ninguém fica sabendo.
Foi
feita a coleta, a garrafa de pinga veio embrulhada e escondida nas roupas
folgadas de “Biritinha”. Era preciso ter cuidado, toda discrição seria pouca!
Nos primeiros goles, o dedo indicador
era colocado entre a boca e o copo, para evitar o barulho do atrito dos vidros
ao servir a pinga. E assim foi.
Depois
da primeira garrafa, esqueceram alguns detalhes. Na segunda e terceira discutiram
o futebol do “Brasileirão” e depois ensaiaram a batucada na caixa de fósforo,
lembrando o “Mal acostumado” do Araketu. Todos já falavam e cantavam bem alto,
acompanhados por um pandeiro, concorrendo de forma desleal e acintosa com o
terço puxado que vinha lá da sala do morto.
Foi
quando Dona Guiné, entrou na cozinha e colocou todo mundo pra fora!
- O “51”
iria gostar Dona Guiné, se estivesse aqui e agora. Ainda tentou argumentar um
dos bêbados.
Foi
nesse momento que o macaco do Zé do Pandeiro recebeu um “cascudo” do Biritinha
e saltou gritando e fazendo um escândalo no ambiente. Acabou saltando em cima
do caixão que, no alvoroço e corre-corre das beatas, caiu no chão com o defunto
dentro.
Mas
Dona Guiné apressou-se em pegar um cabo de vassoura e foi assim que todos os
amigos do “51” saíram trôpegos, mas todos com o dedo indicador na parede que
era para não perder o rumo da porta.
Acontece que, uma das beatas amigas de Dona Guiné, vendo a confusão do
macaco e dos bêbados na cozinha, não vacilou em ligar para a polícia e, para a
surpresa dos amigos "alegres" do "51", o
"Camburão" já os aguardava na porta da casa, com as luzes vermelhas
piscando!..
Sábado, 28 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
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