Porto Velho (RO) sexta-feira, 5 de junho de 2020
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Gente de Opinião

Lúcio Flávio Pinto

O ensino em Belém


Gente de Opinião

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal
Belém (PA)

 

A Polícia Militar começou a semana com presença constante e ativa em torno da escola estadual de ensino fundamental e médio Nossa Senhora do Carmo, no complicado bairro do Tapanã.

Circulou bastante e fez palestras para os moradores. A razão: os crimes, sobretudo furtos e assaltos, cresceu muito ao longo deste semestre.

Antes da nove horas da noite de ontem (24) um grupo de jovens invadiu a escola, rendeu professores e alunos e levou objetos de valor, além de dinheiro. De nada valeu o esforço da PM para intimidar os bandos que gravitam pela área. Eles observam, escolhem o momento adequado e saem na caçada a bens alheios. É um estado permanente de tensão entre o predador e a sua vítima.

Em geral são menores e moram no próprio bairro, contrariando uma regra segundo a qual eles só atacam em outros bairros. Seu maior reduto é uma invasão que se formou recentemente num terreno que estava abandonado e o dono tentou, inutilmente, retomar.

Revoltados, os moradores já fizeram o linchamento de um ladrão. O outro, que já estava sendo espancado, foi salvo pelo aparecimento da polícia. A violência das vítimas costuma suspender os ataques, mas por pouco tempo. Neste ano eles se intensificaram e parece que assim continuará.

Por causa da violência, a última aula do turno noturno, que devia acabar depois das 22 horas, é encerrada antes das nove, sem com isso conseguir prevenir a invasão da escola, como aconteceu ontem. O vigia nada pode fazer: trabalha desarmado. O muro da deteriorada quadra de esportes ruiu, deixando à mostra um roteiro de invasão.

A escola possuía três turnos, mas, por alguma razão que não foi explicada pelo governo, o intermediário foi extinto. Por isso, alunos e professores que podiam estar menos expostos à violência de dia, têm que dar e receber aulas no momento mais arriscado da jornada.

É o estado do ensino público na periferia de Belém, do qual a escola do Tapanã é apenas um dos tristes exemplos.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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