Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025 - 08h15

Bagé, 10.02.2025
Continuando
engarupado na memória:
Tribuna da
Imprensa n° 4.296, Rio, RJ
Terça-feira,
10.03.1964
Em Primeira Mão
(Hélio Fernandes)
O Exército em peso
está contentando a nova negociata do sr. Antenor Mairinque Veiga, com a venda de fuzis belgas. A história, contada em
detalhes, é a seguinte. Foi feita uma concorrência para a compra de 22 mil
fuzis. Participaram da concorrência: americanos, suíços, belgas e alemães. Os
norte-americanos e suíços foram eliminados imediatamente, ficando apenas as
firmas belgas e alemãs. Todas as condições, prazo de entrega, preço, forma de
pagamento, financiamento etc., favoreciam a firma alemã. Mas o sr. Antenor
Mairinque Veiga, valendo-se da sua inegável habilidade e das suas relações,
conseguiu torcer a concorrência, aparecendo surpreendentemente como vencedor.
Vejamos em detalhes as
duas propostas: os fuzis belgas são praticamente obsoletos e recusados por
todos os Países da Europa. As tropas da NATO são totalmente equipadas com os
fuzis alemães G-3. Apenas os belgas, por questão de interesses próprios,
continuam usando o FAL. O G-3 é de uma simplicidade absoluta, tendo umas 50
peças a menos do que o FAL. O G-3 funciona com qualquer tipo de munição,
enquanto o FAL precisa de munição importada, pois a sua fabricação é
extremamente complicada.
Preço: o alemão é mais
barato do que o belga 3 dólares por unidade. Além do mais os alemães dão de
graça a baioneta enquanto os belgas cobram a baioneta por fora. O sr. Antenor
Mairinque Veiga, depois de perdida a concorrência conseguiu convencer a algumas
pessoas do Ministério da Guerra, obviamente interessadas no negócio, que se em
vez de 22 mil fuzis a encomenda fosse de 50 mil ele poderia baixar o preço da
unidade. É lógico que os alemães que já cobram mais barato por 22 mil cobrarão
ainda mais barato se a encomenda for de 50 mil.
Condições
de pagamento: os belgas exigem o pagamento contra entrega, isto é, mais ou
menos 10 milhões de dólares em seis meses. Sendo um pequeno, País, a Bélgica
não tem condições de comprar coisa alguma ao Brasil. Já a Alemanha, Alemanha
Ocidental diga-se, faz ao Brasil a seguinte proposta: em vez de pagar em dólar,
o governo brasileiro pagará os fuzis em minério da Vale do Rio Doce. Sendo a
Alemanha um dos maiores consumidores de minério no mundo, e não importando até
este momento uma grama do Brasil, isto significaria a abertura de um novo
mercado para o nosso minério.
Ainda
há outra vantagem oferecida pelo G-3, sendo uma arma simplíssima, a sua
fabricação poderá ser iniciada rapidamente no Brasil, sem que se tenha que
despender um dólar ou sem que seja necessário adquirir uma só máquina. Como a
maior parte das suas peças é estampada elas podem ser feitas no Brasil. A
indústria automobilística possui a maquinaria necessária a essa fabricação.
Em
suma: o fuzil alemão é mais potente, mais fácil de manejar, mais fácil de
fabricar no Brasil, utiliza toda e qualquer espécie de munição, até as que são
fabricadas pela Fábrica Estrela, é mais barato, com ele virão de graça as
baionetas não precisaremos despender um só dólar para o pagamento, pois o
vendedor aceita receber em minério da Vale do Rio Doce. Por que diabo, com
todas essas vantagens, vamos comprar fuzis da Bélgica, que não nos oferece uma
só vantagem.
A
opinião pública espera que o Alto Comando do Exército examine esse assunto,
para comprar os fuzis alemães, altamente vantajosos para o País. Afinal que
misterioso poder tem o sr. Antenor Mairinque Veiga para obrigar o País a
comprar fuzis velhos por 10 milhões de dólares quando pode comprar outros,
muito mais modernos, sem despender um níquel de tostão?
# Arrais Repele Ação
Golpista de Jango #
(Mauro Braga)
Os propósitos
continuístas do sr. João Goulart provocaram sério atrito entre o governador
Miguel Arrais e o sr. Darci Ribeiro, domingo, em Brasília, quando o chefe do
Executivo pernambucano desabafou que estaria disposto a apoiar uma reforma
constitucional no capítulo das elegibilidades, “mas um golpe, nunca”. A propósito: as primeiras manifestações
públicas continuístas serão dadas a público no comício do dia 13, uma vez que
centenas de faixas estão sendo preparadas, em círculos mais ligados ao
presidente da República, com os dizeres “Jango-65”.
As esquerdas voltaram a manifestar, nestes últimos dias, suas apreensões diante
das intenções do sr. João Goulart de permanecer no Governo.
O desentendimento
entre o governador Miguel Arrais, que chegou ao Rio especialmente para
encontros com Jango, Brizola e o ex-ministro João Mangabeira e o sr. Darci
Ribeiro começou quando o governador pernambucano falou das apreensões
registradas nos “setores mais
responsáveis” das esquerdas, diante das evidentes manobras continuístas do
presidente, evidenciadas pela crescente onda de agitação que, com a
concordância do Governo, desenvolve-se no País.
O sr. Arrais
exemplificou com os últimos acontecimentos verificados em Pernambuco quando o
sr. João Goulart somente se dispôs a intervir depois de denunciada sua
passividade.
O chefe da Casa Civil,
já a esta altura entrando em franca altercação com o sr. Arrais procurou
desmentir, acabando por desabafar e soltar a suspeitíssima declaração de que:
O regime não tem condições para suportar 18 meses
de campanha da candidatura Carlos Lacerda.
Disse o governador
Miguel Arrais, encerrando a discussão, que apoiava a reforma constitucional no
capítulo das elegibilidades e que propiciaria ao presidente oportunidade de
disputar as eleições, “o que beneficiaria
também o sr. Leonel Brizola”, mas que não poderia “jamais concordar com qualquer tentativa de golpe ou supressão das
liberdades democráticas”.
O governador de
Pernambuco pretende, ainda conversar com o sr. João Goulart e dizer-lhe de viva
voz suas apreensões sobre o rumo dos acontecimentos. Procurará também o sr.
Leonel Brizola, a quem acusa de tomar posição demasiado individualista, “prejudicando a ação e a unidade das
esquerdas”.
Das milhares de faixas
que estão sendo confeccionadas em diversos setores, centenas delas, a par das que
reclamam as reformas agrária e urbana, colocam nas ruas a campanha pela
permanência do sr. João Goulart, através de cartazes com os dizeres “Jango 65”. E tudo está sendo preparado
nos setores notoriamente ligados ao sr. João Goulart.
O sr. Hélio Beltrão,
candidato preferido do sr. Carlos Lacerda ao governo da Guanabara, defenderá
sua plataforma a necessidade do prosseguimento da obra administrativa do atual
chefe do Executivo carioca, com a qual se considera plenamente identificado,
haja visto que foi o principal planejador da reforma administrativa do Estado.
Aliás depois que o nome, do sr. Hélio Beltrão começou a aparecer efetivamente
como candidato, as prévias realizadas pelo sr. Amaral Neto de imediato
mostraram o crescimento daquele nome. Isso está sendo considerado pelo sr.
Hélio Beltrão como um bom indício de suas possibilidades, visto que ainda nem
começou a campanha. [...]
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
Link: https://youtu.be/9JgW6ADHjis?feature=shared
Campeão do II
Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente
da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do
Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do
Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do
Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4°
Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da
Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da
Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do
Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
Membro da
Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);
Membro da
Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
Membro do
Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)
Comendador da
Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);
Colaborador
Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);
Colaborador
Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);
E-mail: [email protected]
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