Quarta-feira, 9 de janeiro de 2008 - 10h26
Segundo o noticiário policial recente, Porto Velho está registrando índices por demais altos de violência doméstica, com agressões físicas, tentativas de homicídio e homicídios consumados contra mulheres infiéis aos seus parceiros. Tal fenômeno social, conquanto o uxoricídio seja uma prática milenar, parece ser uma atitude machista que revela um comportamento na contramão da história.
Ora, se as tendências liberais ensejam atitudes mais tolerantes dos homens, não se pode compreender como os cornos modernos voltam aos comportamentos dos homens de séculos passados. Muito embora os franceses costumem dizer para cherchez la femme sempre que surge algum conflito mal explicado, matar mulheres nunca foi solução para a vida de homem nenhum. Conceda-se que grandes vultos da História perderam a vida em duelos por causa de mulheres, inclusive Euclides da Cunha, mas nada justifica nos dias atuais que homens matem mulheres ou percam a vida por causa de mulheres. Há mulheres sozinhas aos milhares, há os genéricos do gênero feminino aos montes, há os bordéis como aquele de Vilhena de onde saiu a história de que significativo número dos homens vilhenenses seria composto por sodomitas, enfim, há um sem-número de soluções emergenciais para homens sozinhos, não havendo qualquer necessidade de assassinar mulheres pelo fato de que elas tenham optado por novos parceiros, talvez mais bem-dotados, talvez mais belos, talvez mais ricos. Nada há que justifique tal gênero de violência contra as fêmeas da espécie humana.
En revenant à nos moutons, como dizem os franceses, lhomme le plus libre est celui qui na pas de passions, o que em bom português significa que o homem mais livre é aquele que não tem paixões. Ora, no caso específico dos sucessivos assassinatos de mulheres ocorridos
Matar mulheres por ciúmes é a mais cabal expressão de sandice. Não vale a pena tirar a vida de uma mulher pelo simples fato de que ela preferiu outro homem. Como todo castigo para corno é pouco, o assassino de mulheres muitas vezes termina a vida servindo de mulher para outros homens nos presídios. E o pior é que muitas vezes termina a vida em circunstâncias deploráveis, consumido pela AIDS ou outras enfermidades sexualmente transmissíveis. Ninguém merece tal sorte, aliás, só mesmo um corno indomável merece tal castigo.
Como sou um guaporeano, por natureza e por formação sou absolutamente avesso a assassinatos de mulheres. Isto não é apenas um discurso, mas sim uma convicção filosófica consolidada ao extremo. Certa vez, muitos anos atrás, chefiei uma expedição por uma região onde havia um certo risco de algum encontro inamistoso. A ordem que passei aos meus liderados foi taxativa: no caso de inevitável confronto, nada de alvejar mulheres e crianças. O objetivo da minha missão era pacífico e não houve felizmente nenhum encontro inamistoso. Mas, caso tivesse acontecido, o meu posicionamento seria rigorosamente aquele que foi delineado antes do início da missão.
Ora, se mesmo em situações extremamente críticas é repugnante o ato de matar uma mulher, imagine-se cometer tal tipo de crime apenas por um sentimento irracional de posse. Os cornos precisam compreender que já estamos vivendo no século XXI, que já não se admite tanta barbárie e tanta covardia praticadas contra as mulheres, pois afinal de contas a verdadeira utilidade de um corno é carregar os chifres que lhe foram implantados pelas suas parceiras, via de regra, muito belas, até porque os maridos das mulheres não dotadas de beleza, com as raras exceções que confirmam a regra, são venturosos parceiros de mulheres muito fiéis e honestas...
Fonte: MATIAS MENDES - matiasmendespvh@gmail.com
Membro fundador da Academia de Letras de Rondônia.
Membro correspondente da Academia Taguatinguense de Letras.
Membro correspondente da Academia Paulistana da História.
Membro da Ordem Nacional dos Bandeirantes Mater.
Membro do Instituto Histórico Geografico de Rondônia
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