Porto Velho (RO) sábado, 18 de agosto de 2018
×
Gente de Opinião

Montezuma Cruz

Se o morcego atacar, chame o governo


Se o morcego atacar, chame o governo - Gente de Opinião

A ligação telefônica do pecuarista de Chupinguaia, a 530 quilômetros de Porto Velho, denuncia o ataque do morcego hematófogo (Desmodus rotundus) ao gado bovino. Prontamente, a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) envia um veterinário para constatar a real dimensão do problema. Em 2017, as mais de trezentas lojas de produtos veterinários em Rondônia venderam 4,54 milhões de doses de vacina antirrábica.
A dose (2 ml) custa apenas R$ 1, a vacinação é opcional, mas a notificação da raiva é compulsória.

Esse tipo de morcego transmite a doença ao morder bovinos, cães, gatos, búfalos, burros, cabritos, mulas, ovelhas, porcos, entre outros animais silvestres raivosos, aos quais contaminam com o vírus presente em sua saliva.

Assim funciona o Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros, voltado especificamente para capturar e estudar esse mamífero com asas, principal transmissor da raiva a esses animais.

Hematófagos são encontrados desde o norte do México até o norte argentino, algumas ilhas do Caribe e em regiões com altitude média abaixo de 2 mil metros.

Vale, portanto, a orientação. “Vacinar todo o rebanho garante a sanidade. Um animal morto em consequência da raiva, digamos, é R$ 2 mil a menos no ganho do criador”, comenta o médico veterinário Dalmo Bastos Sant’Anna coordenador do programa.

Depois da primeira vacinação, aplica-se a segunda dose um mês depois e essa prática depois pode se tornar anual. Dalmo Sant’Anna recomenda aos pecuaristas que apliquem a vacina antirrábica na mesma ocasião em que cumprirem a vacinação contra a febre aftosa.

Controlando-se o transmissor, diminuem os ataques, alerta o médico. Mas ele explica que nem todo morcego está contaminado e pequena proporção tem o vírus.

Porto Velho, Novo Horizonte e Ariquemes

Equipes da Idaron coletam regularmente material para exames em casos de suspeita de raiva.

“Nosso pessoal está em campo nas 84 unidades no estado, fazendo o cadastramento de abrigos e capturando morcegos que se alimentam de sangue”, informa o médico.

Em 31 visitas no ano passado, as equipes fiscalizadoras capturaram com redes 101 morcegos hematófagos.

No País, em 2017, de dois mil exames constataram-se 807 casos de raiva. Em Rondônia, de 57 exames em animais bovinos atacados, a Idaron constatou três casos positivos – em Porto Velho, Novo Horizonte do Oeste e Ariquemes.


Exames de restos de animais são feitos no laboratório da Idaron em Porto Velho, outros no Laboratório de Análise e Diagnóstico Veterinário na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, relata Dalmo Sant’Anna. “Aí é possível identificar se realmente a causa mortis do animal foi raiva”, assinala.

Pasta vampiricida

Cada morcego solto, após receber a aplicação da pasta vampiricida, contamina 10 a 20 outros morcegos da mesma espécie, no intervalo de quatro a dez dias, informa o médico.

No mundo, apenas três espécies de morcegos possuem hábito alimentar hematófago (Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata e Diaemus youngi), todos encontrados também no Brasil.

No método indireto de captura não há necessidade da captura. Basta que se aplique a pasta vampiricida ao redor das mordeduras recentes de hematófagos. Outros produtos vampiricidas também poderão ser empregados, e são de especial utilidade na bovinocultura de corte.

Nesses sistemas de controle, são eliminados apenas os morcegos hematófagos agressores. É que, para se alimentar, eles tendem a retornar em dias consecutivos ao mesmo ferimento.

O uso tópico da pasta na agressão deve ser repetido, enquanto o animal estiver sendo espoliado. Essa prática deverá ser realizada pelo proprietário do animal espoliado, sob orientação de médico veterinário. Preferencialmente, no final da tarde, permanecendo o animal no mesmo local onde se encontrava na noite anterior.

Sinais e sintomas

O ser humano contrai a raiva pela saliva de num animal doente. A mordedura é a forma mais comum de contaminação, mas a doença também chega por arranhões e lambidas em ferimentos na pele ou nas mucosas da boca, nariz e olhos.
Há mais de 160 morcegos conhecidos no Brasil e aproximadamente novecentas espécies no mundo.

Quando bovinos ou equídeos (burro, cavalo, égua, jumento e mula) estão doentes, estes são os principais sintomas:

● Isolamento do restante do rebanho
● O animal parecer sonolento
● O animal parecer engasgado
● Quando apresentar salivação e agressividade
● Dificuldade em urinar e defecar
● Andar cambaleante
● Apresentar paralisia dos membros posteriores
● Cair e ter dificuldade para levantar
Na maioria das vezes, a morte ocorre entre o terceiro e o sexto dia após o início dos sintomas. Pode haver restos de sangue no pelo do animal, ou até um pequeno ferimento indicando o local onde o morcego mordeu.

VIU MORCEGO, COMUNIQUE
Se o sitiante ou fazendeiro notou a existência de morcegos em sua propriedade, certifique à Agência Idaron mais próxima.  E vacine uma vez por ano seus animais acima de três meses.
Fale com: 0800 643 4337 e 0800 704 9944

Galeria de Imagens

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Montezuma Cruz

Portão com defeito atrasa o desembarque  na rodoviária da Capital

Portão com defeito atrasa o desembarque na rodoviária da Capital

Passageiros aguardaram dez minutos até que um funcionário caminhou ofegante pelo pátio

Que vexame o MDB!

Que vexame o MDB!

À História! Uma dos heróis do velho MDB foi Teotônio Vilela, o Menestrel das Alagoas...

Colômbia investiga a implosão da ponte de Chirajara

Colômbia investiga a implosão da ponte de Chirajara

As causas da catástrofe ainda estão sendo investigadas.

Árvore agredida na Copa do Mundo sobrevive na ressaca da Avenida Calama

Árvore agredida na Copa do Mundo sobrevive na ressaca da Avenida Calama

 MONTEZUMA CRUZOs galhos da única árvore da Avenida Calama desenvolviam-se, quando foram grosseira e inexplicavelmente arrancados. Na primeira semana