Terça-feira, 5 de janeiro de 2021 - 09h48

Bagé, 04.01.2021
Porto Velho, RO/ Santarém, PA ‒ Parte XCII
Descendo o Rio Madeira ‒ XXIII
Durante
nossa estada em Oriximiná, fizemos uma incursão ao Rio Trombetas e Cuminá
aproveitando, nesta oportunidade, para verificar o andamento de parte das obras
do “Linhão” que levará energia da
hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, para Manaus. Esta obra permitirá que o
consumo do combustível fóssil, para geração de energia, caro e poluente, seja
totalmente eliminado nas capitais de Manaus e Macapá e as sedes dos municípios
contemplados pelo “Linhão”, evitando
a emissão de 3 milhões de toneladas de gás carbônico por ano, e reduzindo o
consumo anual de 1,2 bilhões de litros de óleos combustível e diesel.
Após
a conclusão do “Linhão”, o País
economizará cerca de R$ 2 bilhões por ano, o que significa que a Linha de
Transmissão, cujos investimentos previstos são da ordem de R$ 3 bilhões, estará
paga em 18 meses, fornecendo energia limpa e renovável. A construção da linha
de Transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus, de aproximadamente 1.800 quilômetros de
extensão, vai integrar os estados do Amazonas, Amapá e Oeste do Pará ao Sistema
Interligado Nacional (SIN). Numa primeira fase, o “Linhão” reduzirá a dependência local das plantas de energia
térmicas em 27 municípios ao longo da margem esquerda do Rio Amazonas.
Responsabilidade Ambiental
A
complexidade da obra, cruzando Rios e terrenos de várzeas em plena floresta
amazônica, exigiu que sua execução estivesse de acordo com as orientações do
IBAMA e FUNAI. Foram analisadas diversas alternativas para o traçado da linha
até se encontrar as que ofereceriam menor impacto ambiental e interferência em
áreas legalmente protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação,
chegando-se, finalmente, a seis propostas. Cada uma delas foi, então, analisada
detalhadamente quanto ao tipo de vegetação, tipo de solo e viabilidade técnica,
principalmente no que se refere à travessia de cursos d’água que, no caso do
Rio Amazonas, tinha, em algumas das alternativas propostas, até dez quilômetros
de largura a serem transpostos. O sistema levou em conta também que,
futuramente, haja a necessidade de se acrescentar um terceiro circuito à linha,
usando o mesmo corredor, além de contemplar um plano de resgate de fauna e
flora em perigo de extinção.
1° Lote – Tucuruí/Jurupari (500 KV)
Este
lote inclui as linhas de transmissão Tucuruí II-Xingu, de Tucuruí a Altamira,
no Pará, com 264 quilômetros de extensão e tensão de 500 KV, e inclui também a
linha Xingu-Jurupari, na margem esquerda do Rio Amazonas, 257 quilômetros, mais
as subestações Xingu e Jurupari. O primeiro trecho, de 264 km, do Linhão parte
de Tucuruí diretamente para a Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, o que
permitirá a interligação deste Complexo Energético, quando entrar em operação,
ao SIN.
Este
trecho, logicamente, foi o único ponto em comum de todas as seis propostas
iniciais tendo em vista a necessidade da interligação de Belo Monte ao SIN.
Aqueles que eram contrários à construção da hidrelétrica do Xingu apontavam o
alto custo do sistema de transmissão de energia que, segundo eles,
ultrapassaria o orçamento da construção do próprio Complexo Energético.
O
segundo trecho, de 257 km, sai de Belo Monte em direção a Almeirim, cruzando o
Rio Amazonas pela Ilha de Jurupari, localizada nas proximidades de Almeirim,
PA. O “Linhão” vai atravessar o Rio
Amazonas em duas etapas na Ilha de Jurupari, próxima à Foz do Rio Xingu, a
primeira em um vão de 1,6 km da margem direita do Amazonas até a torre 238 na
Ilha; e o outro, dela até a torre 241, construída no leito do Rio Amazonas, com
2,2 km de largura. As duas torres de transmissão terão trezentos e vinte
metros, cada uma pesando aproximadamente 2.400 toneladas. As torres 238 e 241
terão a altura da Torre Eiffel, em Paris, atualmente com 325 metros
(considerando a altura das antenas de rádio), onde, na época de sua construção,
foram usadas 7.300 toneladas de ferro e, hoje em dia, tem aproximadamente 10.000
toneladas.
Sobre
o platô que sustenta a torre 238, está sendo construído um muro de contenção de
concreto com dezessete metros de altura. A plataforma de sustentação da torre
241 está sendo construída no leito do Rio Amazonas a trinta metros de profundidade
e suas fundações possuem trezentos e noventa estacas e pilares construídos com
tubulação em metal, concreto e ferro.
2° Lote – Jurupari/Oriximiná
O
segundo lote é formado pela linha Jurupari-Oriximiná, no Estado do Amazonas,
com 370 quilômetros de extensão em 500 KV.
Este
lote também contempla os trechos Jurupari-Laranjal, no Amapá, com 95
quilômetros em 230 Kv, e Laranjal-Macapá, com 244 quilômetros, além das
subestações Oriximiná, Laranjal e Macapá. Esses trechos têm conclusão prevista para
junho de 2013 e dezembro de 2012, respectivamente.
3° Lote – Oriximiná/Manaus
O
terceiro lote contempla as linhas Oriximiná-Itacoatiara, com 370 quilômetros em
tensão de 500 KV, e Itacoatiara-Cariri, em Manaus, com 211 quilômetros, mais as
subestações associadas Itacoatiara e Cariri.
Em
abril de 2011, foi concluída a montagem da primeira torre do “Linhão” em Manaus, com 62 metros de
altura, pesando 24 toneladas. Verificamos, durante nossa visita, que no
primeiro trecho, no Rio Trombetas, a travessia está sendo feita por meio de uma
Ilha com dois vãos de 950 metros e 1,2 mil metros, as torres em terra, que
partem de Oriximiná, estão concluídas, assim como a da margem direita do Rio
Trombetas. Este lote não pode deixar de se considerar, no futuro, o fornecimento
de energia para o Município de Parintins, localizado na margem direita do
Amazonas e uma Linha de Transmissão de 500 kV para Porto Trombetas, o que
permitiria que ali se instalasse uma refinaria de alumínio para atender a
produção local e das minas de Juruti.
UTE Mauá 3
A
Megausina Termoelétrica de gás natural de ciclo combinado (que utiliza gás e
vapor para acionar as turbinas) será construída ao lado da usina Mauá, no
bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus.
O
empreendimento, que vai utilizar 2 mil metros cúbicos por dia de gás natural
proveniente da Bacia de Urucu, vai produzir entre 400 e 650 megawatts (MW),
quase a metade do atual Parque Energético de Manaus.
A
usina deverá estar concluída até 2014, antes da realização da Copa do Mundo. A
pergunta é por que usinas similares ou maiores que essa não foram construídas
em Urucu ou Coari e sua energia levada até Manaus por linhas de transmissão,
principalmente porque, além do gás de Urucu, já se tinha conhecimento de
jazidas importantes de gás natural no Juruá? Além disso, o gasoduto de 660 km
de extensão, praticamente um terço do “Linhão”,
custou quase o dobro do mesmo e provocou um impacto ambiental muitíssimo maior.
Roraima no SIN
No
dia 25.01.2011, foi assinado o contrato de concessão para a construção da Linha
de Transmissão Manaus/Boa Vista, que terá 715 km de extensão, nos Estados do
Amazonas e Roraima, mais as Subestações Equador 500 KV e Boa Vista 500/230 KV.
A linha conectará Boa Vista ao SIN, contribuindo ainda mais para a redução do
consumo de Combustíveis Fósseis, além de possibilitar a exportação de energia
do SIN para a Venezuela.
Solicito Publicação
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de
Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
· Campeão do II
Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
· Ex-Professor
do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
· Ex-Pesquisador
do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
· Ex-Presidente
do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
· Ex-Membro do
4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
· Presidente da
Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
· Membro da
Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
· Membro do
Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
· Membro da
Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
· Membro da
Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
· Comendador da
Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
· Colaborador
Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
· Colaborador
Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
· E-mail: [email protected].
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