Sexta-feira, 13 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Matias Mendes

SURPRESA: O Pequeno Paraíso


Depois dos breves dias de inatividade dedicados às celebrações de final de ano, é chegado o momento de começar o ano bissexto de 2008, ano que já começou algo abalado pelos solavancos sentidos na economia mundial. No cenário do Estado de Rondônia, o ano começa apenas com o antigo noticiário das devastações de florestas e invasões urbanas orquestradas por aspirantes à candidatura de vereador, os mesmos oportunistas que aparecem ciclicamnete desde os tempos de Raquel Cândido. O mercado imobiliário aquecido pela perspectiva da construção de hidrelétrica de Santo Antonio vai aos poucos tornando proibitivos os preços dos imóveis em Porto Velho e nas suas cercanias. Tal fato está contribuindo diretamente para que as pessoas busquem os recantos mais remotos do Estado para realizar o sonho da aposentadoria longe do burburinho urbano e da violência que aumenta em assustadora escalada.

Dentro da perspectiva de que a tranqüilidade futura não é mais possível em Porto Velho, na contramão do grande movimento migratório dos anos setenta do século passado que arrastou a população guaporeana para Porto Velho e outras localidades longe do Guaporé, conquanto já detenha a propriedade de um casebre em Costa Marques e uma casinha em Guajará-Mirim, Le Château de la Liber, resolvi dar mais um passo no caminho de volta em direção ao meu velho e legendário Guaporé, meu destino mais provável para os anos da inatividade que estão se aproximando com mais rapidez do que seria previsível no passado. Por tal razão, acabo de adquirir, na Avenida Walter Bártolo, distrito de Surpresa, no município de Guajará-Mirim, uma pequena quadra urbana de frente para a foz do Guaporé, local que certamente se tornará o meu mais provável endereço de temporadas de férias e recessos, isto enquanto não chega o tempo de pendurar as chuteiras e cuidar apenas das coisas mais amenas. Dispondo agora de uma vista privilegiada para a foz do Guaporé, coisa que não tenho nem em Costa Marques e nem em Guajará-Mirim, agora já posso ter a tranqüilidade de que tenho em mãos um pequeno pedaço de paraíso, que não chega a ser um latifúndio urbano, mas que já é o bastante para construir uma casinha com ampla varando, plantar a horta necessária ao complemento da alimentação que o rio dadivoso oferece e até mesmo plantar alguma mandioca e várias leguminosas. Como já disponho do transporte para singrar as águas do Mamoré e do Guaporé, pois a minha valente lanchinha continua estacionada em Costa Marques, a nova base na foz do Mamoré vai me proporcionar a confortável condição de ficar situado a meio percurso de Guajará-Mirim e do Forte do Príncipe da Beira. Aliás, quando for o caso, vou poder sair de Surpresa pela manhã, almoçar no Forte do Príncipe e voltar para dormir no meu ninho ribeirinho, contemplando a mansidão noturna das águas do Guaporé da varanda que será o meu dormitório mais freqüente. Sonho dos sonhos...

A pequena quadra urbana que agora faz parte do patrimônio da família Mendes pertencia até agora ao guaporeano de coração Walter Bártolo, que me distinguiu com a preferência de transferir a propriedade. A foz do Guaporé é um lugar mágico, o local onde viveu por muitos anos o Bispo Dom Roberto, na localidade de Sagarana. Na verdade, o correto mesmo é dizer Delta do Guaporé, já que esta é a configuração fisiográfica da região. A partir dali, numa viagem de voadeira, chega-se à comunidade indígena de Ricardo Franco em uma hora e chega-se ao Delta do Cautário em duas horas. Trata-se de localização estratégica na região do Baixo Guaporé. Não poderia haver melhor lugar para um ribeirinho emancipado e enfastiado de décadas de andanças urbanas. Encontrei finalmente o meu lugar ao sol às margens do meu tão querido Guaporé, e tal conquista faz-me ter a sensação de que toda a luta pela vida valeu de fato a pena.

Fonte: MATIAS MENDES  -  matiasmendespvh@gmail.com
Membro fundador da Academia de Letras de Rondônia.
Membro correspondente da Academia Taguatinguense de Letras.
Membro correspondente da Academia Paulistana da História.
Membro da Ordem Nacional dos Bandeirantes Mater.
Membro do Instituto Histórico Geografico de Rondônia

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoSexta-feira, 13 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

FÉRIAS: Viagem ao Centro do Brasil

FÉRIAS: Viagem ao Centro do Brasil

                    Por MATIAS MENDES                 No mês de julho, de férias, para compensar uma temporada pelas regiões remotas do Guaporé, meti

PEDRAS NEGRAS: Reflexões da Festa do Divino

PEDRAS NEGRAS: Reflexões da Festa do Divino

Por MATIAS MENDES                   O Distrito histórico de Pedras Negras, no rio Guaporé, entre os dias 15 e 19 de maio, há quase um mês, engalanou-s

BOTAFOGO: O Império da Mística

BOTAFOGO: O Império da Mística

                 Por MATIAS MENDES                   O Botafogo, famoso pela mística que o acompanha, não deixou por menos no ano de 2013, não permiti

BOATOS: Fazendas Fantasmas

BOATOS: Fazendas Fantasmas

                    Por MATIAS MENDES                   Dias atrás, neste mesmo espaço de imprensa, eu teci comentários a respeito da situação do muni

Gente de Opinião Sexta-feira, 13 de março de 2026 | Porto Velho (RO)