Terça-feira, 16 de novembro de 2021 - 10h28

Bagé, 16.11.2021
O Jornal n° 2.445
Rio de Janeiro, RJ – Domingo, 28.11.1926
A Expedição Chefiada pelo Explorador Dyott
Foi Ameaçada pelos Índios em Mato Grosso
[New York Times]
Nova Iorque, 27 [U.P.] – O “New York Times” recebeu um despacho
pelo rádio, procedente de Mato Grosso dizendo que a Expedição chefiada pelo
explorador George Miller Dyott, chegou ao ponto extremo navegável em canoas do
Rio Sepotuba. [...]. (O JORNAL N° 2.445)
Gazeta de Notícias n° 287
Rio de janeiro, RJ – Sábado, 11.12.1926
No Mistério da Amazônia
O Explorador Inglês George Dyott revela
Fantásticos Aspectos da Vida Indígena
nas Selvas Brasileiras
# Um Caso que é mais Para rir... #
“The World Magazine” adquiriu os direitos exclusivos da
publicação das notícias de viagem do Capitão e explorador inglês George Dyott,
que viveu por vários anos entre os indos do vale do Amazonas. Esse homem conta
coisas maravilhosas dos selvagens “Jivaros” da fronteira com a Guiana e
promete edificar o público das 5 partes do mundo com as declarações
sensacionais acerca, de usos e costumes desses bárbaros. Diz Dyott que os
canibais o receberam mal. Resolveram-se, porém, a aproveitar-lhe os serviços de
guerra, mas logo lhe impuseram o amor de 6 umlheres. Puritano, com escrúpulos
clássicos, friamente pudico como qualquer inglês que guarda os domingos e canta
os salmos, Dyott recusou a oferta. Maltrataram-no então. Perante o argumento
decisivo da surra e até do suplício, abriu os braços à sua meia dúzia de
esposas.
Manda a lei dos “Jivaros”, entretanto, que sejam honrados e
considerados os guerreiros que dão à tribo muitos filhos, e, para ser
considerado e honrado, Dyott quase que povoou o deserto amazônico. Regressou à
Inglaterra deixando 30 descendentes nos campos dos “Jivaros” e 6 esposas
que lhe choram exemplarmente a ausência... Claro é, que o assunto interessou
extraordinariamente à sociedade britânica e não se fala do outra coisa nos
altos meios onde o escândalo é sempre um prato de luxo. As damas londrinas
comentam risonhamente o caso; gente séria e respeitável enruga a testa,
ruborizando-se e não falta quem tenha a trouxa arrumada e os bilhetes
comprados... para o Amazonas! O Capitão Dyott é também um hábil novelista. Esse
sujeito esperto acaba de pregar uma peça ao universo inteiro. Isso de nação
indígena que quer o estrangeiro louro para
tipo de raça é um mito alegre, e nada mais.
A esta hora, recolhido à paz do seu gabinete, o viajante
estará a rir da, ingenuidade fácil dos homens. Pois há quem acredite na fábula?
Lembra-nos a história certo caso interessante que, à guisa de anedota,
corre por aí. Alto, bela figura de homem, correto e grave, um Coronel de uma
cidade, próxima era tido por muito bom sujeito. Tinha, porém, um defeito considerável;
não discernia claramente a verdade e a fantasia. Assim foi que, de uma feita,
narrou aos vizinhos amigos esta passagem de sua vida. Viajava pelos sertões com
amigos numerosos que andavam à caça, e foram todos aprisionados por uma tribo
de índios, truculenta, e perversa. Os antropófagos fecharam os ouvidos às
lamentações e peditórios. Cerraram os olhos ao choro e às lágrimas. E mataram
cruelmente todos os presos, com exceção de um – O Coronel. O cacique atentara
nele. Reparou na bela figura de homem. Salvou-o portanto, serviria para;
reprodutor. O Capitão Dyott é um grande pandego!
(GAZETA DE NOTÍCIAS N° 287)
Jornal do Commercio n° 32
Rio de janeiro, RJ – Terça-feira, 01.02.1927
A Expedição Dyott-Roosevelt
Sua Chegada ao Rio Roosevelt
Notícias vindas de Mato Grosso dizem estar a Expedição
Dyott-Roosevelt, que se acha há vários meses no sertão mato-grossense,
concluindo a última, etapa do seu itinerário, já tendo chegado ao passo do Rio
Roosevelt. [...] Do Porto Esperança, em Mato Grosso, ponto terminal da Estrada
de Ferro Noroeste do Brasil, seguiu a Expedição para a cidade de S. Luiz de
Cáceres, donde prosseguiu até Tapirapuã, à margem esquerda do Rio Sepotuba,
depois de incorporar à sua comitiva alguns sertanejos brasileiros, conhecedores
da região que devia ser percorrida.
Nessa viagem fluvial a Expedição foi transportada pela lancha “Rosa
Bororo”, da Inspetoria do Serviço de Proteção aos Índios, de Mato Grosso. Em
Tapirapuã foi organizada a Expedição terrestre, que partiu, sem demora, para
Aldeia Queimada, Utiariti, Juruena, Vilhena e José Bonifácio, em busca do passo
do Rio Roosevelt, na linha telegráfica Cuiabá e Santo Antônio do Madeira, numa
extensão de cerca de 650 quilômetros, seguindo, invariavelmente o trajeto
percorrido pela “Expedição Roosevelt-Rondon” em 1914.
Chegados àquele passo, detiveram-se o Comendador Dyott e seus
companheiros no preparo da duas “ubás”, canoas, necessárias à descida do
Rio até a sua foz no Madeira, donde prosseguiram para Manaus, viajando nos
navios que fazem a navegação regular no Rio Amazonas, e, assim, terminaram a
interessantíssima viagem que empreenderam os emissários da “Roosevelt
Memorial Association”. [...] O Sr. General Cândido Mariano da Silva Rondon
recebeu ontem do Sr. Comendador George Miller Dyott o seguinte telegrama
expedido pela estação de José Bonifácio, situada no alto sertão mato-grossense:
General Rondon, Rio. ‒ Embarcando no Rio Roosevelt, agradecemos a V. Exª o acolhimento recebido. Em
homenagem a V. Exª batizamos
uma canoa com o nome de “General Rondon”, Saudações, Dyott. (JORNAL DO
COMMERCIO N° 32)
Jornal do Brasil n° 81
Rio de janeiro, RJ – Terça-feira, 05.04.1927
A Missão Dyott-Roosevelt
Do nosso ilustre colaborador Ramon da Paz que acompanha a Missão
Científica Dyott-Roosevelt, recebemos o seguinte telegrama:
A Missão Científica Dyott-Roosevelt chegou
a Manaus, depois de quase sete meses de viagem por ínvios sertões. Sou feliz
por ter ocasião de participar de um empreendimento, que me permitiu confirmar a
minha admiração para com o grande país, Brasil. Saudações aos companheiros da
redação e a toda a imprensa carioca. – Ramon da Paz.
O “Jornal do Brasil” publicará em breve, as informações que
aquele nosso colaborador nos, prometeu enviar, sobre a viagem de exploração
pelos sertões do Brasil. (JORNAL DO BRASIL N° 81)
O Paiz n° 15.512
Rio de Janeiro, RJ – Domingo, 10.04.1927
A Amazônia Misteriosa
Uma Notável Conferência do Dr. Roman Poznanski,
da Missão Dyott-Roosevelt
O subchefe da Missão Dyott-Roosevelt, que acaba de percorrer o
noroeste brasileiro, numa atribulada viagem de estudos e pesquisas, realizou há
pouco, em Manaus, uma curiosa conferência, cuja sumula o nosso prezado e ativo
correspondente na capital amazonense nos enviou no cabograma que transcrevemos
a seguir:
Manaus, 9 [Especial para O PAIZ] – O Dr. Roman
Poznanski, subchefe da Missão Dyott-Roosevelt, fez uma aplaudida conferência
pública, no salão principal do “Club Nacional”, na presença do
Presidente do Estado, do Prefeito Municipal e grande número de pessoas de todas
as classes da nossa sociedade.
Referiu as peripécias da penosa travessia do noroeste brasileiro,
precisando as dificuldades encontra das e relativas à falta de gente e de
aninais para o serviço, de transportes. Contou que a missão, por duas vezes,
foi assaltada por um grupo de 18 homens, pertencentes à chamada Coluna Prestes.
A primeira, eia Tapirapuã, e a segunda no Salto. Finalmente, o chefe
ou comandante do grupo, indivíduo de nome Emygdio da Costa Miranda, abandonou
os companheiros, que o quiseram matar, vindo pedir proteção à missão Dyott, que
o acolheu, sob a condição de entregá-lo à primeira autoridade brasileira que
fosse encontrada.
Passando a missão pelo posto telegráfico, Emygdio foi, requisitado de
Cuiabá, pelo Presidente de Mato Grosso, ficando de ser enviado com aquele
destino. O conferencista referiu ainda os grandes trabalhos que teve a Missão
para transpor o morro do Paixão, onde os exploradores entraram em contato com
os índios Araras, que, apesar de mansos, abriram várias caixas pertencentes aos
expedicionários, à procura de machados e facões.
Acampados, certa noite, pouco distante de lençol de água corrente,
sobreveio grande chuva, que; alagou tudo subindo as águas 6,4 metros, arrebatando
vários utensílios e aparelhos pertencentes à missão. Por fim, chegaram ao ponto
mais difícil da travessia do noroeste, a passagem de inúmeras cachoeiras do Rio
da Dúvida, que formam uma verdadeira escada de pedra e desce do planalto de
Mato Grosso em busca do vale do Amazonas, obrigando os expedicionários a
abrirem varadouros de até 306 metros de extensão.
Como derradeiro episódio, o conferencista referiu o seguinte caso:
Sem uma revista, nem um livro para ler,
naqueles ermos sertões a Missão, logo que chegou ao primeiro barracão
civilizado, à margem do Rio da Dúvida, pediu ao seu proprietário qualquer obra
ou jornal para ler, indo este buscar o único livro que ali havia, um volume do
“Na Planície Amazônica”, de Raymundo Moraes ([1]).
Referindo o incidente o Dr. Poznanski disse, para mostrar irradiação
desse mesmo livro, que:
A missão considera-o a maior obra escrita
sobre a Amazônia. Isso não provém somente das belezas da sua forma e do seu
estilo literário, mas das verdades nele contidas [...]. (O PAIZ N° 15.512)
Jornal do Brasil n° 137
Rio de Janeiro, RJ – Quinta-feira, 09.06.1927
Conversando com o Nosso Patrício Dr. José Tozzi
Calvão, que foi o Verdadeiro Organizador da Exploração Através dos Nossos
Sertões
[...] O Dr. Calvão tomou parte em quase todas as expedições
norte-americanas realizadas na América do Sul; e por isso, está em condições,
melhor do que qualquer outro, de expressar opiniões concretas sobre as
dificuldades superadas e sobre os resultados efetivos das expedições.
Declarou-nos o Dr. Calvão:
Dr. Calvão: O principal elemento de
sucesso de uma Expedição depende sempre do cálculo exato dos mantimentos [...].
A organização dos transportes e recursos alimentícios, exige também a
competência de homens experimentados nessas viagens, porque, como seria
prejudicial qualquer otimismo a respeito às condições do itinerário, assim
poderia resultar muito incomodo uma organização pesada dos ditos transportes.
[...]
Repórter: A Expedição teve encontros com os revoltosos em pleno
sertão?
Dr. Calvão: Dois encontros. O primeiro
aconteceu na madrugada do dia 02.11.1926. [...] fomos surpreendidos pelos
revoltosos da Coluna Prestes, comandados pelo Capitão Miranda. Em consideração
de que a missão era estrangeira, requisitou somente os nossos animais de sela,
que eu tinha escolhido em São Luiz de Cáceres, deixando-nos alguns cavalos
magros e cansados. Com estes animais atravessamos cento e oitenta léguas de
sertão, habitado pelos célebres Nhambiquaras, chegando a 24 de dezembro a
Utiariti [...].
Repórter: Qual foi a parte mais difícil da Expedição?
Dr. Calvão: A parte mais difícil da viagem
foi a travessia do Rio Roosevelt, cheio de cachoeiras e de voltas perigosas. Às
vezes precisávamos parar longas horas no Rio, para cortar algumas arvores
colossais que obstruíam a passagem das canoas. A 02 de fevereiro encontramos as
primeiras cachoeiras, e fomos obrigados a abandonar o batelão de madeira, como
também parte da carga e os nossos aparelhos radiotelegráficos e os motores.
Armamos então a terceira canoa de lona, e assim conseguimos superar a primeira
grande dificuldade. Eu procedia ([2]) sempre na frente, explorando o Rio e os canais
por onde poderíamos passar. No dia 28 de fevereiro, precisando caçar entreguei
o lugar, de piloto ao índio, que me acompanhava e fiquei na proa, [...] um
desastre, porque, pela imperícia do meu novo piloto, a canoa, ao atravessar uma
cachoeira, foi de encontro às pedras virando e jogando os tripulantes n’água.
Porém, por boa sorte, a carga de mais necessidade estava bem acondicionada, por
isso, flutuando pelas águas espumantes da cachoeira, foi apanhada pelas outras
canoas a 2 quilômetros abaixo. Lutamos assim todos os dias, sempre de baixo de
fortes chuvas e trovoadas, molhados até os ossos. No dia 3 de março, chegamos à
Serra do Sargento Paixão, e às cachoeiras do mesmo nome. Tivemos de fazer um
varadouro de três quilômetros. Enquanto eu com mais dois homens íamos abrindo o
varadouro numa floresta espessa, fomos cercados por uma tribo de índios
desconhecidos, em atitude hostil. Os meus companheiros apavorados quiseram
fugir, mas felizmente consegui contê-los, o que foi a nossa salvação, pois, do
contrário, os índios nos teriam atacado. Mostrei, então, que éramos amigos,
entregando à tribo, que depois soube chamar-se “Araras”, machados e
facões de presente e recebendo, em troca, arcos, flechas, milho e “chicha”
[aguardente de milho]. Até a chegada ao Rio Madeira varamos, em 45 dias, 65
cachoeiras.
Repórter: Quantos meses durou a Expedição?
Dr. Calvão: Deixamos o Rio em 15.09.1926 e
chegamos a Manaus no dia 02.05.1928.
Repórter: Quais são
as suas impressões sobre os nossos sertões?
Dr. Calvão: O entusiasmo com que tenho
tomado parte em tantas expedições, e o desejo de realizar ainda outras
explorações, podem demonstrar o meu vivo interesse para o conhecimento mais
perfeito e o estudo destas regiões maravilhosas, exuberantes de riquezas, e que
poderiam, só elas, assegurar a prosperidade de um grande país.
Repórter: Quase são os resultados práticos dessas expedições?
Os resultados, hoje, são para os
estudiosos. E seja-me permitido afirmar que talvez se interessem mais os
estrangeiros do que os nossos patriotas em conhecer as extraordinárias riquezas
que existem naquele “Inferno Verde”. Quando o problema das comunicações
for resolvido – e parece que o voo de De Pinedo ([3]) têm apresentado a possibilidade de solução do
problema, os resultados das atuais explorações poderão ser apreciadas
praticamente. [...] (JORNAL DO BRASIL N° 137)
Bibliografia
GAZETAS DE NOTÍCIAS N° 287. No Mistério da Amazônia
– Brasil – Rio de Janeiro, RJ – Gazetas de Notícias n° 287, 11.12.1926.
JORNAL DO BRASIL N° 81. A Missão Dyott-Roosevelt –
Brasil – Rio de Janeiro, RJ – Jornal do Brasil n° 81, 05.04.1927.
JORNAL DO BRASIL N° 137. Conversando com o Nosso
Patrício Dr. José Tozzi Calvão – Brasil – Rio de Janeiro, RJ – Jornal do
Brasil n° 137, 09.06.1927.
JORNAL DO COMMERCIO N° 32. A Expedição
Dyott-Roosevelt – sua Chegada ao Rio Roosevelt – Brasil – Rio de Janeiro,
RJ – Jornal do Commercio n° 32, 01.02.1927.
O JORNAL N° 2.445. A Expedição Chefiada pelo
Explorador Dyott – Brasil – Rio de Janeiro, RJ – O Jornal n° 2.445,
28.11.1926.
O PAIZ N° 15.512. A Amazônia Misteriosa –
Brasil – Rio de Janeiro, RJ – O Paiz n° 15.512, 10.04.1927.
Solicito Publicação
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de
Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
· Campeão do II
Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
· Ex-Professor
do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) (2000 a 2012);
· Ex-Pesquisador
do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
· Ex-Presidente
do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
· Ex-Membro do
4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
· Presidente da
Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
· Membro da
Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
· Membro do
Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
· Membro da
Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
· Membro da
Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
· Comendador da
Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
· Colaborador
Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
· Colaborador
Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
· E-mail: [email protected].
[1] O escritor
Raymundo Moraes, filho de Miguel Quintiliano de Moraes e de Lucentina Martins
Moraes, nasceu em Belém no dia 15 de setembro de 1872. Interrompeu cedo os
estudos, havia concluído apenas o curso fundamental, para acompanhar seu pai Miguel
Quintiliano, prático de navios no Rio Madeira. O Fascínio e a magia de navegar
pelas artérias vivas da hileia fizeram-no seguir a carreira do pai chegando a
comandante dos “gaiolas”. As infindas jornadas despertaram seu amor pela
leitura. Autodidata de invulgar inteligência e sensibilidade aliou o
conhecimento científico e literário adquirido com as experiências que recolhia
e anotava nas suas jornadas. Seus líricos relatos, carregados de emoção, são
flagrantes que vivenciou e paisagens que impregnaram sua alma durante quase
trinta anos. São crônicas de quem aprendeu com as águas e as gentes, com os
seres da floresta, os ventos e as chuvas.
Deixemos
falar o inspirado escritor:
A Amazônia é um inigualável repositário de
águas doces, vivas, cantantes, que saltam e deslizam, sob a luz crua do
Equador, desde as cachoeiras rugidoras nas escadas de pedra aos lagos serenos
nas várzeas infindas. Com a bacia imensa retalhada de rios, recortada de
angras, listradas de furos, os paranás, e os igapós se traçam, se ligam, se
anastomosam no mais complicado e bizarro aranhol fluvial do planeta. [...] A
principal característica do Amazonas, no entanto, é a metamorfose. Para fixar
suas linhas de drenagem, na construção das molduras que o apertam no “canon”,
apaga de noite o que delineou de dia. Solapa, rói, gasta, para mais adiante
restaurar, no tear potamológico, a topografia que sumira.
(Raymundo Moraes - Na Planície Amazônica)
[2] Procedia:
avançava.
[3] Em 1927, com a
missão de promover o fascismo e os avanços tecnológicos de seu país, e, o Coronel
Francesco de Pinedo, da Força Aérea Italiana, foi incumbido de liderar o “Raide
das Duas Américas”. Acompanhado do engenheiro Carlo del Prete e do mecânico
Vitale Zacchetti, pilotou um Savoia-Marchetti S.55, bimotor hidroavião de casco
duplo, batizado de Santa Maria em homenagem à nau capitânia de Cristóvão
Colombo. Foi uma jornada impressionante. Partindo da Itália, o Santa Maria
chegou ao porto de Natal, no Rio Grande do Norte, em 24 de fevereiro, em uma
travessia via Senegal, Cabo Verde e Fernando de Noronha. Depois, em uma série
de escalas, a expedição passou pelo Rio de Janeiro, Buenos Aires, Assunção,
Manaus e Belém, seguindo pelo Caribe até os Estados Unidos. Mesmo com a
destruição do avião, atingido por um incêndio durante um reabastecimento no
estado do Arizona, em 6 de abril, a missão prosseguiu com o Santa Maria II, que
voltou à Itália via Terra Nova, Açores e Lisboa. A missão de longa duração foi
o primeiro voo da história a cruzar o oceano em ambos os sentidos...
(aeromagazine.uol.com.br)

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