Sexta-feira, 23 de novembro de 2007 - 09h51
O subtítulo desta matéria refere-se a uma obra de poesia que tive oportunidade de conhecer recentemente durante os festejos de comemoração do 30º aniversário de emancipação do próspero município de Ji-Paraná, na data de 22 do corrente mês. O autor do belo livro de poemas é o guaporeano Maurino Nobre, poeta que certamente ainda despontará como um dos grandes da poesia estadual, a julgar pelo seu promissor livro de estréia, cujo título, Musa Errante, não poderia ser mais apropriado para uma obra do gênero poético.
Maurino Nobre é um poeta de competência indiscutível, maneja com muita habilidade o idioma pátrio e sabe muito bem desenvolver um texto em prosa, conforme podemos notar na auto-apresentação que faz do seu livro. É um literato de recursos estilísticos invejáveis, causando até certa estranheza que sendo tão bom tenha permanecido inédito por tanto tempo. A Poesia rondoniense, agora já integrante em caráter irrevogável da Poesia nacional pelo fato de ter outro guaporeano inserido no quadro restrito dos 178 Poetas Maiores do Brasil, foi grandemente enriquecida pela presença de Maurino Nobre, poeta que não tenham a menor dúvida de que veio para ficar e para se destacar entre os melhores do Estado. O velho e legendário Guaporé certamente que agradece pelo fato de que a sua pequena legião de bardos, na qual já pontilham nomes como Ednaldo Mendes de Almeida, José Mendes e Matias Mendes, acaba de ser reforçada de forma esplêndida pela inclusão no cenário de nossas letras do novel vate Maurino Nobre. O detalhe muito interessante é que todos os poetas aqui citados são integrantes de uma só família de guaporeanos.
No entanto, a despeito do laço de parentesco com o bardo jiparanaense, minha admiração pela sua obra nada tem a ver com laços de família ou com laços de regionalismo. Sua obra poética de estréia é o seu melhor passaporte para a notoriedade que já começa bafejá-lo, como se pode notar no elucidativo e brilhante prefácio inserido no livro pelo mestre do idioma pátrio Arlindo Xavier, que esquadrinha com a mais louvável competência os aspectos marcantes da obra do novo poeta. Mestre Arlindo Xavier, cujo português escorreito é de fazer inveja aos melhores catedráticos da língua pátria, comete no seu primoroso prefácio apenas um desculpável deslize na afirmativa em francês "Le style c'est l'homme même", certamente traído pela memória já distanciada dos seus anos de aprendizado da língua de Molière, como diria o legendário Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon ou mesmo algum velho legionário desgarrado da turma do savoir-faire que ainda vive e ainda luta aqui pelas bandas destas paragens do poente... De qualquer modo, Musa Errante é um livro bem escrito, muito bem apresentado e, sobretudo, magistralmente prefaciado por alguém que domina o assunto. Todos os responsáveis pelo projeto que resultou na publicação dessa notável obra estão de parabéns e merecem os aplausos da comunidade intelectual do Estado de Rondônia.
Toutefois, o progressista município de Ji-Paraná não dispõe apenas de grandes poetas. Lá também estão os prosadores notáveis com José da Penha Bezerra de Almeida, o já referido mestre Arlindo Xavier, o jovem escritor Carlos Reis, o professor e historiador Aragão (que se negou a trocar livros comigo, certamente porque os seus são de qualidade superior aos meus, conquanto eu consiga esse gênero de escambo com Mestres da História como Dante Fonseca, Marcos Domingues Teixeira, Abnael Machado de Lima e outros) e muitos outros. Aliás, o professor Aragão demonstrou que conhece muito bem a língua francesa, falando-a de forma bem fluente e perfeitamente inteligível, fato que me convenceu de que a cidade de Ji-Paraná é o melhor reduto para se praticar e matar as saudades desse idioma que me é tão caro e que desperta as mais raivosas manifestações dos monoglotas ressentidos de Porto Velho.
No que tange ao aspecto de infra-estrutura voltada para as manifestações culturais, cela va sans dire que o próspero município de Ji-Paraná dispõe de uma pelo menos dez vezes superior à que existe
Pour finir, embora tenha dado tudo errado na minha programação cultural de Ji-Paraná, restou-me uma fantástica vitória de Pirro por não haver somado ao prejuízo de tão malfadado deslocamento a perda da valise contendo objetos de minha estimação. Valeu a experiência! Programação de lançamento no interior do Estado nunca mais, do mesmo modo que nunca mais editei um livro meu
Fonte: MATIAS MENDES - matiasmendespvh@gmail.com
Membro fundador da Academia de Letras de Rondônia.
Membro correspondente da Academia Taguatinguense de Letras.
Membro correspondente da Academia Paulistana da História.
Membro da Ordem Nacional dos Bandeirantes Mater.
Membro do Instituto Histórico Geografico de Rondônia
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