Porto Velho (RO) terça-feira, 22 de junho de 2021
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Renato Gomez

Crônicas da Nova Terra: A barganha



Os Novos Humanos tinham em sua tecnologia (relógios de pulso com poder de scanear e tratar ecossistemas que ainda apresentem resquícios de vida) um trunfo para barganhar pelo que quisessem, considerando a situação deplorável que a Nova Terra estava no século XXIX, os humanos não tinham outra escolha, a não ser conseguir a tecnologia alienígena para poder recuperar o que conseguissem do planeta.

Em troca do direito de exploração desta tecnologia, os sete líderes mundias trocavam partes de seus latifúndios (uma vez que a parte habitável da Nova Terra havia sido dividida entre suas facções), das plantações de subsistência e da mão de obra humana. A ideia dos líderes mundiais era conseguir não só explorar a tecnologia ET, mas também reproduzi-la e soltar as amarras colonizadoras que os relógios exerciam sobre todos.

Porém, assim como toda a parte da população que aceitara o sistema colonizador dos aliens, os cientistas também usavam os relógios, e o domínio mental exercido pela tecnologia deles impedia que os cientistas descobrissem qualquer coisa alheia aos interesses dos Novos Humanos.

Foi então que em uma de nossas primeiras operações de retaliação, conseguimos roubar um dos relógios para poder estudá-lo. Preparamos uma emboscada e agarramos um dos Novos Humanos pelas costas quando ele tentava tomar banho no Rio Madeira (a bacia hidrográfica do Amazonas permaneceu intacta a radioatividade das bombas nucleares) e roubamos seu relógio.

Já desconfiávamos do poder de controle mental, mas após os estudos de nossos cientistas, constatamos as suspeitas. Os relógios utilizavam recursos de nanotecnologia, que a nossa ciência já estava perto de decifrar, mesmo antes da chegada dos Novos Humanos. Desta forma, de desvendar os mistérios a reproduzir os aparelhos, foi um pulo para nossos pesquisadores.

Com a reprodução perfeita dos relógios desenvolvida por nós, acabamos nos transformando numa nova “potência mundial” (não ouvia esse termo desde a Terceira Guerra Mundial em 2020 que acelerou o processo de degradação do planeta). O problema é que só conseguimos reproduzir uma pequena parte dos relógios devido à escassez de matéria-prima (os aparelhos tinham que ser comportados em uma redoma de diamante devido à grande energia que acumulavam). Era necessário descobrir onde os novos humanos estavam conseguindo diamantes.

Os nossos equipamentos não exerciam controle mental, mas como os que os originaram possuíam, era difícil convencer os humanos a virem para o nosso lado, mesmo assim  conseguimos trazer um grande número de humanos de volta à “liberdade”. Foi quando os Novos Humanos nos viram como uma ameaça real ao seu reinado. Possuíamos seu trunfo e estávamos tirando sua mão de obra, prejudicando seu ideal explorador e até suas vidas, uma vez que, em caso de uma guerra, poderiam acabar expulsos da Nova Terra.

No passado, um espelho foi moeda de troca na barganha colonizadora, mas não era importante para os portugueses. Já os relógios eram de suma importância para o projeto colonizador dos Novos Humanos e agora que sabíamos seus pontos fracos e suas reais habilidades poderíamos virar o feitiço contra os feiticeiros...

Continua...

Renato Gomez

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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