Terça-feira, 2 de maio de 2017 - 20h16
MONTEZUMA CRUZ
Mudaro a gramática, intão tem quitê outro dicionaro.
Mudaram a gramática, então tem que ter outro dicionário.
Esse [ônibus] é o Guajará, tá atrasado, só sai duas meia.
Só sai duas e meia.
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| Onde tu tá? Tôdenduôinbu. |
Lá é diferente, a gente paga o plano, num é? Mas dócrinologista mesmo num tem.
Endocrinologista mesmo não tem.
Dá fé, aparece o homem na minha frente!
De repente.
Onde tu tá? Tôdenduôinbu.
Dentro do ônibus.
Deumilivi!
Deus me livre.
Dexitáqui eu pago.
Deixe estar que eu pago.
Ele ficou triste cuá morte dimamãe.
Ele se entristeceu com a morte da mamãe.
Diondi vem?
De onde vem?
Entraram em casa, mexerimtudo. Eu dissolha!
Mexeram em tudo. Eu disse: olha!
Dona Alcina trabalha denticasa.
Dentro de casa.
As coisas eram dejeito.
Desse jeito.
Quanto custô o remédio?
Dô real (dois reais). Na outra farmácia era dé real (dez)...
Qual deles lhe interessou mais? Esse dagora.
Esse de agora.
Passei mais de mês correndo atrás dum e dôto.
De um e de outro.
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Parte do meu futuro livro Ao meo Dia, no qual descrevo o jeito nortista e nordestino de falar no Distrito Federal, onde morei dez anos. Anotei frases em minhas viagens de ônibus, metrô, nas ruas a pé, e na convivência com funcionários do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, onde trabalhei. Modificações ocorridas com o uso de cacófatos, fonemas, pleonasmos, verbos conjugados pela metade ou misturados.
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