Porto Velho (RO) sexta-feira, 5 de junho de 2020
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Gente de Opinião

Lúcio Flávio Pinto

O buraco aumenta



LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal
Em Belém (PA)


A administração de Dilma Rousseff realmente desmoralizou as contas públicas brasileiras. Mereceu – por razões técnicas e políticas, embora estas tenham prevalecido – o seu afastamento da presidência da república. Espera-se que não volte.

A leviandade na anotação dos números oficiais, entretanto, permaneceu a mesma. Pode até ter piorado, sob a aparência de correção.

De fato, não se pode levar a sério um governo que projeta superávit fiscal e a conta de chegada anota um déficit cavalar. A pretexto de colocar os números em ordem, o governo Michel Temer, pelas mãos do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, resolveu trabalhar com excesso de previsão negativa.

O cenário criado é o pior, seguindo o cálculo mais negativo possível, embora sob bases concretas. Se é assim, deixará de haver risco de erro. O que é óbvio: a meta tudo absorve, já que o objetivo a ser alcançado é o déficit, não o superávit, que o atual governo renunciou a alcançar, certamente por ser uma tarefa dificílima (mas não impossível).

Abre-se ,assim, uma avenida para todos os tipos de gastos, os necessários, os que podiam ser evitados e os absurdos, como os reajustes salariais que têm sido dados aos servidores públicos federais, e os perdões e subsídios de sentido político.

O excesso de gastos sobre a carência de receitas se tornou um fato normal, mesmo chegando ao valor estratosférico de 170 bilhões de reais em um único ano, como o previsto para este ano e mais R$ 150 bilhões para 2017. Ou seja: um buraco de R$ 320 bilhões em dois anos.

Se a União procede dessa maneira, logo os Estados e municípios a seguirão. Num rumo desconhecido e perigoso.

irão adotar essa nova regra de administração pública.

Quem bancará essa conta? Provavelmente, o Banco Central, superlotando sua carteira de títulos da dívida do governo, que lhe imporá o terrível cardápio, já que a independência do BC é uma ficção.

Em último caso, já se sabe sobre quem o ônus recairá: sobre as empresas que fecham e o trabalhador que perde seu emprego.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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