Segunda-feira, 8 de junho de 2026 - 07h45

Bagé,
08.06.2026
Mais uma vez tenho a hora de repercutir um
artigo de meu caro Amigo, Irmão e Mestre Higino Veiga Macedo.
Quinbequiano
(Higino Veiga Macedo)
Início do ano de 1974. Um Segundo Tenente se apresenta
“PRONTO” para o Serviço, como requer
o jargão formalizado, nos regulamentos. Coração aflito. A incerteza do que
faria, como faria, onde faria, alimentava a insegurança. Mas, ali, tantas e
tantas pessoas faziam bem o que tinham de fazer, como eu também não faria?
Mas o 5º BEC era assustador. De Barracão
Queimado, em Mato Grosso, ao Rio Envira, no Acre, domínio sobre a BR-364; de
Abunã a Guajará-Mirim, em Rondônia, ainda Território, a BR-425; de Humaitá a
Lábrea no Amazonas, ainda por terminar o Desmatamento, da BR-230... responsável
ainda pela paralisada BR-421, Ariquemes a Guajará Mirim, apenas com
desmatamento e poucos quilômetros de TERRAPLENAGEM.
O Comandante não era um Comandante como nas
acepções da guerra, ou do combate em Teatro de Operações. Era, além de
Comandante na literalidade, também o GOVERNADOR desse Teatro. O Batalhão teve
de criar as condições de sobrevivência de sua tropa e seus familiares em
qualquer lugar onde havia alguém destacado. Na apresentação, tantas coisas
diferentes do que se aprende nos bancos escolares de formação militar!!!
Em Porto Velho o Batalhão tinha granja onde
produzia tudo: hortaliças, ovos, carnes de frango, suíno e bovino... vacas
leiteiras. Na entrada do Quartel ficavam as instalações do SAS – Serviço de
Assistência Social. Assim como os romanos criavam as Colônias Militares, o 5°
BEC teve de criar sua Colônia e a partir dela sustentar suas frentes de
trabalho. E não eram apenas alimentos. Era tudo que uma cidade e seus moradores
precisavam: material de higiene, roupas, calçados, material de cozinha, roupas
de cama, toalhas... fardamentos militares.
O fornecido pelo EB, duas mudas de roupa por
militar, para Cabos e Soldados, eram insuficientes para enfrentar Sol e chuva
nas frentes de trabalho. Os Sargentos e Oficiais teriam que comprar tudo, do
coturno ao Chapéu Bandeirante.
Quando ali
cheguei, no restantes dos Quartéis do Brasil existiam os saudosos ARMAZÉNS
REEMBOLSÁVEIS (AR)... E convivi com eles pois, em Campo Grande, hoje em MS,
devido ao grande números de militares e civis, havia o Serviço de Subsistência,
algo já parecido com os atuais SUPERMERCADOS. No TO ([1]) do 5º BEC era
Supermercado como os atuais. O primeiro em Rondônia...
O Batalhão tinha Tipografia onde todos os
formulários necessários eram impressos.... O números de CLT SAS ([2]) era assombroso. Quando
ali cheguei, eram perto de dois mil funcionários. Do Rio de Janeiro, escritório
do Seu Macário e depois do Gilvan Queiroz a Feijó no Acre, com passagem por
Humaitá, tinham funcionários do SAS.
E essa cobertura de Assistência Social,
passava pelo apoio em saúde. Criou-se o melhor Hospital de Rondônia, em antigas
instalações da Madeira-Mamoré; e os Ambulatórios, na sede, bem como uma potente
Clínica Odontológica. O conjunto era a Policlínica do 5° BEC. Nos acampamentos,
por insuficiência de médicos, por ser a unidade apenas um Batalhão, haviam
enfermeiros treinados para socorro dos mais variados: da malária à picadas de
insetos.
Esse foi o 5° BEC que encontrei.
Mas muito mais que isso foi algo que somente
um estudioso em psicologia poderia estudar. Havia em todos uma aura de
comprometimento. Qualquer missão era cumprida não pela obrigação, mas pelo
prazer de
ser capaz e pela vontade
de servir.
Como diz a letra da canção, de feliz inspiração do então Capitão Lauro Augusto
Andrade Pastor Almeida ([3]):
Ecoam no Céu
Mil estrondos sem
par
Na Terra, no Ar
Vê-se o progresso
abrir seus véus
E a estrada
avançando vai
A selva
desbravando até o fim
É o Quinto que vai
Sem Temor, sem
parar...
E rugem motores
No solo a rasgar,
Enormes tratores
Removem a terra
sem parar
E a estrada cresce
num olhar
Trazendo a
Amazônia ao Brasil
É o Quinto que vai
Sem temor, sem
parar...
E juntos iremos
Na nossa missão
Civis e Soldados
Mostrando a força da união
E a Pátria agradecida
vai
A todo esse
trabalho enaltecer,
É o Quinto que vai
Sem temor, sem
parar...
Hurra!
Formava-se ali um só Corpo com diferentes
partes como são todos os corpos humanos. Havia mais que “vocação ao trabalho.... havia a fraternidade devocional”.
Assim, nesse culto ao DEVER de servir, unir,
desbravar, construir, fazer se tornou a maior Escola de Engenharia do Exército.
Obras continuadas de diferentes missões, em diferentes terrenos. Para os Oficiais
e Sargentos era uma universidade; para os Cabos e Soldados o aperfeiçoamento
contínuo. Havia funções em que os Cabos e Soldados era cognominados de “PhD” da função.
Ali foi a maior escola de liderança. Como
Segundo Tenente tive a honra de comandar quase duzentos civis e cento e
cinquenta militares num acampamento só. Ali, como nas guerras, como nas “linhas de contato de qualquer guerra”,
dormíamos no mesmo “tapirí”, comíamos
a mesma comida e conversávamos como combatentes, “cada um respeitando a função do outro”. Não havia o medo de a
amizade se deteriorar em intimidades. Praticávamos os 3 H – Honestidade, valor
moral; Honradez, valor pessoal; Hombridade, coragem moral.
Voltando à tipografia, os modelos eram todos
com seus modelos numerados. Todos tinha a primeira referência MODELO QUINBEC
Nr... !
E esse é o mote para esse texto: tudo o que
se fez no Quinto BEC, tudo o que se construiu em seu nome; tudo o que se
aprendeu ali todos, mas todos, “fomos”
MODELOS QUINBEQUIANOS... Todos, inclui nós humanos também. Daí eu propor:
Todos os que passaram pelo 5° Batalhão de
Engenharia de Construção: Oficiais, Sargentos, Cabos, Soldados, Soldados
Reservistas, Funcionários Civis – Madeira de Ferro madeira Mamoré; DNER; CLT
Batalhão, CLT SAS, TODOS nós somos QUINBEQUIANOS. A palavra é um neologismo,
copiado dos velhos Modelos QUINBEC.
Assim, concito a todos os que serviram no 5°
BEC, que passemos a nos cumprimentar e a nos despedirmos como QUINBEQUIANO.
Cumprimento AO CHEGAR: “Salve ou Bom Dia
ou Boa Noite QUINBEQUIANO”; AO SAIR: “Valeu
ou Até Breve ou Abraço QUINBEQUIANO”.
Com a “expertise”
do Coronel de Engenharia LUCIANO ROCHA SILVEIRA, foi criado por ele, a pedido,
as imagens abaixo. Vamos transforma-las em uma figurinha de WhatsApp, para
tornar nossas presenças mais facilitadas. O Coronel criou o QUINBEQUIANO, a
seguir mostrado em imagens JPG.
Sic Cogito – Higino
Solicito Publicação
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do
Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato
Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre
(CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura
do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério
Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato
Grosso do Sul;
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando
Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia
Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do
Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio
Grande do Sul (IHTRGS – RS);
Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia
(ACLER – RO);
Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio
Grande do Sul (AMLERS);
Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da
Escola Superior de Guerra (ADESG);
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós
(IHGTAP)
E-mail: [email protected].
Link: https://www.youtube.com/results?search_query=%22Hiram+Reis+e+Silva%22
[1] TO: Teatro de Operações. (Hiram Reis)
[2] SAS: Seção de Assistência
Social. (Hiram Reis)
[3] Eu estava, em 1973, cursando a Academia das
Agulhas Negras (AMAN) quando tive a honra e o privilégio de assistir a uma
palestra do Cap Pastor concitando aos Cadetes do 2° ano a escolherem a
Engenharia como sua futura Arma. Eu tinha, no Colégio Militar de Porto Alegre
concluído, em 1969, o CFR (Curso de Formação de Reservistas) de Infantaria, em
1970 fui Comandante de Pelotão do CFR de Infantaria e, em 1971, Comandante de
Companhia do CFR de Infantaria. Graças ao Cap Pastor optei, na AMAN, pela
Engenharia tendo em vista os inúmeros desafios que teria de enfrentar. Mas
sempre mantive uma especial simpatia pela Arma de Infantaria que foi
materializado na conquista do 1° lugar nas competições de PELOPES (Pelotões de
Operações Especiais), no ano de 1977, no âmbito da 6ª DE (6ª Divisão de
Exército), também conhecida como Divisão Voluntários da Pátria. (Hiram Reis)
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