Segunda-feira, 10 de agosto de 2020 - 10h16

Bagé, 10.08.2020
Momentos
Transcendentais no Rio Amazonas I
Manaus, AM/ Santarém, PA ‒ Parte II
Rei dos Rios
Rápido exame dos relevos da terra, no mapa físico da América do Sul, desperta
imediatamente a atenção para a colossal baixada, onde, com o aspecto ordenado
das nervuras no limbo de uma folha, se apresenta o Rio Amazonas e sua rede
adjacente e radiciforme de afluentes: a mais abundante das bacias fluviais do
mundo. (RANGEL)
O INPE, depois de analisadas as imagens de satélite e
modelos de elevação digital do terreno gerados com radar orbital (SAR
interferométrico), chegou à conclusão que a nascente do Rio Amazonas se origina
em um dos córregos que alimentam o Rio Lloqueta, sendo os principais
Caruhasanta e Apacheta, alimentados pelas águas do pico nevado Mismi, a 5.597
metros de altitude. Estes estudos foram validados pelo trabalho de campo
executado pela “Expedição Científica
Binacional Peruano-Brasileira às Nascentes do Rio Amazonas”. Para os
pesquisadores do INPE, o principal formador do Amazonas é a vertente da
quebrada Apacheta.
Apacheta é, sem dúvida, a nascente original do
Amazonas e o principal Córrego que alimenta o Rio Lloqueta, principal formador
do Apurimac que corre no sentido Noroeste, passando por Cuzco, a mais de 3.000
m de altitude.
Depois de percorrer pouco mais de 730 km, o Apurimac
encontra com o Rio Mantaro para formar o Rio Ene, a uma altitude de 440 m e,
mais adiante encontra com o Rio Perené a 330 m acima do nível do mar, passando
a formar o Rio Tambo. Após sua confluência com o Rio Urubamba a 280 m de
altitude, forma o Rio Ucayali. O Ucayali corre por um declive suave para o
Norte até juntar-se com o Marañón, onde recebe o nome de Amazonas, até a fronteira
do Brasil.
Na altura da Cidade de Tabatinga muda o nome para
Solimões que toma o rumo geral Oeste-Leste, envolvido pela Hileia Amazônica e,
em Manaus, após a junção com o Rio Negro, recebe, novamente, o nome de Amazonas
e, como tal, segue até encontrar as águas do Oceano Atlântico.
É o maior Rio do planeta, tanto em volume d’água
quanto em comprimento (6.992 km de extensão) e seu declive é mínimo, avançando
lentamente pela maior várzea do planeta. De Tabatinga até a Ilha de Marajó, o
desnível é de apenas 65 m em 3.200 km (uma média de 2 cm por quilômetro).
O curso Médio do Amazonas inicia em Contamana, pequena
Cidade do Peru e se estende até Óbidos, a mil quilômetros da Foz, onde já se
notam efeitos das marés. São aspectos igualmente curiosos os registros de
velocidade, largura e navegabilidade.
A velocidade média, no médio e baixo cursos, é de 9
km/h, mas em Óbidos, onde o Rio tem sua passagem mais estreita em território
brasileiro (2.600 m), a velocidade chega a 12 km/h.
A largura é outra das medidas difíceis de calcular, em
virtude das diversas Ilhas existentes no seu leito, dando origem à formação de
vários braços ou “Paranás”.
Um dos trechos mais largos, frontal à Foz do Tapajós e
à cidade de Santarém, mede 35 km. É uma enorme área lacustre em que as águas
predominam altaneiras. Nas épocas de cheia, alguns trechos ultrapassam os 50 km
de largura. A diferença entre o nível máximo das enchentes (junho) e mais baixo
da vazante (outubro-novembro) é, em média, é de 10,5 m.
Grande parte do Amazonas permite a navegação. Nos
3.700 km que vão da Foz à Cidade de Iquitos, sua profundidade (às vezes mais de
50 m) lhe permite receber navios de alto calado. Grande parte de seus afluentes
são igualmente navegáveis, viabilizando o transporte hidroviário como o meio
mais adequado e utilizado na região. Infelizmente a maioria das embarcações
ainda não faz uso de recursos tecnológicos modernos comprometendo a segurança
das pessoas e cargas.
Entre os afluentes do Amazonas existem mananciais
colossais. O Madeira é um dos vinte maiores do mundo; o Purus, o Tocantins e o
Juruá estão entre os trinta principais. Em toda a rede desses afluentes, no
Brasil, sobressaem, pela margem direita, o Javari, Juruá, Purus, Madeira,
Tapajós e Xingu; pela margem esquerda, Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e
Jari.
Bibliografia
RANGEL, Alberto do Rego. Rumos e Perspectivas – Brasil – São
Paulo, SP – Companhia Editora Nacional, 1934.
Solicito Publicação
(*)
Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas,
Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
· Campeão do II
Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
· Ex-Professor
do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
· Ex-Pesquisador
do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
· Ex-Presidente
do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
· Ex-Membro do
4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
· Presidente da
Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
· Membro da
Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
· Membro do
Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
· Membro da
Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
· Membro da
Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
· Comendador da
Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
· Colaborador
Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
· Colaborador
Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
· E-mail: [email protected].
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