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Hiram Reis e Silva

Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência – XXXIII


Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência – XXXIII  - Gente de Opinião

Bagé, 10.02.2025

 

Continuando engarupado na memória:

 

 

Tribuna da Imprensa n° 4.296, Rio, RJ

Terça-feira, 10.03.1964

 

Em Primeira Mão

(Hélio Fernandes)

 

 

O Exército em peso está contentando a nova negociata do sr. Antenor Mairinque Veiga, com a venda de fuzis belgas. A história, contada em detalhes, é a seguinte. Foi feita uma concorrência para a compra de 22 mil fuzis. Participaram da concorrência: americanos, suíços, belgas e alemães. Os norte-americanos e suíços foram eliminados imediatamente, ficando apenas as firmas belgas e alemãs. Todas as condições, prazo de entrega, preço, forma de pagamento, financiamento etc., favoreciam a firma alemã. Mas o sr. Antenor Mairinque Veiga, valendo-se da sua inegável habilidade e das suas relações, conseguiu torcer a concorrência, aparecendo surpreendentemente como vencedor.

 

Vejamos em detalhes as duas propostas: os fuzis belgas são praticamente obsoletos e recusados por todos os Países da Europa. As tropas da NATO são totalmente equipadas com os fuzis alemães G-3. Apenas os belgas, por questão de interesses próprios, continuam usando o FAL. O G-3 é de uma simplicidade absoluta, tendo umas 50 peças a menos do que o FAL. O G-3 funciona com qualquer tipo de munição, enquanto o FAL precisa de munição importada, pois a sua fabricação é extremamente complicada.

 

Preço: o alemão é mais barato do que o belga 3 dólares por unidade. Além do mais os alemães dão de graça a baioneta enquanto os belgas cobram a baioneta por fora. O sr. Antenor Mairinque Veiga, depois de perdida a concorrência conseguiu convencer a algumas pessoas do Ministério da Guerra, obviamente interessadas no negócio, que se em vez de 22 mil fuzis a encomenda fosse de 50 mil ele poderia baixar o preço da unidade. É lógico que os alemães que já cobram mais barato por 22 mil cobrarão ainda mais barato se a encomenda for de 50 mil.

 

Condições de pagamento: os belgas exigem o pagamento contra entrega, isto é, mais ou menos 10 milhões de dólares em seis meses. Sendo um pequeno, País, a Bélgica não tem condições de comprar coisa alguma ao Brasil. Já a Alemanha, Alemanha Ocidental diga-se, faz ao Brasil a seguinte proposta: em vez de pagar em dólar, o governo brasileiro pagará os fuzis em minério da Vale do Rio Doce. Sendo a Alemanha um dos maiores consumidores de minério no mundo, e não importando até este momento uma grama do Brasil, isto significaria a abertura de um novo mercado para o nosso minério.

 

Ainda há outra vantagem oferecida pelo G-3, sendo uma arma simplíssima, a sua fabricação poderá ser iniciada rapidamente no Brasil, sem que se tenha que despender um dólar ou sem que seja necessário adquirir uma só máquina. Como a maior parte das suas peças é estampada elas podem ser feitas no Brasil. A indústria automobilística possui a maquinaria necessária a essa fabricação.

 

Em suma: o fuzil alemão é mais potente, mais fácil de manejar, mais fácil de fabricar no Brasil, utiliza toda e qualquer espécie de munição, até as que são fabricadas pela Fábrica Estrela, é mais barato, com ele virão de graça as baionetas não precisaremos despender um só dólar para o pagamento, pois o vendedor aceita receber em minério da Vale do Rio Doce. Por que diabo, com todas essas vantagens, vamos comprar fuzis da Bélgica, que não nos oferece uma só vantagem.

 

A opinião pública espera que o Alto Comando do Exército examine esse assunto, para comprar os fuzis alemães, altamente vantajosos para o País. Afinal que misterioso poder tem o sr. Antenor Mairinque Veiga para obrigar o País a comprar fuzis velhos por 10 milhões de dólares quando pode comprar outros, muito mais modernos, sem despender um níquel de tostão?

 

# Arrais Repele Ação Golpista de Jango #

(Mauro Braga)

 

Os propósitos continuístas do sr. João Goulart provocaram sério atrito entre o governador Miguel Arrais e o sr. Darci Ribeiro, domingo, em Brasília, quando o chefe do Executivo pernambucano desabafou que estaria disposto a apoiar uma reforma constitucional no capítulo das elegibilidades, “mas um golpe, nunca”. A propósito: as primeiras manifestações públicas continuístas serão dadas a público no comício do dia 13, uma vez que centenas de faixas estão sendo preparadas, em círculos mais ligados ao presidente da República, com os dizeres “Jango-65”. As esquerdas voltaram a manifestar, nestes últimos dias, suas apreensões diante das intenções do sr. João Goulart de permanecer no Governo.

 

O desentendimento entre o governador Miguel Arrais, que chegou ao Rio especialmente para encontros com Jango, Brizola e o ex-ministro João Mangabeira e o sr. Darci Ribeiro começou quando o governador pernambucano falou das apreensões registradas nos “setores mais responsáveis” das esquerdas, diante das evidentes manobras continuístas do presidente, evidenciadas pela crescente onda de agitação que, com a concordância do Governo, desenvolve-se no País.

 

O sr. Arrais exemplificou com os últimos acontecimentos verificados em Pernambuco quando o sr. João Goulart somente se dispôs a intervir depois de denunciada sua passividade.

 

O chefe da Casa Civil, já a esta altura entrando em franca altercação com o sr. Arrais procurou desmentir, acabando por desabafar e soltar a suspeitíssima declaração de que:

 

O regime não tem condições para suportar 18 meses de campanha da candidatura Carlos Lacerda.

 

Disse o governador Miguel Arrais, encerrando a discussão, que apoiava a reforma constitucional no capítulo das elegibilidades e que propiciaria ao presidente oportunidade de disputar as eleições, “o que beneficiaria também o sr. Leonel Brizola”, mas que não poderia “jamais concordar com qualquer tentativa de golpe ou supressão das liberdades democráticas”.

 

O governador de Pernambuco pretende, ainda conversar com o sr. João Goulart e dizer-lhe de viva voz suas apreensões sobre o rumo dos acontecimentos. Procurará também o sr. Leonel Brizola, a quem acusa de tomar posição demasiado individualista, “prejudicando a ação e a unidade das esquerdas”.

 

Das milhares de faixas que estão sendo confeccionadas em diversos setores, centenas delas, a par das que reclamam as reformas agrária e urbana, colocam nas ruas a campanha pela permanência do sr. João Goulart, através de cartazes com os dizeres “Jango 65”. E tudo está sendo preparado nos setores notoriamente ligados ao sr. João Goulart.

 

O sr. Hélio Beltrão, candidato preferido do sr. Carlos Lacerda ao governo da Guanabara, defenderá sua plataforma a necessidade do prosseguimento da obra administrativa do atual chefe do Executivo carioca, com a qual se considera plenamente identificado, haja visto que foi o principal planejador da reforma administrativa do Estado. Aliás depois que o nome, do sr. Hélio Beltrão começou a aparecer efetivamente como candidato, as prévias realizadas pelo sr. Amaral Neto de imediato mostraram o crescimento daquele nome. Isso está sendo considerado pelo sr. Hélio Beltrão como um bom indício de suas possibilidades, visto que ainda nem começou a campanha. [...]

 

 (*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

Link: https://youtu.be/9JgW6ADHjis?feature=shared

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);

Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)

Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);

E-mail: [email protected]

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