Porto Velho (RO) quarta-feira, 5 de agosto de 2020
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Gente de Opinião

RaiKa Fabíolla

Minhas andanças


 

Menina moleca que na infância brincava no meio dos moleques, porque quase não tinha meninas para brincar...

Queria jogar peteca, cangapé, andar no carrinho de rolemã...

Perturbava tanto, que os moleques a empurravam no carrinho com tanta força e velocidade para que eu caísse e não brincasse mais.

Ledo engano, pois em meio aos prantos, com joelhos machucados, lá estava ela atrapalhando novamente a brincadeira deles...e enquanto não deixassem fazer parte da brincadeira continuava a atrapalhar...

Gostavam de tê-la por perto.

Muitas vezes andava de carroça com a vizinha e suas filhas a caminho da roça para pegar macaxeira, tucumã, caju, farinha, etc., era uma alegria só.

A infância sempre foi regada de travessuras sadias, gostava de brincar de casinha feita de galhos secos e folhas de bananeira, o piso era coberto com sacos de fibra que pegava emprestado da vizinha... Aquela dona da roça. A comidinha era feita com caju, o único ingrediente, mas a criatividade era tanta, que tinha caju frito, caju assado, salada de caju, suco de caju, sanduíche de caju... era pura diversão. Na casa das meninas, os meninos não entravam porque faziam muita bagunça.

Passado algum tempo, já na pré-adolescência ajudava os pais numa olaria, fiz bagunça por lá também, mas fazia também alguns tijolos, colocava ao sol para secar, depois ajudava a colocar no forno para assar e por fim a hora da entregar para os clientes. Parecia que tudo era motivo de brincadeira, pois apesar do cansaço da lida, a disposição era norma para continuar brincando.

A noite chegava e vinha a hora de descansar. Mas como? Sem energia elétrica? O calor era insuportável. Então na frente de casa, "jogando conversa fora”, brincando de roubar bandeiras, de esconde-esconde, de pega-pega, de salada mista, de brincadeiras diversas que ajudavam a passar o tempo.

No dia seguinte pela manhã, tinha a hora da escola... um dos momentos de seriedade... Mas antes ficava em frente a igreja da matriz, sentada na calçada da pracinha olhando, no Rio Madeira, os botos que ao perceberem a platéia faziam gracinhas, causando tamanha admiração.

Ah! E falando em pracinha da matriz... muitas histórias se passaram naquele local, inclusive alguns namoricos que quando eram surpreendidos pelas freiras do patronato acabavam em broncas e puxões de orelha, mas que não adiantavam muito... logo a correria para  a volta ao famoso coreto.

Nesse mesmo coreto havia reuniões para jogos, gincanas escolares, procissão da Igreja, festas de aniversário, pois sempre estava sempre envolvida nesses eventos, só não tinha tamanho – o que também falta até hoje, mas energia tinha de sobra.

De volta pra casa, após a aula, as vezes a pé ou de bicicleta, o grupo vinha contando mentiras, cantarolando ou mesmo falando mal de alguma amiga e as vezes falando bem de algum paquera...

Quando chovia era uma diversão voltar pra casa toda molhada... a farda colava no corpo e o medo de sujá-la com o barro vermelho era grande, pois não tinha asfalto naquela época e se sujasse a “peia” era certa.

De volta para casa, os planos era mirabolantes, a idéia das profissões jorravam, juíza, delegada, promotora, policial rodoviária, e tantos outros profissionais.

Fantasia como seria a casa quando adulta, quantos filhos teria, inclusive escolhendo até os seus nomes.

E então ao chegar em casa, estava uma mulher valente e guerreira que não media esforços para criar seus filhos, que em meio as dificuldades financeiras sempre preparava uma comidinha gostosa e recebia os filhos com todo amor do mundo.

Que apesar de seus problemas de saúde, que felizmente já não existem mais, sempre tinha uma palavra amiga e um abraço acolhedor. Essa é Dona Fátima, que sempre ensinou o caminho do bem e que orientava dando toda a base necessária para sermos pessoas integras, honestas e responsáveis por nossas ações.

Grandes irmãos, um paizão, que com seu jeito turrão, por vezes, ausente em função do trabalho e também por não saber demonstrar carinho, procurava dar bons exemplos de como ser uma pessoa direita, respeitada, honesta e tantos outros adjetivos importantes. Os quais serviram também de base para a integridade, honestidade e responsabilidade sobre as ações

E assim aconteceu, a menina moleca cresceu... tá bom!!!

Não tanto no tamanho, mas na capacidade de ir em busca de seus ideais, de galgar longos caminhos para alcançar o seu lugar ao sol.

Essa menina moleca, que por muitas vezes escolheu profissões gloriosas e com bastante status, que também dizia que não queria ser professora, decidiu por encaminhamento do destino ser Pedagoga, e assim o fez com muita dedicação, foi dia após dia aprendendo o quão importante é essa profissão.

E assim que concluiu o curso fez o primeiro concurso público na área e passou em 18º lugar.

Fez cinco especializações latu sensu e uma especialização stricto sensu o famoso mestrado. Essa menina é mestra em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Entre tantos outros feitos, se tornou mãe de uma pequeno garotinho chamado Eduardo Gabriel que com as bênçãos de Papai do Céu e de Nossa Senhora será um homem de bem e dará muito orgulho aos que muito lhe amam. Também se tornou esposa dedicada e amorosa que nutre pelo homem amado a maior e melhor das paixões.

E... o doutorando me aguardou, “to” dentro.

A garotinha sou eu, apenas eu.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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