Segunda-feira, 20 de abril de 2026 - 07h52

Bagé, RS, 20.04.2026
Vamos continuar reproduzindo as
reportagens da Revista Manchete:
Manchete n° 959, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 05.09.1970
O
Caso das Torturas no Brasil
Legendas Maliciosas Servem Para forjar
Falsas Provas de Violências Políticas, Numa Campanha Internacional Contra Nosso
País
Efetivos do Curso de Comandos da
Brigada Aeroterrestre estão sendo treinados no interior do País, com o
objetivo específico de enfrentar os guerrilheiros rurais. Eles são submetidos
às mesmas torturas que sofrem os prisioneiros dos comunistas. Um deles chega a
ser levado a uma cruz. Esse tipo de instrução tornou-se rotineiro depois da
Guerra da Coréia e provou amplamente a sua eficácia. Os prisioneiros que haviam
sido submetidos a ele provaram uma resistência maior aos castigos infligidos
pelos vermelhos, particularmente a lavagem cerebral.
Também se habilitaram a causar o máximo de destruição na retaguarda inimiga
ou de enfrentar, através de ações de pequenos grupos, os guerrilheiros.
Na sua Campanha Difamatória Contra o Brasil, Publicações Estrangeiras não Hesitam em Transformar Exercícios Antiguerrilhas em Prova de Torturas Contra Presos Políticos

A dureza do curso se destina, ainda, a fazer a seleção dos mais capazes. Por isso, os exercícios prosseguem com realismo e crueza. No dia seguinte, os jornais noticiam a sua realização, ilustrando a matéria com numerosas fotografias. O Exército norte-americano, na Zona do Canal, recordava-se, empregara esta forma de instruir até um ano atrás. Se os fatos foram corretamente noticiados na imprensa brasileira, haveriam, contudo, de ser apresentados sob deturpação em revistas estrangeiras. Fotografias usadas nas reportagens foram reproduzidas por algumas publicações utilizando-se legendas ambíguas e dando ao leitor menos atento a impressão de que se tratava de confirmação das acusações sobre torturas no Brasil.
As revistas “Stern”, da Alemanha e “Domenica del Corriere”, da Itália, foram as primeiras a publicar as fotos com legendas maliciosas. Seguiram-se a “Oiga”, do Peru e “Visión”, México-Chile, já usando uma linguagem taxativa: ali estavam as provas das torturas a prisioneiros políticos no Brasil.
Não havia mais do que duvidar. Nesta base é que haviam sido formuladas denúncias ao Papa sobre o que ocorria nas prisões brasileiras, bem como a outros organismos internacionais.
É assim, em síntese, que se procura distorcer a imagem do País no exterior. Um exercício antiguerrilha compõe uma prova da existência de métodos de tortura no Brasil.
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);


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