Quarta-feira, 15 de abril de 2026 - 07h40

Bagé, RS, 15.04.2026
Vamos continuar reproduzindo as
reportagens da Revista Manchete:
Manchete
n° 954, Rio de Janeiro, RJ
Sábado,
01.08.1970
A Estrada da Pacificação - Transamazônica
(Reportagem de
Carlos Chagas)
Não há dificuldade em se traçar no mapa
o imenso percurso da Transamazônica, que saindo de Recife e João Pessoa corre
mais ou menos paralela ao Rio Amazonas para terminar descendo até o Acre. A
Transamazônica, no entanto, não se resumirá numa simples via de penetração ou
comunicação da Amazônia inferior com o resto do País: o objetivo do Governo ao
programar o início de suas obras para 1° de setembro é permitir a fixação de
grandes populações nordestinas ao longo do trecho amazônico da estrada, entre
Estreito e Humaitá.
Para o seu
traçado definitivo pesam acima de tudo injunções colonizadoras como a qualidade
das terras marginais, a proximidade das jazidas de ferro, minas de ouro,
diamantes, e bacias petrolíferas. O plano prevê a fixação de 100 mil
nordestinos nos próximos dois anos, a começar pelos núcleos de trabalhadores da
estrada, que receberão lotes de 100 hectares cada um, assistência técnica e
amparo financeiro.
Para a
construção da Transamazônica, a colonização de suas margens e o programa de
irrigação do Nordeste, as três peças do Plano de Integração Nacional, o Governo
destinou recursos da ordem de dois bilhões de cruzeiros, provenientes da
aplicação de 30 por cento da renda dos incentivos fiscais nas áreas da Sudene e
Sudam. Dessa importância, 400 milhões destinam-se especificamente à construção
da rodovia.
Um corte
Leste-Oeste – A frente da Transamazônica a ser atacada agora pelo Governo
federal começa exatamente na divisa dos Estados do Maranhão e de Goiás. Avança
pelo Pará, subindo um pouco para satisfazer às diretrizes econômicas
estabelecidas. E entra no Amazonas, até Humaitá. No futuro, chegará ao Acre.
O Trecho a ser Atacado Agora
é de 2.075 Quilômetros,
Cruzando Goiás, o Pará e o Amazonas

Proposta pelo Ministro Mário Andreazza em demorada exposição ao então Presidente Costa e Silva, em junho de 1965, como fator de integração nacional, a Transamazônica foi programada pelo Governo Médici para o ano que vem. Os preparativos para a implantação imediata foram acelerados a partir da seca que dois meses atrás começou a assolar o Nordeste. Decidida sua construção como fórmula de emergência no decreto que estabeleceu o Plano de Integração Nacional, ela dará condições de trabalho à grande massa de flagelados, permitindo também seu gradativo deslocamento para fixação em terras mais férteis e inexploradas do Oeste. Em prazo mais longo, estabelecendo a circulação desde Recife e João Pessoa até o Acre, representará a conquista de grande parte da Amazônia, integrando a região com o resto do País logo que ao seu redor se promova a colonização.
Antes de ser a via da salvação para o Nordeste ou da integração para a Amazônia, porém, a Transamazônica traz em si mesma um potencial mais profundo: poderá transformar-se na estrada da pacificação nacional, na medida em que, para sua implantação e a colonização de suas margens, se mobilizem as gerações jovens, sequiosas de oportunidades, contestadoras dos padrões atuais, rebeldes como em todo o mundo. A obra que começa com a implantação da Transamazônica exigirá tamanha soma de recursos materiais e humanos que apenas a integração de gerações permitirá o êxito final. A Transamazônica não é um fim em si mesma. Como parte do Plano de Integração Nacional junta-se com o programa de colonização de suas margens e com a irrigação do Nordeste.
O seu traçado completo corta longitudinalmente a região abaixo do Rio Amazonas, correndo paralela à ele numa extensão de mais de 5 mil quilômetros. Desses, uma parte já se encontra implantada, como a que une Recife e João Pessoa a Picos, no centro geográfico do Piauí e, atravessando a parte sul do Maranhão, chega a Carolina e vai a Estreito, na ponte sobre o Rio Tocantins, construída para a Belém-Brasília. Também está concluído o trecho de Humaitá, quase na fronteira do Amazonas com Rondônia, ligando aquela cidade a Porto Velho, Abunã e, depois, a Rio Branco.
O que se fará agora são 2.075 quilômetros, desde Estreito até Humaitá, cruzando Goiás, passando por Marabá, Jatobá, Altamira, Itaituba e Jacareacanga, no Pará, e daí às margens do Rio Madeira, no Amazonas. Não se trata de um simples problema técnico de engenharia rodoviária. Ao cruzar a selva virgem e os grandes Rios, é necessário definir onde cruzar e porque cruzar. O traçado busca o mais possível regiões de terras férteis, próximas a jazidas minerais e a lugares propícios à fixação e colonização. Ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem estará afeta a implantação da estrada, com início previsto para 19 de setembro, quando as companhias empreiteiras terão apresentado seus planos. Pretende o DNER estabelecer diversas frentes de trabalho que, iniciadas nas principais cidades por onde passará a Transamazônica, terminem por interligar-se. As grandes máquinas construtoras seguirão para os locais por via fluvial, subindo o Amazonas e seus afluentes.

A primeira tarefa será do desmatamento, depois a definição do leito. Acampamentos se instalarão ao longo do que for sendo implantado, e lá as empreiteiras se obrigarão a estabelecer núcleos de futuros povoados: motores diesel para a energia elétrica, residências, escolas e postos de saúde como embrião das novas cidades. De 50 em 50 quilômetros, o próprio leito da estrada servirá de pista de pouso para pequenos aviões.
O Diretor-Geral do DNER, engenheiro Eliseu Resende, acentua, que:
Além da integração com o Nordeste, a Transamazônica promoverá a conexão rodoviária dos portos fluviais que servem os Rios atravessados.
Quando se pergunta porque o esforço para a estrada quando os Rios já se encontram como perfeitas vias de transporte, e gratuitas, o Ministro Mário Andreazza responde:
A experiência demonstrou que a disponibilidade de um sistema único não enseja o desenvolvimento. Só com a integração dos sistemas fluvial e rodoviário se conseguirá aquele intento, pois os Rios aparecem mais como vias de penetração.
Paralelamente à implantação da rodovia serão desenvolvidos os programas de colonização, a cargo do Ministério da Agricultura. Sua base estará nas áreas marginais. O Governo desapropriará faixas de 10 km de cada lado. Os trabalhadores da Transamazônica receberão áreas de 100 hectares para cultivo, mediante orientação e assistência oficiais estabelecendo-se também faixas de reservas florestais. Até 100 km de cada margem, o Ministério da Agricultura se reservará o direito de dirigir os projetos privados e cooperativos de colonização e agropecuária.
Numa primeira fase, se cuidará de estabelecer culturas de subsistência como de arroz, feijão e milho; mas, ao mesmo tempo, se buscará a diversificação agrícola com culturas permanentes de maior economicidade em função da qualidade dos solos, como o café na terra roxa, e o cacau, no solo calcimórfico.
Os planos de colonização preveem grandes perspectivas para a atividade extrativa, seja de madeiras nobres, o mogno é abundante em toda a região, de babaçu, os coqueiros crescem aos milhares ou da borracha. Para o Ministro Cirne Lima, trata-se de criar novos polos de civilização com a fixação do nordestino ao longo da Transamazônica, e isto se dará apenas com a colonização sistematizada. O trecho já construído que, partindo de Recife, vai com asfalto até Salgueiro e Cajazeiras, mostra a paisagem tradicional do Nordeste e um pouco da Amazônia: da zona da mata, canavieira, à caatinga pernambucana e cearense e piauiense e mais os campos e Matas do Maranhão. Hoje os matizes são mais áridos e contundentes, por causa da seca, e seus efeitos correm paralelos à estrada poeirenta que passa por Picos, Floriano, Pastos Bons, Balsas e Carolina, para chegar a Estreito, no rio Tocantins.
Doze anos atrás, Estreito era uma região de Índios pacificados, os tupinagés, mosquitos, fazendas abandonadas e nenhuma cultura agrícola. Geograficamente, o ponto onde o Tocantins é menos largo.
Autoridades de Municípios Próximos ao Traçado da Transamazônica Ainda não Creem Nela
Do lado do Maranhão, ali está a ponta do município de Carolina: de Goiás, a parte mais pobre de Tocantinópolis. Em 1958, a Belém-Brasília precisava cruzar o Rio e foi para lá que se planejou a ponte. Primeiro um campo de aviação junto com um núcleo pioneiro para construí-lo; depois o cimento chegando por via aérea, com engenheiros, máquinas e trabalhadores. Em seguida, a estrada passou para Belém. Hoje, quando o pequeno aerocomander sobrevoa Estreito, é fácil verificar que a região desenvolveu-se rapidamente, beneficiada pelo tráfego constante da estrada que acabou não pertencendo às onças.
Uma das maiores serrarias goianas está localizada a 800 m da ponte e exporta mogno para os Estados Unidos, via Belém. A abundância do produto é dada por um pormenor: até cabos de vassoura de mogno os americanos compram. A cultura do feijão é grande, e próximo daqui o minério de ferro é farto.
Para o Norte, estira-se a Belém-Brasília, onde o movimento de caminhões continua intenso, mesmo à noite. Pouco menos de 70 graus para Oeste é o rumo da Transamazônica. O voo baixo de avião, quase sobre a copa das árvores, revela a progressiva alteração da paisagem: no portal da Amazônia a vegetação começa a mudar. Até Marabá, na região entre os Rios Tocantins e Araguaia, não há projeto para outra ponte sobre este e a travessia futura será de balsa, o coqueiro de babaçu predomina, nativo, à espera de quem pretenda extrair dele; cruzeiros ou dólares. A floresta adensa-se, já são raros os trechos menos tomados por ela. Em Marabá, distante de Estreito 280 km em linha reta, o prefeito e o delegado mostram-se tão ansiosos quanto céticos com relação à Transamazônica.
Mais 100 km até Jatobal e o voo rasante mostra a selva buscando o Céu. As árvores são cada vez maiores, os castanheiros procuram a luz do Sol, parasitas e cipós entrelaçam os troncos que sustentam o teto verde até 40 m do solo, em média. Aqui e ali, as exceções gigantescas, de 50 e até 60 m. Na serra dos Carajás as reservas de ferro são superiores às do quadrilátero mineiro. Os coqueiros de babaçu ainda estão lá, mas em menor quantidade: sua altura máxima, de 20 ou 30 m, os deixa inferiorizados perante o conjunto. Por baixo, segundo análises de regiões limítrofes, a terra é fértil, própria para diversas culturas, e as barrancas do Tocantins são pródigas em diamantes. Pouco depois de Jatobal, o Rio busca o caminho do Mar, num último serpenteio que o distancia para sempre da Transamazônica.
Jatobal-Altamira é o próximo trecho, o primeiro grande desafio da selva: 320 km de floresta pura, cerrada. Na direção de Altamira, cidade às margens do Xingu, a estrada parece tão impossível como era a Belém-Brasília antes de construída: Nem um casebre, nem uma clareira aberta pelos Índios, nem uma picada. Bandos de araras coloridas assustam-se e ganham o céu à passagem do aerocomander. Por mais que se force a vista, tudo é impenetrável: a selva tornou-se gigantesca e uniforme, também. Babaçu, madeiras raras, ouro, diamantes, metais preciosos e minerais diversos, além do petróleo, a riqueza está ali, invisível, pintada de verde. A cor é absoluta, em mil tonalidades, ganhando todas as formas horizontais, dominando e sufocando o próprio ambiente.
Já se pode ver o Xingu ao longe. Diferente do Araguaia e do Tocantins, ele se espraia fora do leito, mostrando ser bom aluno do Amazonas, que passa por uma das maiores cheias dos últimos anos. Mas suas águas são azuis, têm praias cristalinas e corredeiras intermitentes. Na cheia ele não perdoa nada, invadindo, alagando, contornando. Quando a estrada chegar, será vencido por balsas, pois uma ponte sabre sua variável imensidão é projeto para o ano 2000.
Altamira tem pouco mais de 30 mil habitantes, é pobre, vive da pesca, um pouco da pecuária e, principalmente, da esperança de que alguma coisa aconteça, e alguma coisa pode ser a Transamazônica. De barco, leva-se três dias para chegar a Belém, quinze até Manaus. De avião, quando ele passa, duas horas e pouco. Aqui se localiza um trecho já construído da Transamazônica, entre Estreito e Humaitá, uma via de penetração para Santarém, feita pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Pará, e que em parte será aproveitada. A estrada morre no meio da selva, uns 50 km depois da cidade e os tratores continuam derrubando a mata.
Todos andam armados: os Índios são presença comum, as feras também, o caboclo não sabe a quem deve temer em primeiro lugar. Não havia foguetes no dia da vitória do Brasil sobre a Itália, na Copa do Mundo, e o subdelegado, pouco afeito ao futebol, espantou-se com o tiroteio sucessivo que saudou o gol de Carlos Alberto, ouvido pelo rádio. Veio para a rua, carabina na mão, meio apavorado com o que lhe parecia uma invasão dos Índios.
O segundo desafio vai de Altamira a Itaituba, mais 480 km em linha reta floresta adentro, das margens do Xingu ao Tapajós. É mais viva, por aqui, a formação geológica de Nova Olinda e o petróleo, dizem os técnicos, deve ser farto sob o tapete verde. Cobre, chumbo e ouro são abundantes em toda a região, também cortada pelo Rio Iriri.
Os Índios em estado selvagem e os garimpeiros surgem aqui e ali, quase sempre estranhando-se e emboscando-se às margens de Igarapés. A luta pela vida de cada um coloca-os frente a frente, em situações inconciliáveis. Entre as duas cidades, análises revelaram grandes extensões de terras com as mesmas características de Dourado, em Mato Grosso, consideradas das melhores do País, próprias para cereais.
Tomando-se Altamira e Itaituba como ângulos inferiores de um triângulo-retângulo, Santarém será o vértice superior, lá na embocadura do Tapajós com o Amazonas. A Transamazônica não passará por Santarém, o que não impedirá a cidade de tornar-se principal beneficiária do Plano de Integração Nacional na região.
Índios, Garimpeiros Errantes, Selva e Selva Num Território Onde Caberia Toda a França

Para Santarém convergirão todas as riquezas e os negócios, pois a estrada que sai de Cuiabá, paralela à Belém-Brasília, cruzará a Transamazônica bem no meio do triângulo, permitindo de Altamira e Itaituba a saída transversal para Santarém.
De Itaituba a Jacareacanga são 315 km, o terceiro desafio da Transamazônica. Tudo selva, nada mais que ela, e as mesmas perspectivas anteriores: terras de excepcional qualidade, minerais de todas as espécies e a extratividade potencial às mãos de quem se habilite. Mais 580 km exatamente iguais e Jacareacanga estará ligada a Humaitá, rompendo o Sul Oriental do Estado do Amazonas, do Tapajós ao Madeira. O panorama muda pouco: são quilômetros de selva embora com grandes extensões de um cerrado mais baixo. O terreno é ondulado e surgem pequenos morros de pedra. No mais, Índios, conhecidos e desconhecidos, garimpeiros errantes e quase nenhum caboclo fixado, tudo isso num território onde caberia toda a França.
Em Humaitá chega a BR-319, futura continuação da Transamazônica no sentido de Porto Velho, Abunã e Rio Branco, no Acre, trechos já implantados e entregues ao tráfego pela engenharia militar. Se as dificuldades materiais, econômicas, geográficas e políticas podem ser tão grandes quando imprecisas, alguns obstáculos mais palpáveis já se levantam diante da Transamazônica:
1 Parte das classes produtoras do Nordeste criticaram o desvio dos 30% dos incentivos fiscais para o Plano de Integração Nacional. Argumentam que o Nordeste necessita dessa renda, pois todas as programações regionais contam com ela. Em muitos casos os 30% dos incentivos fiscais são utilizados em reinvestimentos nas próprias indústrias, já instaladas na área, que se ressentiriam de um repasse compulsório para aplicação, pelo Ggoverno, em outra região, na Transamazônica. O que os Ministros Delfim Neto e João Paulo dos Reis Veloso respondem, diante desse quadro, é que a política dos incentivos fiscais deve ser analisada por um ângulo especial: desde que o Governo permitiu a aplicação de 50% do imposto de renda devido pelas empresas em áreas prioritárias como as da SUDENE e da SUDAM, fica o Governo com poder de gerência sobre esses investimentos. Afinal, se não existisse a lei dos incentivos fiscais e simplesmente aquelas importâncias seriam recolhidas aos cofres públicos para aplicação direta onde o Governo quisesse. A destinação temporária dos 30% para a Transamazônica baseia-se em objetivos superiores de Integração Nacional e servirá para expandir os mercados da indústria nordestina, elevando níveis de renda.
2 Alguns chefes políticos nordestinos engrossam as fileiras dos protestos contra a Transamazônica: acostumados a um controle absoluto sobre determinadas zonas de influência eleitoral, não podem aprovar uma via de escoamento de eleitores humildes para a Amazônia. A contra argumentação oficial é óbvia: a Transamazônica servirá exatamente para escoar o excesso de contingentes populacionais do Nordeste, livrando-os da manipulação eleitoreira. O plano prevê, com as colonizações, fixação de pelo menos 100 mil nordestinos na Amazônia, em dois anos, supondo-se que 400 mil se terão transferido para lá até as eleições de 1974.
3 Outro problema importante é o dos Índios. Declara o Ministro Costa Cavalcanti, do Interior:
Que os Índios devem ser protegidos e cuidados, mas em momento algum poderão atrapalhar o desenvolvimento nacional. Se estiverem nas áreas destinadas à colonização e criando problemas, e se não existirem sucedâneos próximos para essas áreas, os Índios deverão ser deslocados.
No polígono Santarém, Altamira, Marabá e Itaituba existem 29 tribos: 9 integradas à civilização; 12 simplesmente isoladas, mas que não costumam criar problemas; e 8 selvagens. A realidade e a exploração andam a par e passo, quando se trata dos Índios: se de um lado, como irresponsáveis, devem ser cuidados, assistidos e protegidos, de outro não se poderão tornar entraves ao progresso e ao desenvolvimento. A Fundação Nacional do Índio pretende estabelecer grupos pacificadores que precederão as turmas de trabalho, buscando pacificar, conciliar e, se necessário, deslocá-las. Muito das campanhas levantadas no exterior, falando em massacres de Índios, devem-se a interesses contrários à ocupação da Região Amazônica por brasileiros. A denúncia de falsos massacres ou crueldades objetiva criar um ambiente contrário à Transamazônica, com evidentes lucros para os que não desejam o Brasil assentado no domínio de suas riquezas.
4 Os garimpeiros também constituem problema. Esses não se limitam a temer, evitar ou apenas defender-se dos Índios, como o caboclo. Os interesses são opôstos: garimpeiro e Índio disputam as mesmas regiões inóspitas. Desta forma, não raro os garimpeiros, como os grileiros de terras, são responsáveis por ataques de surpresa a Índios selvagens e pacíficos, sendo a recíproca também verdadeira. A Transamazônica certamente facilitará a formação de cooperativas ou o estabelecimento de empresas que aprimorarão a garimpagem, e os garimpeiros isolados serão os primeiros a reagir. Trata-se, no caso, para o Ministro das Minas e Energia, Dias Leite, da marcha do progresso, que não poderá ser impedida. Importa, no caso, explorar economicamente as jazidas, de acordo com os interesses nacionais, nem pessoais nem internacionais.
5 A falta de energia é outro obstáculo a transpor, pois o aproveitamento hidrelétrico dos Rios da Amazônia, embora levantado e programado, é obra para muitas décadas. Em algumas regiões já se torna possível, como a usina do Rio Curiaçu, que servirá Santarém, em vias de conclusão; mas as impossibilidades, em outros casos, são flagrantes: as linhas de transmissão tornariam excessivamente oneroso um sistema integrado por ora. A Eletrobrás dispõe de um estudo para o aproveitamento do potencial do Tocantins, em Tucuri, desde Marabá, que poderia gerar mais de dois milhões de quilowatts, pouco menos que o dobro da potência de Furnas, mas o programa exigiria recursos enormes, ainda não disponíveis.
6 A propriedade das terras também constitui dificuldade: apesar da disposição inicial do Governo de desapropriar faixas a partir de cada margem. Não é segredo que estrangeiros, pessoas ou firmas, são proprietários de vastas regiões amazônicas. O desenvolvimento beneficiará a região como um todo, abrindo novas perspectivas aos fazendeiros realmente integrados na realidade brasileira, qualquer que seja sua nacionalidade. E o Ministério da Agricultura não acredita que haverá qualquer problema para as necessárias desapropriações.
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
Bagé, RS, 03.06.2026 Depoimento do Cap Telmo Travassos de Azambuja Termo de Depoimento do Sr. Telmo Travassos de Azambuja Aos 29 dias do mês de ag

Bagé, RS, 02.06.2026 Cap Telmo Travassos de AzambujaVerdades X Mentiras: O Exército Brasileiro na Construção da BR–174 A melhoria da infraestrutur

Bagé, RS, 01.06.2026O PiumMeu caro amigo de longa data, ST Luiz Mário Severo Ávila, empresário, advogado, escritor e agrimensor, que tive, no dia 09

Bagé, RS, 29.05.2026 Contestação do TRF PODER JUDICIÁRIOTRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃOCoordenadoria da Quinta TurmaDECISÃO [...] Decido.[...
Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)