Sexta-feira, 27 de abril de 2018 - 08h19

AMAZÔNIA REAL
A opinião pública, que tem acompanhado com muita atenção e afiado senso crítico à instalação de grandes hidrelétricas na Amazônia, não está prestando atenção ao que pode vir a ser um novo capítulo na geração de energia na região. A fonte não é mais os caudalosos rios amazônicos. Agora, pode ser o gás.
Em Barcarena, a 50 quilômetros de Belém, uma empresa pouco conhecida no setor, com sede no Rio de Janeiro, quer implantar no local, onde estão as maiores indústrias do Estado, quase todas especializadas na exportação de produtos eletrointensivos, uma térmica de grande porte.
Com custo de três bilhões de reais, ela foi projetada para gerar 1.607 megawatts. É o equivalente a 20% da potência da hidrelétrica de Tucuruí, que, até a conclusão da motorização da usina de Belo Monte, no rio Xingu, continuará a ser a quarta maior do mundo.
O que primeiro chama a atenção sobe a termelétrica Novo Tempo,, da Celba (Centrais Elétricas de Barcarena), é a rapidez na tramitação no seu licenciamento ambiental pela secretaria estadual responsável pela sua aprovação. O Relatório de Impacto Ambiental, elaborado por uma consultora de Sergipe, foi protocolado na Semas em dezembro do ano passado, apenas sete meses depois de iniciadas as pesquisas na área de influência do empreendimento.
O Rima é sumaríssimo em relação aos Estudos de Impacto Ambiental, mas é exclusivamente ele que a secretária tem apresentado nas audiências públicas. A penúltima foi realizada ontem, dia 24, em Barcarena. A última acontecerá no município vizinho, Abaetetuba, em data ainda não marcada. Depois de 10 dias de espera por contribuições e sugestões, a secretaria submeterá o projeto ao Conselho Estadual de Meio Ambiente. A fase executiva da obra poderá então começar.
É evidente a pressa na tramitação de uma iniciativa desse porte e com tal complexidade. Parece que o objetivo é fincar a bandeira da Celba antes de qualquer concorrente, se ele tiver que fazer uma pesquisa com a seriedade necessária para a instalação de uma termelétrica da grandeza da Novo Tempo num espaço tão problemático. Em Barcarena já aconteceram vários acidentes ecológicos, o último dos quais na fábrica de alumina da Hydro Alunorte, ainda em fase de rescaldo.
A usina vai precisar de muito gás para operar. No entanto, o projeto não esclarece de onde virá o combustível para a térmica nem o seu custo. Não há também qualquer avaliação comparativa com alternativas a uma usina térmica, de custo mais elevado, incluindo as tão combatidas hidrelétricas.
Implantada uma térmica a gás, este será o novo caminho para a geração de energia na Amazônia ou trata-se de uma manobra especulativa? A resposta não foi dada. Mesmo porque, desatenta para esse projeto, a opinião pública nem está preocupada em fazer a pergunta.
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