Quinta-feira, 5 de abril de 2007 - 05h01
Sim, porque da maneira como se encontra a atual – e, sem dúvida, maior crise institucional nestes 22 anos de funcionamento dos Poderes do Estado, uma crise em que acima de tudo ameaça a própria funcionalidade do Estado, há necessidade de um “bombeiro”.
Não daqueles bombeiros que corajosamente arriscam suas vidas para acabar incêndios ou buscar corpos de afogados. No caso, precisa-se de uma instituição capaz de encontrar caminhos que levem ao cumprimento do que prevê o artigo 2º da Constituição Federal, ao preconizar que “São Poderes da União, independentes e harmônicos…”.
Para os analistas políticos Paulo Correia e Francisco Matias, não há dúvida: a raiz de toda a questão está na zona da mata rondoniense, uma disputa paroquial, nicho de votos de dois dos chefes dos Poderes, o governador Ivo Cassol e o presidente da Assembléia Legislativa deputado Carlão de Oliveira.
Sente-se a falta, de parte do Poder Executivo, de uma voz capaz de servir de ponte entre os lados envolvidos. Mais que isso, agora se sente a falta de um “bombeiro”, alguém que faça os lados envolvidos sentar em torno de uma mesa redonda e encontrar um caminho de entendimento.
Até porque, da maneira como as coisas caminham, quem corre o risco de sofrer as conseqüências é a sociedade. E aqui é necessário atentar que a linha direta, entre chefes de Poderes, deve ser, sempre, sem intermediários, até em razão da dimensão que o eventual titular de qualquer dos lados ocupe, sem misturar o sentimento pessoal com o interesse público.
No momento em que um dos lados mistura as coisas ou não se coloca conforme a dimensão de sua posição constitucional, então se corre o risco de se chegar à situação como a de agora, em que, no fundo, quem perde somos todos nós.
É necessário considerar fatos antecedentes: no atual período oriundo das urnas de 2002, não é a primeira crise institucional. Só que, desta vez, a coisa é bem séria, porque, além da questão orçamentária há, ainda, a proposta de autorização, por parte do STF, para que siga adiante processo contra o governador.
E nesse momento, em que se encontra duplamente fragilizado o chefe do Poder Executivo bem que poderia, ele mesmo, buscar canais de melhor relacionamento com o Poder Legislativo, encontrando interlocutores, ouvindo assessores que não lhe digam apenas “amém”, mas que sejam capazes de arriscar o contra-cheque.
Daí que instituições que historicamente têm se mostrado capazes de ajudar a encontrar caminhos, devem se manifestar, casos da Igreja e da OAB, que, face à situação, devem assumir a responsabilidade de fazerem os contendores sentar em torno da mesa redonda, e tentar encontrar um caminho, agindo como se espera do grupamento comandado pelo coronel Dionízio.
Até outro dia, se Deus quiser!
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