Porto Velho (RO) domingo, 18 de agosto de 2019
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Dante Fonseca

O Noroeste Amazônico de Thomas Whiffen, obra agora disponível em português


O Noroeste Amazônico de Thomas Whiffen, obra agora disponível em português - Gente de Opinião
O Noroeste Amazônico de Thomas Whiffen, obra agora disponível em português - Gente de Opinião

Foi lançado na quarta-feira passada (07/08/2019), na Biblioteca da UNIR campus de Porto Velho, a tradução para o português do livro intitulado “The north-west Amazons: notes of some months spent among cannibal tribes”, de autoria do militar inglês Thomas Whiffen com a colaboração do barbadiano John Brown. Publicada originalmente em 1914, a obra é resultado das anotações de Whiffen a respeito de suas viagens pela Amazônia entre os anos de 1908 e 1909. A tradução para o português ficou com o seguinte título: “O Noroeste Amazônico: notas de alguns meses que passei entre tribos canibais”. Seu tradutor, o professor doutor Hélio Rocha, amazônida natural das terras dos antigos purupurus, no médio rio Purus, é doutor em Teoria e História Literária (UNICAMP) e atua como docente junto ao Departamento de Língua Inglesa da Universidade Federal de Rondônia - UNIR; desenvolve pesquisas sobre narrativas de viajantes de língua inglesa que tenham as diversas Amazônias como o lócus de seus estudos e representações. Assim, tem o referido professor se notabilizado por estudar e traduzir nos últimos anos uma série de obras escritas por viajantes de língua inglesa a respeito de suas viagens pela Amazônia, as quais o público interessado não tinha acesso no nosso idioma.

Desse trabalho difícil e penoso, que somente a persistência daqueles que têm vocação para a pesquisa enfrentam, resultou a tradução e os estudos a respeito da obra, constantes no volume publicado. É necessário registrar que também colaboraram no volume recém-publicado os professores Álvaro Echeverri, antropólogo e professor titular da Universidade Nacional da Colômbia e pesquisador do Instituto Amazônico de Investigações e a professora Mariane Bolfarini, doutora em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela Universidade de São Paulo e professora de Letras, Língua Inglesa e Letras, Língua e Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal do Mato Grosso.

O livro trata da viagem do autor à fronteira entre o Brasil e a Colômbia, nas regiões dos rios Japurá e Içá, esse último conhecido na Colômbia como Putumayo. Conforme declara o tradutor: “O estudo analisa a maneira pela qual os povos indígenas, especialmente os Bora e os Uitoto, se relacionam com as suas terras. Descreve os seus modos de vida, incluindo suas casas, agricultura, comida, armamento, guerra, vestimentas, saúde, remédio, canções e danças, magia e religião, organização tribal, o status social das mulheres e sua reação a estranhos. A prática do canibalismo também é abordada e Whiffen sugere algumas possíveis razões para isso, incluindo vingança e insulto supremo aos inimigos, a necessidade de consumir toda a carne disponível e o desejo de absorver algumas características do morto. Os apêndices incluem uma lista detalhada das características físicas, divindades, vocabulários, nomes dos nativos da América do Sul e um exemplo de poesia indígena”.

Esses nativos sofreram um brutal processo de escravização, e consequente dizimação, por parte da empresa Peruvian Amazon Company, de capital misto inglês/peruano, através de seu agente local Júlio Cezar Araña. Submetidos esses nativos a um tratamento desumano para extrair da floresta o caucho nativo, foram os investidores da Peruvian Amazon Company e seu próprio carrasco, Júlio Cezar Araña, denunciados pelo britânico Roger Casement, transformando aquele tenebroso evento no que ficou conhecido como o “Escândalo do Putumayo”

Presta assim o professor Hélio Rocha um inestimável serviço à comunidade de pesquisadores e leitores costumeiros das obras relativas a História da Amazônia, ou seja: o público especializado e o público interessado.  Nas palavras de Juan Álvaro Echeverri: “É louvável que o livro de Thomas Whiffen foi traduzido, na medida em que permaneceu sem tradução durante estes mais de cem anos, porque é um trabalho que serviu de referência para o conhecimento etnológico da região de Caquetá-Putumayo e dos grupos conhecidos como o povo do centro”.

Para adquirir um volume dessa obra entrar diretamente em contato com o tradutor pelo telefone 99206-0436;

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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