Porto Velho (RO) domingo, 27 de maio de 2018
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Paul Singer, uma história do Brasil - Por Frei Betto


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Nem só de pão vivem homens e mulheres. Exigem também beleza e esperança como razão de vida. Precisam ser semeados para nascer, crescer, florescer e frutificar. Na cultura humana, esses semeadores são chamados educadores.

Rubem Alves ensinou a diferença entre professores e educadores. Os primeiros, como eucaliptos, crescem retos e esgotam o solo em seu entorno. Reproduzem conhecimentos de outros sem crítica, e não entendem a crítica ao próprio conhecimento. Repetem e obrigam os outros a repetir aquilo  que um dia também foram obrigados a aprender. Não criam, e impedem outros de criar.

Já os educadores, estes sim, quebram as regras e se entusiasmam ao observar a maravilha da criação que se dá pela troca, não pelo acúmulo; pela construção, não pela repetição.

Paulo Freire talvez tenha sido o mais pródigo exemplo dessa relação dialética entre aprendiz e mestre. O que produz o aprendizado e o conhecimento é a troca. Quando ensino, aprendo, é só aprendo porque também ensino.

Esta via de mão dupla é o que rege o mundo e permite que nós, seres humanos, possamos transcender. Mas nenhum conhecimento é neutro. Pelo contrário, a cabeça sempre pensa onde os pés pisam. E só se aprende e ensina aquilo que se vive. A vida é a matéria-prima do saber.

Entre muitos mestres que se destacam no Brasil, merece relevância Paul Singer. 

Ele nasceu na Áustria e veio para o Brasil fugido do nazismo. Aqui fincou raízes profundas. Na juventude, irmanou-se à classe trabalhadora militando em movimentos progressistas. Jovem, filiou-se ao Partido Socialista e participou da greve dos 300 mil, que paralisou a indústria paulistana por mais de um mês, em 1953, na condição de operário metalúrgico. Somente depois de ser trabalhador e militante atravessou a fronteira para ingressar na academia, onde se tornou pesquisador e professor.

Como educador, sempre procurou o contraditório, o pensamento radical e profundo. E desse lugar de intelectual orgânico fez sombra para que gerações de militantes e intelectuais se formassem.

Durante a ditadura militar, preso e compulsoriamente aposentado, ao se ver livre deu aulas clandestinas em São Paulo, para formar especialistas em economia política. 

Paul Singer soube fazer da vida constante aprendizado e, aos 70 anos, se reinventou ao se dedicar à economia solidária. Foi o primeiro tradutor de O capital, de Marx, no Brasil, e participou do grupo de estudos dedicado a esta obra clássica, coordenado pelo professor Florestan Fernandes.

Singer é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, do Cebrap, e muitas outras instituições que, nas últimas décadas, se voltaram à defesa dos direitos dos excluídos. Nos governos do PT, atuou por 13 anos como secretário nacional de Economia Solidária, uma década depois de ter sido secretário de Planejamento da prefeitura de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina.

Sua história merece ser contada. Precisa virar filme, para que as novas e futuras gerações conheçam e aprendam sobre o Brasil e o mundo no olhar dessa pessoa profundamente humana que é Paul Singer. Este é o projeto que o diretor Ugo Giorgetti se propõe a levar adiante no filme Paul Singer, uma história do Brasil.

Para apoiar a realização deste projeto militante e torná-lo realidade é preciso um mutirão solidário. Portanto, participe e colabore! Visite a página da campanha no Catarse: www.catarse.me/paulsinger

Frei Betto é escritor, autor de “Ofício de escrever” (Anfiteatro), entre outros livros.

  
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