Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026 - 11h23

Bagé, RS, 09.02.2026
Vamos continuar reproduzindo as
reportagens da Revista Manchete:
Manchete n° 890, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 10.05.1969
Porque a Petrobras Continua Intocável
O General Roca Diegues, que há 13 anos
integra a equipe dirigente da Petrobras, faz revelações sobre a manutenção,
pelo Governo Revolucionário, do monopólio estatal do petróleo
Porque a Petrobras Continua Intocável
(Texto de Afonso de Noronha
Foto de Lúcia Sjostedt Sweet)
O monopólio estatal do petróleo será mantido em sua
plenitude, e os monopólios do refino e do transporte serão rigorosamente
preservados, com a manutenção das concessões legalmente amparadas e de há muito
outorgadas à iniciativa privada.
Esta advertência foi feita, semanas
atrás, pelo General Valdemar Levy Cardoso, novo Presidente da Petrobras, ao
manifestar o propósito de sua administração de modernizar aquela poderosa
empresa, dentro das linhas de uma política nacional de petróleo que vigora há
15 anos e que o Governo da Revolução de 1964 considerou intocável.
Repórter: Mas em que consiste a intocabilidade
da Petrobras?
Esta pergunta é respondida pelo
General Adolpho Roca Dieguez, um dos diretores da empresa. Sobre ele, dizem os
funcionários:
Esse homem conhece a
Petrobras como a palma de sua mão.
Com efeito, o General Roca Dieguez
começou a prestar serviços à Petrobras em 1956, dois anos após a sua fundação.
Durante cerca de quatro anos foi superintendente da Refinaria Presidente
Bernardes, em Cubatão, S. Paulo. Em abril de 1964, logo após o Movimento
Revolucionário, o Presidente Castello Branco o nomeou Diretor da Petrobras,
para o exercício de um mandato de três anos. O Marechal Costa e Silva
confirmou-o no cargo. Assim, há cinco anos vem o General Roca Dieguez exercendo
as suas funções. E tem sob a sua responsabilidade a área econômica e financeira
da empresa; o planejamento a curto, médio e longo prazo; toda a parte
comercial, envolvendo a compra de petróleo e das matérias-primas demandadas
pelas refinarias do País e a venda de toda a produção da Petrobras. E, além
disso, cabe-lhe a supervisão e orientação do Departamento de Transporte da
Petrobras, que é o executor dos programas de transporte marítimo realizado pela
FRONAPE ([1]),
e do transporte terrestre por oleodutos.
Perguntamos inicialmente ao General
Roca Dieguez: O monopólio estatal do petróleo continua intocável. Mas qual o
seu conceito de intocabilidade?
General
Roca Dieguez: O
monopólio estatal do petróleo foi instituído pelo Governo Brasileiro em 1953,
através da lei n° 2.004, de 3 de outubro. Ele se exerce sobre a pesquisa e a
lavra de petróleo, em todo o Território Nacional, sobre a refinação e sobre o
transporte marítimo de cabotagem e por condutos. Em 1963, por força do Decreto
n° 53.337, de 23 de dezembro, foi estendido a todas as importações brasileiras
de petróleo e seus derivados. De acordo com essa legislação, o monopólio é
exercido, em nome da União Federal, de um lado pelo Conselho Nacional do Petróleo,
como órgão de orientação e fiscalização, e do outro pela Petrobras, como órgão
de execução.
Dessa forma, desde 1953, vem a Petrobras
sendo a
executora da política monopolista de
petróleo vigente no Brasil
e, nos
cinco anos
de Governo
Revolucionário, jamais se pensou em modificar essa política, seja ampliando
o seu
campo
de ação, seja restringindo-o.
O conceito de intocabilidade do monopólio estatal do petróleo, que acaba de ser
reafirmado, em nome do Governo, pelo Ministro Antônio Dias Leite Júnior, das
Minas e Energia, no discurso proferido na posse do Marechal Levy Cardoso, novo Presidente
da Petrobras, implica, portanto, na intransigente manutenção dos princípios
estabelecidos pela lei n° 2.004, dentro de sua interpretação institucional que,
presentemente, é também constitucional na parte relativa à exploração e à
produção de petróleo.
Repórter:
O que significa, para
o Brasil, o fato de ter a Petrobras alcançado a meta de produção de 200.000
barris diários de petróleo?
General
Roca Dieguez:
Significa muito. Num País de dimensões continentais como o Brasil, que dispõe
de cerca de 3 milhões de quilômetros quadrados de bacias sedimentares
prospectáveis, onde até agora a resposta geológica não tem sido magnânima em
termos de petróleo, essa meta de produção representa, fundamentalmente, o êxito
de um grande esforço, técnico e financeiro. Esse esforço, que tem sido
continuado e crescente, no tempo e no espaço, desde há trinta anos atrás, se
traduz por um recobrimento de pesquisa na quase totalidade das bacias
sedimentares continentais e por investimentos de risco, realizados para esse
fim, que totalizam 923 milhões de dólares em termos de moeda estável, dos quais
440 milhões (48%) nos últimos cinco anos, despendidos em sua maior parte em
moeda nacional.
Graças a esse vasto programa de
trabalho foi dado comprovar, no final do ano passado, a existência de reservas
recuperáveis de 130,67 milhões de metros cúbicos de petróleo (823 milhões de
barris) e de 26.804,54 milhões de metros cúbicos de gás natural, afora o que
até agora se produziu em nosso País, ou seja, 67,5 milhões de m3 de
petróleo (422 milhões de barris) e 7.040 milhões de m3 de gás. Vale
dizer que, diante dos resultados agora atingidos, cada barril de petróleo
descoberto em nosso subsolo custou ao Brasil apenas US$ 0.72. Em termos
econômicos e financeiros, portanto, a produção estável atual, de 200.000 barris
diários de petróleo, significa poupança de cerca de 55% no custo da energia
petrolífera, em relação aos custos importação, e uma economia anual de divisas,
para o Brasil, de cerca de 140 milhões de dólares. E isto somente no petróleo
bruto que se deixará de importar.
Repórter: Qual o índice de participação do
petróleo nacional no consumo brasileiro de derivados de petróleo, e quais as
perspectivas de incremento de produção diante da expansão econômica do Brasil?
General
Roca Dieguez: Em 1968
a produção brasileira de petróleo foi de 9,51 milhões de metros cúbicos (60
milhões de barris) representando um acréscimo de 10% sobre a produção ano
anterior que, por sua vez, também o ofereceu um índice de 26% de aumento sobre
a produção de 1966. Quanto ao consumo de derivados de petróleo, foi de 25,797
milhões de m3 (161,3 milhões de barris) em 1968, representando um
incremento de 15,4% sobre a de 1967, e oferecendo a média diária de 442 mil
barris. Embora em 1968 haja ocorrido um incremento anormal de consumo de
derivados, porquanto jamais se registrou anteriormente incremento anual
superior a 8% em relação ao ano anterior, a produção brasileira de petróleo
representou, naquele ano, o atendimento de 37% das necessidades do mercado. Com
base nas reservas até agora descobertas em terra firme, e diante da
parcimoniosa resposta geológica que tem sido conservadora até agora, seria
extremamente difícil continuar, para o futuro, melhorando sensívelmente o
índice de participação do petróleo nacional no mercado consumidor de derivados
de petróleo.
Daí havermos voltado todas as
esperanças
para a plataforma continental
brasileira, onde
as primeiras
pesquisas
submarinas foram
extremamente bem sucedidas na costa de
Sergipe, embora prossigam, em ritmo
crescente, as pesquisas nas bacias sedimentares localizadas em terra firme para
cuja execução os programas estabelecidos continuam a prever vultosos
investimentos.
Repórter: Quais as perspectivas oferecidas
pelas recentes pesquisas realizadas na plataforma continental brasileira?
General
Roca Dieguez: Os
levantamentos geofísicos realizados na plataforma continental, ao longo de toda
a costa brasileira, permitiram mapear importantes formações geológicas de
características tecnicamente valiosas, desde o Amapá e a foz do Amazonas até o
Rio Grande do Sul. A perfuração dessas formações foi iniciada no segundo
semestre do ano passado, nas costas de Alagoas, Sergipe e Espírito Santo,
registrando, até o momento, cerca de 15 mil metros perfurados em 5 poços. Vale
salientar que, dos três poços já completados, dois deles foram classificados
como produtores, ambos na costa de Sergipe, em formações diferentes e com
excelente vazão. As boas características de produção desses dois poços, já
demonstradas através de testes de formação continuados, permitem inferir que
estamos, efetivamente, em presença de ponderáveis reservas recuperáveis e que,
a despeito do vertiginoso incremento anual no consumo de derivados, será
possível atingirmos a tão almejada autossuficiência do abastecimento nacional
de petróleo em bem menor prazo do que se poderia imaginar um ano atrás.
Repórter: A reforma administrativa do Governo
Costa e Silva atinge a Petrobras?
General
Roca Dieguez: A
Petrobras tem sido pioneira, no Brasil, na implantação das modernas técnicas
administrativas que marcam o sucesso das grandes empresas mundiais. Longe de
ser órgão burocrático, possui ela, já institucionalizados de forma dinâmica, os
mais modernos procedimentos de natureza administrativa, nos campos do pessoal,
dos materiais, das compras, das vendas, do orçamento, do planejamento, das
finanças, da contabilidade, das relações públicas, da supervisão e da gerência.
Dispõe a Petrobras, na cúpula da sua
estrutura, de um órgão interno voltado exclusivamente para os problemas de organização
e gerência administrativa, alicerçado no mais complexo e moderno sistema de
processamento de dados existentes no Brasil. Sua finalidade básica é a de
implantar as mais modernas técnicas administrativas, não permitindo a
estagnação e o obsoletismo. Neste particular, portanto, pode-se afirmar que a
reforma administrativa do Governo Costa e Silva já atingiu a Petrobras.
O único problema de monta,
que ainda
se encontra
em fase de
estudos, é
o relativo
à conveniência
e à oportunidade de
se transformar
a Petrobras
em empresa
holding, passando
a executar
suas atividades
através de empresas subsidiárias.
A premissa das subsidiárias nasceu
juntamente com a própria Petrobras, uma vez que a lei n° 2.004 prevê sua
constituição em bases que resguardam integralmente a política do monopólio de
petróleo vigente no Brasil. Embora já haja a Petrobras constituído sua primeira
subsidiária, a Petroquisa, a fórmula de generalização ainda não adquiriu
consenso unânime dentro da empresa no que tange à oportunidade.
Como se trata de problema que está na
pauta da atualidade, tanto o Ministro Dias Leite como o Marechal Levy Cardoso,
durante a solenidade de posse deste último na presidência da Petrobras, a ele
se referiram em seus discursos. Aliás, é possível prever para muito breve uma
definição empresarial a esse respeito, baseada em estudos de profundidade a
serem desenvolvidos em todos os aspectos, notadamente os de natureza
administrativa, técnico-operacional e econômico-financeira. (MANCHETE N° 890)
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
YYY
Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso
do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de
Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre
(CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e
Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do
Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do
Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia
Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre
do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do
Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
[1] FRONAPE (Frota Nacional de Petroleiros): foi
criada pelo Decreto n° 29.006, de 25 de abril de 1950, pelo Presidente Eurico
Gaspar Dutra, para suprir a demanda nacional, atuando no território nacional e
no exterior. (Hiram Reis)

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